quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Um Post Bem Jingle Bells

O Natal passou e o final do ano vai se aproximando cada dia mais. Até pensei em passar a virada na praia, mas logo lembrei do ano que me atrevi a fazer isso e a experiência não valeu os quinze minutos de fogos. É muita confusão mesmo, programa restrito àqueles que ainda possuem paciência, o que não é o meu caso.

Dia 24 fiquei em casa e assisti a tenebrosos momentos natalinos: rabanadas sem gosto que amanheceram completamente duras e impossíveis de se comer (o dia seguinte dela não era para ser o contrário?) e pensar que estava com tanta vontade de comê-las, acabei traumatizada. Um pavê que foi completamente ignorado e esquecido, sendo colocado na geladeira antes mesmo de ir pro forno. Resultado: o pessoal comeu pavê cru e nem se deu conta, somente quando passaram mal horas depois. O Chester não trouxe problemas, afinal, ninguém precisaria mesmo temperá-lo (apesar de eu quase entornar uma Coca-Cola em cima dele) e as músicas depressivas natalinas tocando de fundo encerraram essa data que, devo confessar que me deixa muito feliz ao saber de outra apenas daqui há um ano.

Os presentes e a árvore de natal já não existem mais na minha casa. Acho que a família perdeu um pouco o estímulo de armar tudo e depois ter aquele trabalho de guardar novamente. E confesso que não tem muito a ver ficar olhando um pinheiro enfeitado com flocos de neve enquanto o calor abafado consome os dias de dezembro.

Lembro-me bem de quando eu era criança e meus pais pensavam (só pensavam) que eu acreditava nas falcatruas deles com relação ao Papai Noel. Primeiro que eu tinha verdadeiro horror ao bom velhinho e segundo que o que me interessava mesmo eram os presentes e não o homem de vermelho. Naquele tempo a gente esperava até meia-noite para abrir os embrulhos (que já sabíamos o que tinha dentro, afinal, íamos comprar os brinquedos junto com a minha mãe e eu mesma embrulhava para pôr na árvore). Apesar de tudo, havia algo mágico naquilo que eu não sei explicar, era bom.

Hoje em dia o Natal tornou-se apenas mais um dia de feriado para mim. Além de relembrar o significado desta data, não faço muita questão de festas e ceias gigantes com toda a família reunida, se abraçando e se desculpando depois de brigarem o ano inteiro, para começarem tudo outra vez no dia seguinte, esquecendo-se das juras da noite Jingle Bells.

Apesar dos pesares, o saldo foi positivo e divertido, mas continuo acreditando que um dia perceberei um natal menos comercial e menos falso, aquele mesmo natal que eu via com meus olhos de criança.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Então é Natal...

Bobby Helms - Jingle Bells Rock





Papai Noel brasileiro deveria vestir uma sunguinha vermelha, viver de um jeito mais tropical, esquecer dessa história de trenó e de renas, mas confesso que seria uma apelação quase erótica, por isso então, fiquemos com o bom velhinho barbudo que vem lá das terras frias do Pólo Norte e coberto de neve mesmo. O Papai Noel de veraneio fica restrito à imaginação daqueles que por ventura ainda acreditam que o Natal é algo um pouco maior do que troca de presentes e mesa farta e atrativa. Então vamos todos se lembrar de que além de abrir presentes e se empanturrar de perus e rabanadas, é hora também de parar e refletir que essa data tem um significado muito especial. E bom Natal e Boas Festas para todos os que vierem aqui e lerem isto!

P.S.: Será que alguém notou que nenhuma emissora reprisou pela enésima vez o filme "Esquecerem de Mim" (e suas versões) neste ano? Isto é comemorável! Mentira, eu sempre assistia e o meu caso era quase patológico: eu gostava!

P.S.²: Papai Noel me deu um presente antecipado esse ano: passei para a Marinha do Brasil, o que significa que este é o meu último Natal como civil e, nada mais justo que um bom velhinho marujo, não ?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Sultões de Cabul

Essa semana terminei de ler “O Caçador de Pipas” de Khaleid Hosseini, depois de meio mundo já tê-lo lido. Fazia um bom tempo que eu não lia um livro por mero prazer e não simplesmente por obrigação, como aconteceu nos últimos dois anos, em que minha mesa andava abarrotada de apostilas de Direito, Contabilidade, Administração, Português e outras matérias dignas de arrepiar o ser humano mais frio.

Mas, como ninguém precisa estudar o tempo todo da vida inteira, me vi diante da possibilidade de finalmente matar a minha curiosidade de o porquê este livro ter se tornado um dos mais vendidos nos últimos anos: é sensacional. Chorei em alguns momentos, preciso dizer, assim como também, flagrei-me acabrunhada pelo término do último capítulo.

A leitura prende, não me lembro de quando terminei algum livro consideravelmente grande em apenas três dias. Hassan e Amir (personagens centrais da história) penetraram na minha vida nesses dias e tornaram-se parte dela, de tal forma que, mesmo fechando o livro e devolvendo-o à estante, senti como se uma visita muito querida estivesse indo embora depois de passar grande parte do tempo contando a sua vida e quando então, olhasse à minha volta, tivesse percebido o vazio que se instalara.

Experiência incrível essa que Khaleid Hosseini me proporcionou nesta viagem Afegã com estada nas cidades de Cabul, Jalalabad, Hazarajat, ensinando sempre que a amizade é planta que dá frutos para a vida inteira. O Caçador de Pipas é rico em detalhes da cultura do país, como crenças, conflitos étnicos, hábitos alimentares e acima de tudo, mostra aos leitores mais céticos que o Afeganistão nem sempre foi palco assombrado, o Afeganistão que a maioria dos jovens afegãos não chegaram a conhecer.

Enfim, Hassan e Amir, os Sultões de Cabul, como se denominaram em traços riscados no caule de um pé de romã, tornar-se-á uma história cinematográfica e claro, espero que menos decepcionante que a versão para o cinema de “O Código Da Vinci”. Inshallah!

Enquanto esperamos, aqui vai um aperitivo: Trailler .

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Como nós, Formigas

A vida não está fácil, era o que dizia. Os dias passavam e com eles toda a sorte do mundo. O que ficava? Que legado poderia deixar sua existência para que fosse então compreendido ? Era preciso fazer alguma coisa, pensava com seus botões. Viver não podia mais ser apenas existir. Existir deveria ser muito mais do que apenas viver. Estava cansado de toda a gente e de tudo. Não se importava com os grandes feitos, os pequenos eram tão bonitos e esquecidos pela sua medíocre insignificância, não entendia.

Um dia, não se sabe bem o porquê, começou a estudar formigas. Pretas, Saúvas, Aladas, Carpinteiras, Argentinas, Caiapós, Feiticeiras, Cortadoras, Assassinas. Formigas de todos os tipos. Organizadas como só elas poderiam ser. Admirava-lhe toda essa disciplina. O formigueiro era um condomínio democrático e disciplinado como um quartel, aos fundos do seu quintal. Diariamente controlava experimentos naquela sociedade pequena, contratava cantorias de cigarras, inaugurou um sistema de distribuição de açúcar e devastava famílias inteiras com anti-pragas e lagartas.

A vida não está fácil, repetia. Adoeceu e esqueceu a caixa de vidro que encobria o formigueiro experimental. Passou dias tossindo sobre a cama, esqueceu-se da distribuição de folhas e açúcares, faltava luz, aprisionou toda uma cidade como um Deus Todo Poderoso que lança Tsunamis inteiros por aí. Quando duas formigas se encontravam, tocavam as antenas e as feromonas forneciam informação sobre o estado de alimentação de cada uma, que regurgitava a comida para a outra, quando precisasse.

A vida nem sempre fica tão díficil. Após a tempestade viria a bonança e fez-se luz entre as trevas. As coisas melhoram um dia. A distribuição de alimentos voltou a todo vapor,formigas de todos os tipos se misturavam no mesmo formigueiro, cantorias, experiências, formigas filhotes marchavam organizadas aprendendo a rotina daquela estranha civilização em mutações. "No tempo do meu avô havia paz nos formigueiros" dizia uma formiguinha aflita para a outra. "A Rainha dizia que bastava uma picada bem leve para afastar qualquer perigo à nossa civilização" disse uma menos jovem formiga-carpinteira para uma formiga conhecida.

A notícia correu. Picada! A vida de antes poderia não ser fácil em busca de alimento e nem existiam shows e visitas de outras espécies naquele lugar, mas havia menos preocupação, é verdade. Picada! A vida precisava voltar a ser o que era antes. Picada! Formigas nasceram para trabalhar e não para ter tudo de mão beijada. Picada! Estava declarada a guerra. Picada!

A vida não está fácil, dizia. Viver não podia mais ser apenas existir. Existir deveria ser muito mais do que apenas viver. Estava cansado de toda a gente e de todas as coisas. Não se importava com os grandes feitos, os pequenos eram tão bonitos e esquecidos pela sua medíocre insignificância, não entendia. Aquele dia era especial. Dia de banquete, parecia eleição. Fungos, insetos, Corn Flakes, óleos. Felicidade é fazer feliz àqueles que não esperam por ela. Preparou a cerimônia, a festa ia começar. Mas uma dor filha da puta enrrugou sua face alegre. Matara uma filha? Não, não havia pisado em ninguém. Outra dor mais aguda, agora no outro pé.

Precisou retorcer o corpo. Mais outra dor. E outra. E mais uma. Largou o banquete de uma altura que choveu fartura na cidade. Tombou. Seu corpo estava vermelho e protuberâncias surgiam por todo o lado. Pretas, Saúvas, Aladas, Carpinteiras, Argentinas, Caiapós, Feiticeiras, Cortadoras, Assassinas. Formigas de todos os tipos. Organizadas como só elas poderiam ser. Até mesmo para matar. Até mesmo para morrer.

E naquele democrático condomínio houve fartura por muitos e muitos anos. A vida não era mesmo fácil não, era preciso entender.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

De volta para o aconchego...

Já estava na hora de tirar as teias de aranha deste blog aqui e colocá-lo para funcionar. Muitos meses passaram e muitos cadernos também: enfrentava uma rigorosa rotina de estudos para a prova da Força Aérea, a qual realizei no último domingo. Estava fácil e eu tirei uma boa média, mas confesso que não estou muito animada, são apenas 89 vagas e ao que tudo indica, as notas explodirão nas alturas. Aguardemos, pois, então. E, para esperar em menos aflição até o final de janeiro, quando sai o resultado, vamos reativar esta bagunça cibernética aqui e voltar a fazer o que mais gosto: escrever!!! E claro, com a proteção do meu glorioso São Jorge, sempre!

domingo, 12 de agosto de 2007

Pequeno Play

Mais de um mês sem dar as caras por aqui e nenhuma boa desculpa para inventar. Não, dessa vez eu criei um pouquinho de vergonha na cara e não bolei desculpa alguma esfarrapada para explicar essa longa ausência. A verdade é única: falta de tempo, muito mais nítida do que a falta de idéias, pois basta olhar ao meu redor para ver tantos e tantos posts perdidos no dia-a-dia. Tenho sido preguiçosa blogueira, tenho estudado muito e esquecido desse blog aqui, quase largado às moscas e com uma poeirada de dar dó. Mas eu volto. Sim, eu volto. Não hoje, nem amanhã, talvez nem daqui uns dias. Mas, quando acontecer, voltarei com boas notícias - pois não é que esta ausência é necessária para que elas venham?
Apesar de aprovada no concurso da Aeronáutica, não fui classificada e como este ano, não quero que o episódio se repita, coisas como internet ficarão mais restritas. A causa é justa, vai!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Quartel Geral

Existe uma grande diferença quando falamos de cidade grande e cidade de interior que vai muito além do tamanho, da quantidade populacional ou até mesmo das belezas encontradas. Percebo por exemplo, como somos tão medíocres ao pensar que os pontos turísticos mais belos encontram-se em grandes metrópoles, onde se localizam verdadeiros monumentos ditos conhecidos em todo o mundo. Eu dispenso. Prefiro a beleza de uma cidade pequena. Nem precisa ir muito longe para descobrir verdadeiros paraísos por esse Brasil afora. Minas é um exemplo. Ontem estava vendo uma reportagem sobre uma cidade mineira chamada Quartel Geral (não é General!). Curiosa não só no nome, que já vem carregado de história, de uma época onde os diamentes eram descobertos e garimpados nas regiões mineiras, Quartel Geral reserva um cuidado natural que encanta pela humildade.

Regada pelo cuidado dos própios habitantes, que não chega aos quatro mil, Quartel Geral fica no centro-oeste de Minas Gerais e possui uma lagoa natural de 4km2 que atrai os visitantes da região. Agora veja bem aonde quero chegar: lagoas limpas, onde podemos ver crianças dando mergulhos, não é exatamente a espécie de lagoas que encontramos nas grandes cidades. Pontes então passa a ser a maior ironia, quando sabemos que em qualquer lugar do mundo, uma ponte é razão de ponto turístico, exceto no Brasil, onde ponte é sinônimo de horror, sinônimo de morada aos que não tem teto e perigo à noite para os motoristas.

Sempre que assisto alguma matéria de divulgação cultural de pequenas cidades, fico me lamentando ao perceber que nós, que residimos em grandes capitais, não temos o menor cuidado em preservar o ambiente que usufruímos para viver, o mesmo ambiente que servirá para as gerações futuras oriundas de nós mesmos.

Sei que isso é um assunto pra lá de batido, uma coisa que já estamos carecas de saber, mas é por essas e outras que detesto aquele sensacionalismo todo em cima da população carente que perdem suas casas em torrenciais enchentes de sujeiras ou até mesmo dessa polêmica toda acerca do futuro ambiental do planeta. Afinal, todos acham mais fácil despejar o lixo no rio mais próximo (vide Tietê e demais "primos"), no valão da esquina ou no lixão lá do terreno baldio. E são essas paisagens que iremos apresentar aos turistas nessa chegada do PAN, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, moldados por uma falsa beleza dos cartões-postais, quando toda a cidade disputa há muito tempo modalidades dignas de PAN, como "tiro ao alvo" e quem sabe "assalto à distância".

Viva às cidades do interior e a tranquilidade de ainda poder dormir de janelas abertas, de poder tomar banho de rio e andar sem medo à noite pelas ruas, até que as descubram, algum dia.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Registros de W.C.

Está lá, exposto na portaria do mural do meu edifício: um aviso quase em letras garrafais de que algum indivíduo jogou algo de tamanho superior ao permitido, no vaso sanitário, entupindo o cano de esgoto e causando um estrago incomensurável na coluna de apartamentos contrária à minha (ainda bem).

A vítima maior foi uma senhora do segundo andar, que ao puxar a descarga, teve todo o seu banheiro inundado de (...). É, isso mesmo. E é desta forma, com três pontinhos que foi registrado pelo síndico numa circular colada ao lado dos elevadores. Inundado literalmente de merda de todos os andares. Dez andares acima dela.

A coisa em si não parou por aí. A privada da mulher do segundo andar transbordava tanto esgoto que toda a sua casa ficou imunda, assim como o corredor do seu andar, causando estrago até mesmo no elevador, quando o líquido pútrido invadiu o vão da porta. E fico imaginando o super agradável odor de tudo isto...

A coisa só parou quando foi descoberta a culpada de tanto estrago: uma fralda de bebê. Exatamente. Algum morador sem noção nenhuma de que é impossível passar uma melancia por um buraco onde só passa um limão, jogou privada adentro uma fralda descartável e puxou a descarga. Uma fralda grande. Quiçá GG. Não me pergunte como é que aquilo conseguiu descer, mas desceu. E levou junto com ela, dez andares fecais para o pobre apartamento do segundo andar.

Depois dessa, aprendi uma lição para vida toda: como morando em sociedade você sempre vai ter reflexo também daquilo que os outros fazem, se quer morar em prédio, escolha sempre os andares mais altos. Assim, evita-se qualquer surpresa desagradavél até mesmo na hora de usar o seu tão limpinho banheiro.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Fatos Bizarros do Cotidiano Parte II - A Saga continua.

A noite está chegando e desde a hora do café da manhã você sabe que um compromisso lhe aguarda: o supermercado. Porém, sua preguiça lhe arrasta até o momento em que não mais dá para adiar. E então, você nem se apruma muito para ir e sai, notando que, fatidicamente, começa a chuviscar e um pequeno presságio de que pode desabar um temporal assola os seus pensamentos. Só que você, moço ou moça otimista, afirma para si que é apenas uma pequena nuvem e prossegue seu caminho, afinal de contas, voltar para casa e pegar "sombrinha" (no linguajar dos antigos), era só uma grande perda de tempo, guarda-chuvas nunca evitam você de se molhar mesmo.

Então enfim, chega ao supermercado sã e salva, andou rápido, não sabe se pela chuva ou pelo frio. O importante é que molhou-se pouco e zombou daquela chuva que apareceu somente no momento em que pisou os pés fora de casa, depois de um dia quente de sol. Compra o que deve, pega uma caixa de leite furado que derrama em sua perna e ouve piadinhas (Ah, os homens, sempre eles, claro!) e ruma ao caixa rápido, que na verdade de rápido só tem a vontade de serem lerdos.

Enquanto aguarda sua vez, ouve barulhos de trovoadas e de repente, a vingança dos astros: uma tempestade que daria inveja a qualquer filme de Hollywood, que colocaria Spielberg no chinelo. Conforma-se por segundos e afirma que é outra nuvenzinha, nada mais do que isso. Passa pelo caixa, embrulha suas coisas e mais calma do que nunca, segue seu caminho até a saída do mercado, já lotada de pessoas que aguardavam o temporal apaziguar.

Um detalhe muito importante são pessoas que se aglomeram no mais ínfimo metro cúbico que pareça uma marquise. Elas teimam em manter seus guarda-chuvas abertos, mesmo debaixo de uma cobertura. E podem acreditar que quando essa marquise é a de um supermercado, a coisa pode ser muito pior: primeiro que você precisa atravessar um verdadeiro corredor polonês de sacolas, carregando as suas, que enroscam nas outras, enquanto se desvia de pontas de chapéus e o velho mix de murrinha, além dos motoristas que teimam em parar proximo à cobertura para deixar alguém, porque de fato, ninguém quer se molhar.

Finalmente você acha um pequeno espaço entre a multidão e se acomoda, aguardando o tão sonhado momento em que o temporal vá embora, convencendo-se que realmente não se tratava de uma pequena nuvem. Era uma senhora nuvem. Na verdade, uma imensa nuvem. Uma PUTA nuvem. Enquanto aguarda, como passatempo, você resolve observar seu vizinho de espaço e repara que são três garotos.
Depois de uma quase discussão, resolvem que um iria pegar o carro, estacionado na chuva, a uma boa distância de onde estavam. Os outros dois ficam. Enquanto o primeiro vai buscar o veículo com a brilhante idéia de segurar uma mísera folha de jornal sobre a cabeça, os outros dois lembram que existe um "macete" para ligar o carro. Um deles sai correndo atrás para ajudar. Entra no carro e depois de já estar dentro do veículo, sai e retorna até a marquise superpopulada, falando para o outro que já resolvera o problema. Sinceramente, eu fico pasma com a capacidade intelectual das pessoas.

Enfim, você já está lá, absorta com os acontecimentos, quando indaga se algo mais pode dar errado naquele dia. E pronto, um pequeno estrondo e as luzes se apagam, era o fim: você estava na rua, que visivelmente alagava e no escuro. Com pessoas estranhas. Num lugar estranho. Sem meios de voltar para casa, a não ser retornar ao mercado, comprar um bote e regressar remando. Se tivesse dinheiro, é claro.

Definitivamente, não era seu dia de sorte, mas eis que surge uma luz ao final do túnel. Em meio à muvuca de homens, mulheres, crianças e tudo o mais que se possa imaginar,inclusive casal se beijando, porque devem achar assim, super excitante e romântico um temporal de amor, você avista um rosto conhecido. Sim, era sua vizinha. E logo ela lhe acena. Você corre até ela como se avistasse o Santo Graal. Internamente escuta o Tema da Vitória. PAM PAM PAM! E ouve quase que uma música aos seus ouvidos: - vou chamar um táxi, vem comigo. E é lógico que você vai, mesmo que saiba que está dentro do estacionamento do mercado e que táxis ali, só os que trabalham para o estabelecimento, que a esta altura do campeonato, estavam em corridas. Uma hora a mais de espera por um táxi vazio e pronto, agora estava de frente para o Papa, nunca admirou tanto um táxi na vida.

Entre ruas alagadas você delira pensando na possibilidade em andá-las todas a pé e dá graças à Deus por ter uma vizinha que também detesta guarda-chuvas.
E continuo dizendo, como falei no post anterior: de uma vez por todas, eu preciso aprender a dirigir.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Fatos bizarros do cotidiano

Você está sentada no ônibus nosso de cada dia, quando pára num sinal. Está lá, ouvindo seu MP3, distraída, quase um Dalai Lama em Nirvana, quando ouve alguém lhe chamar do lado de fora da janela.

-Psiu, Psiu, psiuuuuuuuuu.

Você escuta cada vez mais insistentemente, mas afirma que deve ser com qualquer um, menos consigo. Continua lá, no seu autismo absoluto, já chateada com aquela pequena interrupção, mas a insistência começa a incomodar e lhe tira a concentração. Inevitavelmente você olha. E instantâneamente reconhece seu amigo que não vê há meses.

Na mesma hora ele lhe faz um sinal com o celular, num gesto para que você anote o número de telefone, afinal, ele quer entrar em contato, ainda que você esteja com uma preguiça sobrenatural de pegar o seu celular para anotar o número e mais ainda para entender o que aquela criatura sumida balbuciava entre mímicas assustadoras.

Quase em câmera lenta, seu celular é retirado da bolsa e, quando você se vira para a janela para interpretar aquele diálogo de surdos e mudos, o ônibus arranca. E você ainda vê o indivíduo abrir os braços e a boca, enquanto ficava para trás, até sumir de vista.

Lamentando, volta a guardar seu aparelho de volta e, enquanto prepara-se para voltar ao seu sossego musical, eis que ouve de uma senhora ao seu lado, que presenciara toda a cena:

- O mundo está perdido mesmo. O cara canta com um "psiu" e a garota que ainda liga. No meu tempo, era tudo muito diferente.

Isso é o que dá julgar um livro pelo seu filme ! É por essas e outras que eu preciso urgentemente aprender a dirigir.

domingo, 6 de maio de 2007

Pizzas e Zebras

O acordo feito foi esse: se o Botafogo ganhasse o Campeonato Carioca, a família alvinegra iria comer pizza à carater. Todo mundo ficou logo animadinho. Não haveria erro no programa de domingo: iríamos curtir a derrota do Flamengo e logo a seguir comemorar em alguma pizzaria, a não ser que alguma zebra (que não simpatizasse com as listras do uniforme da estrela solitária), azucrinasse o meio de campo.

A coisa começou bem ruim pro Botafogo, perdendo gols e levando o primeiro, fazendo com que a massa rubro-negra do meu edifício se movimentasse num êxtase ao azar botafoguense, mas a alegria durou pouco, quando o jogo virou pro time de coração da que vos escreve. "- Oso, oso, oso, de virada é mais gostoso!", bradei em coro pela janela, observada pelos olhares atentos dos Flamenguistas, quase fulminando a minha minoritária, porém não menos participativa, torcida. Lá ia eu toda lépida contando vitória antes do tempo, quando fatalmente o empate acontece. E são fogos e euforia ao meu redor. E a pizza se tornando cada vez mais distante. O juiz apita o final de jogo e começam os preparativos para a disputa por pênaltis.

Quando eu era pequetitinha, ficava torcendo para que os jogos da seleção brasileira terminassem em pênaltis. Achava aquilo o máximo. Hoje não vejo graça nenhuma. É o tipo de disputa por sorte, loteria. O goleiro se joga para um lado qualquer e a bola para outro. Se calhar de ele agarrar, ótimo, senão, é lástima pra uns e comemoração para alguns. Parece que o sabor da vitória fica um pouco mais insosso. Mas voltando ao Maracanã, eu paguei o preço de ter debochado do Vasco na final da Taça Rio, em que o Fogão ganhou também por pênaltis do Vasco da Gama. Por falar em Vasco e coisa e tal, por acaso o Romário já fez o gol mil ou ele continua tentando meter a cabecinha (sem interpretações dúbias, por favor), nos chutes a gol alheios ?

Enfim, a estrela solitária não brilhou no céu alvinegro neste domingo, pois foram duas defesas flamenguistas e a taça ficou mesmo com a guarda dos urubus e eu tendo de aturar meu porteiro me interfonando para melhorar ainda mais meu humor. Agora só resta ver a torcida do "glorioso" recolher-se, pois botafoguense é igual brasileiro em final de copa do mundo: vice não tem importância, o importante é ganhar. Se antes começavam a aparecer camisas e símbolos por aí, a coisa se dissipará.

Nesse mérito, vale a paixão flamenguista: a gente sempre vê um rubro-negro vestindo a camisa em qualquer época do ano e não só quando está vencendo. Se uma vez Flamengo... Flamengo até morrer, nada mais justo que fazer jus ao hino que canta. O mesmo deveria valer para o Botafogo, que diz em sua melodia: "Tu és o Glorioso, não podes perder, perder pra ninguém." Mas creio que aí já é pedir demais, não é mesmo?

Enfim, para um jogo onde o comentarista errou até o sexo do filho do goleiro Júlio César, dizendo "sua filha é muito linda" e ouvindo um "é filho, é Felipe, pô!" do mesmo, não poderia terminar de outra maneira a não ser em pizza!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Mudar é Preciso

Prontinho. Retirei a poeira do baú e arranjei uma tosse danada, mas a casa ficou limpinha: tudo clean, agora. É evidente que eu enjôo das coisas com muita facilidade, mas o tempo não me permite estar constantemente dando cara nova a este parque aqui semi largado às moscas. Bom, mas como o Blogger andou facilitando a vida dos seus usuários, arrisquei mudar o visual e aqui estou, preparando-me para voltar a vida de pseudo-escritora. Até mesmo porque, depois de andar por Copacabana, com uma mamadeira em cima do carro (que não era meu, é claro - eu não cometeria essa barbárie!) e não perceber isso, certamente assuntos é o que não irão faltar. Tão logo nos vemos, vizinhos. Já é tarde, recolho-me aos aposentos.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

sábado, 21 de abril de 2007

No Limite

Lembram daquele programa apresentado pelo Zeca Camargo, antes da febre do Big Brother, quando um grupo de pessoas ia para o meio da mata e viviam à mercê dos limites do corpo? Pois é. Muita gente diria que seria um exagero meu querer comparar a situação ao que eu vivi lá em Porto Alegre nessa semana que passou, mas posso garantir que, se não estive no limite, foi muito próximo a andar sobre a corda bamba num penhasco. Sem exagero algum, foram praticamente três noites sem dormir e muito exercício. Coisas que só a Aeronáutica proporciona à você. E também a prova de que milagres podem acontecer e de fato existem, ultrapassando as leis de Murphy, que insistiam em me perseguir, quando, pela primeira vez, consegui realizar o salto de 1.40m de distância, coisa até então impossível para mim nos treinamentos que fazia em casa e na academia. Lembram da Rose de "Titanic", ao fechar o olhos e inacreditavelmente acertar as algemas de Jack, quando o navio afundava, com uma machadada certeira num espaço ínfimo entre as duas mãos? Pois foi algo parecido: fechei os olhos, respirei fundo e saltei. Ao abrir, estava eu lá: 1.50m a frente. Mais dez centímetros para tirar onda. A adrenalina naquele hangar de Canoas/Rs da manhã de terça feira era tanta, que eu nem senti as doze flexões e as vinte e seis abdominais. Agora já não digo o mesmo para a corrida, cuja qual foi feita debaixo de um sol quente de meio-dia. Nem o boné me ajudou: começava a perceber que não iria dar para percorrer aqueles quase 2km, mas novamente coloquei os bofes pra fora e sebo nas canelas, consegui realizar o exercício, caindo estatelada sobre o gramado logo após, dando graças à Deus e ao meu São Jorge por mais uma vitória nesse concurso que já se estende desde dezembro (e eu tenho uma promessa a pagar). Agora é só esperar o resultado oficial, pois eu ainda sou a primeira reserva, né? (É triste, mas é fato).Bom, mas o melhor disso tudo é perceber que existem pessoas legais por aí nesse mundão afora (uma homenagem quase implícita - se não fosse eu dizer - ao Dr. Rafael e ao Capitão Rafael, ambos de mesmo nome, por sinal, nome de anjo). É aprender lições que certamente você não aprenderia no seu corriqueiro dia a dia. É bom sentir que o mundo não está perdido, que existe gente querendo ajudar e que você não é só mais um na multidão. Conheci muita gente bacana lá em Porto Alegre e que, se não fosse por eles, talvez eu não tivesse o que contar agora. Talvez não tivesse vivido no limite e então, não sentiria neste instante, a tão saborosa sensação de missão cumprida. Agora, voltemos a vida normal.

domingo, 15 de abril de 2007

See you soon

Lá estou eu indo outra vez para Porto Alegre, sob os olhares atentos de Murphy. Sim, ele mesmo, minha gente. Conto depois o porquê. Mas só quando eu voltar, para não correr o risco de deixá-lo ainda mais irritado e minha sorte aumentar. Inté mais ler!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Corpinho Bunitcho

Depois de muito relutar, finalmente entrei numa academia. Não que eu precise emagracer ou coisa do tipo, muito pelo contrário, tenho a sorte invejável de comer o que eu bem quiser, a hora que desejar e não engordar um grama. Acontece que, apesar da sorte dos Deuses de nunca precisar entrar numa dieta (a não ser de engorda), tive de aceitar matricular-me numa academia de ginástica para afrontar meu sedentarismo e não fazer feio no dia do teste físico lá da Aeronáutica. Afinal de contas, é a última etapa do concurso e cair dura na frente de todos os outros concorrentes ia ser um pouco constrangedor. O fato é que eu nunca consegui fazer uma flexão sequer. Ou a parada é muito difícil ou meus pobres bracinhos são fracos demais. Isso e mais alguma coisa me levaram a crer que eu precisava indubitavelmente de um Personal Trainner ou algo que o valha. E então, lá fui eu, na sexta feira passada, para a minha primeira aula. Para começar, o professor já se assustou com o pouco tempo de que disponho para estar no mínimo apta a fazer doze flexões, vinte e seis abdominais, saltar um metro e quarenta de um ponto parada a frente e correr um quilômetro e setecentos metros em doze minutos. Parece mole falando assim, não é? Pois vai lá fazer no meu lugar! Eu, criatura que ficava quase as vinte quatro horas do dia sentada em frente ao computador, tive que desamassar a retaguarda e suar a camisa. Ao chegar no ambiente de saradas e saradões, o professor ligou a esteira numa velocidade que quase me fez voar lá de cima e me deixou ali longos e intensos vinte minutos. Quando finalmente desligou o aparelho, senti que eu via gnomos por todo lado, enquanto minha cabeça girava ferozmente. Após isso, lá fui eu para a sala de musculação. Com dois colchãozinhos no chão e na posição certa para começar a minha exibição trágica de flexão, ele começou a contar: - um... do... PLAFT, despenquei de queixo no chão. - Só um?!Pois é, meus amigos, a criatura que vos escreve sabe fazer flexão sim: uma e mais nada. - Não se preocupe, você consegue, dizia ele para mim a todo o momento.Depois de umas tentativas a mais e outros fracassos, ele me solta: - menina, é bom começar a se preocupar!!E depois dessa, lá estou indo eu outra vez para a malhação (que passa longe de qualquer novelinha da Globo), depois de passar um final de semana dolorida como se tivesse voltado do cerne de uma guerra, desejando ardentemente que isso tudo passe logo e que eu não precise fazer mais fazer nenhuma flexão. Eu disse nenhuma flexão?! Querendo ser militar? Ai, eu vou chorar.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Coração Violão

Quando fiz quinze anos, ganhei um violão. É bem verdade que eu já o queria desde muito antes, mas tinha uma leve impressão de que se formava um complô à minha volta alegando um certo "fogo de palha" de minha parte. Algo que eu ganharia e que se tornaria obsoleto e esquecido em algum canto do quarto como tantas outras coisas que eu muito quis e depois não dei valor. Sendo assim, mesmo um pouco contrariado, mas no fundo até acreditando na possibilidade de eu me interessar efetivamente pelo instrumento, meu pai presenteou-me num belo dia com uma caixa que, embora disesse ele que fosse surpresa, sua forma em curvas não negava: era um violão! Lógico que não era dos melhores. Um violão bem chulé. Mas tocava e isso era o que estava importando naquele momento. Dizia meu pai que estava afinadíssimo e que eu tomasse cuidado para não desafinar. E eu, completamente leiga, nem sabia o porquê de um violão precisar ser afinado: para mim bastava que ele tivesse cordas e produzisse sons. Pois bem: os dias foram passando e eu tentando arranhar alguma coisa naquele instrumento que foi perdendo sua graça, pois não saía o mesmo som harmonioso das pessoas que tocavam violão e então, como previam todos, o destino foi aposentá-lo num canto qualquer do quarto. Porém, acredito piamente que nada chega na nossa vida por acaso e um tempo mais tarde, meio que por um mix de curiosidade e vontade de querer tocar, comprei uma dessas revistinhas de banca de jornal e comecei a fazer o que ali pedia. Complicado, para quem nada entendia. Pior ainda criar ouvidos para tentar afinar até conseguir um som no mínimo não ofensivo aos ouvidos. Mas saiu. Saiu a minha primeira música. Nem me recordo se toquei-a bem ou mal, com certeza muito pior do que hoje, mas "Amélia", de Ataulfo Alves (controlem-se, leitores), foi a primeira música que aprendi, ainda que sem muita força e habilidade nos dedos para tantos acordes. E a cada dia que passava, eu buscava outras novas músicas e às vezes detestava encontrar uma que eu adorava recheada de pestanas (na verdade até hoje tenho vontade de dar com o violão na cabeça de quem as criou). Enfim, o tempo passou e agora, sete anos depois, posso dizer que eu toco. Não sou uma assumidade e também nunca fiz aulas, mas garanto que posso me divertir por horas sozinha com meu violão. E já fiz muita gente cantar em viagens. E ainda orgulhei meu pai que disse: "E não é que ela toca legal mesmo?".Meu violão é o mesmo de sete anos atrás e não é dos melhores. Está até meio torto, a madeira ja descolou e foi colada e ainda possui duas cicatrizes: dois talhos em seu corpo, adquiridos por alguns tombos. Um dia, quando por ventura eu tiver outro, guarda-lo-ei com carinho, como uma lembrança de uma época que eu fui incrivelmente feliz. E, como dizem por aí, quem sabe tocar um instrumento, nunca estará sozinho: tem um amigo para a vida inteira.

"Você sabe de onde eu venho ?
É de uma Pátria que eu tenho
No bôjo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração."
Canção do Expedicionário

terça-feira, 20 de março de 2007

Empty Eyes

Enquanto olhava através de sua janela, via o mundo extremamente engraçado. Pessoas e Pessoas. Multidão. O careca e o cabeludo. A madame e o mendigo. A pobre mulher bonita. A rica mulher feia. De cabeça para baixo: o mundo, sua rua. Visto através do décimo andar. Segundo plano: do alto. Lá em cima a gente vê melhor. De lá era possível saber que aquela esquina cortava um caminho que poderia ser menos longo para muita gente. De cima é mais fácil achar a saída. Do alto a certeza de não errar era quase uma vontade de descer. Descer e fazer parte. De baixo. Ser multidão. Mais um entre tantos outros mais. Porque às vezes é preciso parar de ser. Para existir.

Anotar na agenda: A falta de doce está me afetando. Preciso parar de pensar muito.


"Todo ponto de vista é a vista de um ponto".
Leonardo Boff.

domingo, 11 de março de 2007

Saudações Cariocas

De volta à minha cidade, que, a essa altura do campeonato, estou achando que ela é, apesar dos pesares, maravilhosa.
Só estreando o novo layout que praticamente ganhei de presente do Alf.. Bem que isso aqui estava precisando de uma cara nova, mas ainda vou ajeitar umas coisinhas, assim que eu tiver um tempo maior, depois de chegar de Porto Alegre, terra tão quente, que fez do inferno praticamente um resort, meus caros. Isto é sério: do Iapoque ao Chuí, ali não é terra onde o vento faz a curva, pois ele passa longe. Inclusive, para saciar a saudade de uma carioca, conheci lá a Ipanema gaúcha, que não me trouxe atrativo algum para fazer comparações com a minha verdadeira praia de Ipanema. Fui para fazer uns exames da Força Aérea e voltei com o laudo de anemia, ou seja, meus próximos dias se resumirão a comer tudo aquilo o que eu julgava ruim e que supunha nunca colocar num prato de comida. E o triste adeus às batatas fritas, pelo menos até o próximo mês, quando refaço o exame. Legal, não?
Complicações à parte, meu lado insano aflorou-se ainda mais no psicotécnico, porque a única certeza que eu tenho é que surtei para responder as mais diversas e mirabolantes perguntas feitas pelo psicólogo. E tentar adivinhar a lógica de qüarenta relógios, num tempo de vinte minutos, colocou-me ao passo de querer atirar meu relógio em cima do primeiro indivíduo que me perguntasse as horas.
Enfim, enquanto tento terminar de ler "O Idiota" de Dostoievski (como eu gosto deste cara!) para começar "O Caçador de Pipas", entre trancos e barrancos vou suportando todo mês o tédio de passar uma semana em Canoas, no Rio Grande do Sul, além dos lanchinhos de sempre da GOL, também tenho de esticar as pernas um pouco fora desse micro para correr em volta do Maracanã, afinal, vem o temido teste físico pela frente e é preciso então, muito sebo nas canelas!


"Vida louca vida,
vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve"
Cazuza

sábado, 3 de março de 2007

Não trate por privilégio, quem te trata por opção!

A frase do título veio ao meu encontro através do Júlim Oliveira e no momento certo, pois estou com uma vontade irrefreável de mandar tudo aquilo o que me aborrece para o inferno. Mesmo porque, minha educação não me permitiria mandar, por exemplo, à puta-que-o-pariu. Infelizmente (ou felizmente), a gente aprende coisas com a vida e uma delas é a não esperar demais das pessoas, pois, de uma certa forma, elas vão acabar te decepcionando um dia. É assim que amizades vêm e vão e digo mais, nunca pensei que fosse dizer isso, pois nunca tive problemas com as minhas amizades, de certa forma, até muito longas. As minhas duas melhores amigas, são de infância, daquelas que corriam para apertar campainha da casa dos outros na rua e depois sair correndo, ou aquela outra que compartilhou a fase dos primeiros fulaninhos que ocupavam páginas de diário, de fato eu sei: sempre me dei muito bem com todas elas, mas acho que conforme o ciclo se amplia, as coisas não ficam e nem devem ficar bem. Por isso sempre digo que o pouco, vale muito. Assim como nunca fiz amigos bebendo combustível, sempre fui mais feliz quando estive na companhia de um, dois, no máximo três e não em bandos, onde não se pode nem ser ouvido e menos ainda, falar. Acho que estou numa daquelas fases de não saber bem o que pensar, quando as pessoas que você mais confiava não eram exatamente as que você deveria confiar. Mas estou nem aí, pois o que me conforta é saber que enquanto uma amizade se acaba, nascem outras dez, como vem acontecendo na minha vida.
Resolvi ser eu mesma, sabe, e não vou ficar mudando meus pensamentos só pra ter que agradar as pessoas, nem ostentar o que não tenho, menos ainda querer aparentar o que não sou: eu sou assim, transparente. Se não gosto, vou dizer. É uma pena que na maioria das vezes, ninguém está preparado para ouvir de verdade o que sentem a seu respeito. Bom, percalços do caminho à parte, estou indo para Porto Alegre novamente e só volto daqui há uma semana. Vai ser bom, ficar distante deste inferno astral um pouquinho. Melhor ainda é estar junto de pessoas que são iguais à você e que só usam máscaras para brincar. No carnaval.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Ovelha Negra da Família

Enquanto isso, em mais uma refeição de um dia-a-dia normal de uma família...

Tudo bem que, às vezes, algumas comidas podem ser meio assustadoras e não convencerem em suas mais variadas formas ao serem digeridas, mas... nunca achei que teria problemas na vida com as batatas-fritas, sempre muito bem recebidas por mim. Mas convenhamos que uma batata-ereta é meio muito, não?

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Ironia

O Blogger tornou-se a própria contradição: melhorou para pior. Para quê, eu pergunto, complicar nossa vida? Vai ver passei mesmo muitos dias Offline e emburreci no quesito Internet. Primeiro, fiquei sem computador durante três longas semanas. E depois, fiquei mais uma em Porto Alegre. Logo, estou meio sem entender as transformações futurísticas do meu tão ex-descomplicado BlogSpot.
Aliás, até esse nomezinho deveria mudar. Porque a nossa URL não poderia ser somente "blogger.com" ? Esse negócio de BlogSpot sempre atrapalha minha vida quando vou dizer o endereço para alguém. É.. BlogS...o quê ? Definitavemente, chato. Bom, sem mais postagens até eu entender o que aconteceu por aqui. Sim, porque os acentos ficaram revirados no template, a barrinha incoveniente voltou (mas essa eu já eliminei cruelmente com um código de extermínio), o Google toma conta de mais alguma coisa, uma nova migração seguida de chateação. Quando eu tiver paciência destrincho isso aqui. Por enquanto, vou ali fofocar no Orkut que é mais fácil.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

. O Bom Filho à Casa Torna .

Enfim, de volta ao Rio de Janeiro. Depois de passar uns dias em Canoas, no Rio Grande do Sul - praticamente uma roça - por conta dos exames de saúde da Aeronáutica, voltei para a minha cidade que brindou-me com uma triste notícia: a morte atroz do menino João Hélio, que todo mundo soube e chorou junto com a família do pequeno. É, realmente estou na minha terra. O Brasil inteiro não tem mais jeito, mas acredito que o Rio está atingindo um ápice brutal de índices de violência. Renato Russo (em "Que país é esse?") já retratara perfeitamente o que nunca mudou e nem há esperança de mudar: "Nas favelas, no senado, Sujeira pra todo lado". A mãe de João Hélio dizia que essa atrocidade poderia ter acontecido com outros Joãos, o nome que certamente colocarei num filho meu, se o tiver um dia. Um filho que por vezes nem nos dá coragem de colocar num mundo onde o futuro é o medo dos limites da crueldade humana. Ficam aqui os meus pesares ao triste episódio, sem esquecer também que, há quatro anos atrás, a jovem Grabriela Prado Maia Ribeiro também fora vítima do sangue frio que corre nas veias da violência, quando uma bala perdida a atingiu num metrô carioca. Onde vamos parar, não sei. Com a justiça do nosso país, com a lei penal que favorece menores de idade, com a falta de segurança, a minha única certeza é que estamos patrocinando uma oficina de monstros, é que estamos cavando a própria cova. Quando coisas assim acontecem, páro e penso se a pena de morte não seria uma solução viável? Viável, talvez, mas fácil demais para assassinos tão cruéis. Este Post tinha de ser em solidariedade aos familiares do pequeno Joãozinho, esta criança inocente que agora encontra-se certamente, melhor do que nós e numa iluminação capaz de compreender e perdoar aqueles que lhe ceifaram a vida ainda em botão. Tenho certeza que para os que ficam, ele deixou uma grande lição.No próximo post, eu conto como foram meus dias no "Big Brother Brasil de Canoas" (depois explico), pois não poderia me calar diante disto. O Brasil está de luto. Vá em paz, João. E nós aqui ficamos, limitados à entender a ignorância daqueles que nascem, crescem, reproduzem e matam.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Sumiço

Vida offline e uma longa viagem à Canoas dia 4, domingo. Passei pra segunda etapa dos exames de admissão à Escola de Especialistas de Aeronáutica e só volto no dia 14. Muitas coisas para contar, pouco tempo para falar. Volto logo, podem esperar! E ah, torçam por mim!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Proibido para cabelos compridos

Imagina que você, mulher (ou homem também, para os adeptos da modinha), não tenha pisado num salão de cabeleireiros durante alguns anos da sua vida e com isso, cultivou compridas madeixas que batiam na cintura. Agora, imagine também, que seu cabelo é a parte do corpo que você mais gosta, trata, hidrata, massageia, gasta horrores mensais com xampus, condicionadores, tinturas, cremes e mais cremes. Pois então, você tem verdadeira adoração por seus fios capilares e passa horas em frente ao espelho, dia após dia, escovando-os, inventando mil penteados diferentes e se derrete quando alguém elogia o brilho e comprimento do mesmo. Agora, imagine que de uma hora para a outra, você simplesmente olha-se no espelho e vê uma outra mulher, de cabelos completamente curtos e sem graça. (Não que cabelos curtos sejam sem graças, mas certamente seriam para quem os usava beirando a cintura). Pois é, agora tente entender que não foi você quem o cortou, mas sim, teve-os roubados. Exatamente isso: roubados. Foi exatamente o que aconteceu dias atrás com uma mulher (que poderia ser eu ou mesmo outra qualquer), dentro de um transporte coletivo, no Rio de Janeiro, ao sair do trabalho e regressar para casa. Sinceramente eu pensei que já tinha visto de tudo na minha vida, mas percebo que será melhor eu trocar tudo o que conheço por metade daquilo que ignoro. Já vi ladrões de carro, de bicicleta, de bolsas de madame (e de não-madames), ladrões de banco, pé-de-chinelo, mas confesso que nunca vi ladrões de cabelos. E mais: com experiência em cortá-lo. Seria esse assaltante um ex-cabeleireiro desempregado, com dívidas a pagar e que só lhe restou o conhecimento capilar, para reconhecer belas madeixas que pudessem ser vendidas, para enfim, lucrar uma grana? O Rio de Janeiro me surpreende a cada dia, não é a toa que ver tropas desfilando de arma em punho enquanto se passeia na rua, já se tornou habitual e confortável para nós, meros transeuntes portentores de cabelos longos, porque até isso, minha gente, corremos risco de perdermos numa simples e rotineira viagem num ônibus qualquer.

Sem Querer

Rio de Janeiro
Das belezas naturais
Do que adianta tudo isso
Se lhe falta a paz?

Rio de Janeiro
Terra do sol e do mar
Samba o ano inteiro
E notícias pra estampar

Rio de Janeiro
Das mulheres bronzeadas
Das camisas suadas
Da baía ensolarada

Rio de Janeiro
Que um dia achei perfeito
Meu grande Rio festeiro
Será que não tem mais jeito?

Quando você acorda ouvindo o pipocar de tiros de algum morro distante, você entende porque poesia nasce “sem querer”.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

. NonSense .

Bom, eu sei que hoje é um dia muito esperado pela mídia, pois é o dia em que a casa mais vigiada, abre suas portas para receber os novos irmãos e irmãs do Brasil, mas ainda assim, não vou perder meu tempo e minhas palavras para comentar sobre um programa que já ficou bem nítido quais são as propostas. Já está todo mundo cansado de saber que não existe mais sorteio porque os vencedores acabam sendo sempre os fracos e oprimidos da casa. E sabemos também, que a cada nova edição o Big Brother Brasil fica mais parecido com a Casa dos Artistas. E é por essas e outras que não cederei mais um parágrafo sequer para comentar que a maioria dos brasileiros não vai resistir em assistir uma vez ou outra os babados e barracos da casa.
O que eu quero contar dessa vez, são pequenos fatos que aconteceram no meu ano de 2006, classificando ele na categoria do ano mais bizarro e nonsense da minha vida. E por causa disso, vou fazer um TOP “Os Cinco Mais” aqui.

E o 5º Lugar vai para:
A minha “meia- prima” que após entrar no túnel fantasma do Terra Encantada (Parque de Diversões do Rio de Janeiro), e perceber o Jason montando em cima do seu carrinho, resolveu mandar beijinhos e piscadinhas para o pseudo-protagonista das Sextas-Feiras 13, que ficou derretido e retribuiu com tchauzinhos, após ouvir encantado: “Você fica tão sexy com essa máscara...”.

4º Lugar:
Fatos estranhos aconteceram dentro do meu apartamento, como por exemplo, um filhote de gavião (!!!) entrar voando pela janela e fazer de nós – pobres mulheres – encolherem-se num canto da sala, sem coragem para chegar até o interfone e chamar o porteiro, que, quando finalmente apareceu, não parava de rir das nossas assustadas fisionomias. Dias depois, foi a saga das cigarras: uma delas chegou a me acordar pela madrugada, quando pousou violentamente em meu rosto.

3º Lugar:
Outra vez no Terra Encantada, porém, com uma amiga, no Portal das Trevas, espécie de Túnel Fantasma, mas que você anda no escuro ao invés de estar comodamente sentada num carrinho. Ao correr, seu pequeno All Star vermelho perdeu-se dentro do Portal e ela, sem reação alguma após sair de lá, sentou-se no chão do parque e minutos depois, pôde ver, ao longe, a figura do Conde Drácula, em plena luz do dia, segurando o calçado em uma das mãos e vindo entregá-la, com um sorriso maquiavélico.

2º Lugar:
Na esquina de uma rua qualquer, em frente à um açougue, um mendigo bradava com o vazio: “- Se você não parar com isso eu vou te esquartejar!”. E com a mão, fazia gestos para o nada, como se estivesse segurando um facão. Esse mendigo é tão esquizofrênico, que já pude vê-lo oferecendo café para uma árvore, em anos mais remotos.

1º Lugar:
Essa vai para a minha meia irmã, que na casa de praia, deu por perdido o seu celular, que um ano depois, foi encontrado dentro do cano da privada do banheiro da casa, cujo qual, ninguém entendia bem porque vivia entupido.

Enfim, ocorreram muitas outras coisas que seriam dignas também de uma boa classificação, como no dia em que fiz uma viagem para Curitiba, saindo do Centro do Rio e o motorista do ônibus ainda pegaria alguns passageiros em outras localidades bem distantes, como Campo Grande e Marechal Hermes, e no fim desse trajeto que nos levou horas, ele aparece no corredor do ônibus e grita: “Pelo amor de Deus, eu não agüento mais fazer tour pelo subúrbio!!!”, mas a lista seria grande demais. Não sei se esse ano me reserva tão “agradáveis” novas surpresas, mas o importante mesmo é não se preocupar com bobagem, ou se você fez algo sem sentido e nem ficar esquentando a cabeça com os rumos da humanidade, mas sim em como aproveitar a sua vida.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

. Cicarelli versus Youtube versus Eu .

Em tempos mais remotos, minha vida na Internet se resumia basicamente à manutenção do meu antigo Blog, conversas esporádicas no MSN e no Chat da UOL, quando este ainda prestava e não era tão decadente como hoje. Nem era preciso assinar banda larga: o tempo utilizado para tão poucas coisas no mundo virtual não necessitava de um computador ligado 24 horas. Aí, primeiramente, ficamos viciados no Orkut. E você, caro leitor, sabe como é: uma vez logado e por mais que você diga que só vai “dar uma olhadinha”, percebe o efeito do “um perfil leva a outro” ou “uma comunidade leva a outra”, definições bem curtas e práticas de qualquer usuário. Logo, surgiu o Youtube e mais um vício em nossas vidas. Basta ver a quantidade de vídeos no ar em tão pouco tempo e a impressionante diversidade de filminhos produzidos caseiramente no Brasil. E até mesmo por causa desses dois vícios, é que o nosso universo blogueiro tornou-se mais vazio e escasso do que era em seu tempo auge. Pois é, eu também fiquei viciada no Youtube e também tenho vídeos lá. Acontece que, para desespero total dos usuários do site, ele poderá ser retirado do ar, no Brasil, por ter exposto o vídeo de Daniella Cicarelli, em sua tarde de amor numa praia da Espanha. E eu que pensei que essa história já tinha dado o que tinha de dar, vejo essa notícia no site da Globo (Fonte ).
Agora, pensem comigo: na hora do bem-bom e de se expor lá na praia com o namorado, não se importando com quem estivesse olhando, será que ela esqueceu de que era famosa? Quem está na chuva é para se molhar e quem está na praia fazendo algo que não seja tomar sol ou banhar-se, também. Direito à privacidade ou intimidade? Voilà! Se ela quisesse não ser vista, não se arriscaria desta forma! Uma maioria não pode pagar porque um indivíduo qualquer foi lá e filmou e outros decidiram propagar pela Internet. E por que tanta preocupação com um site mundialmente conhecido, se é nos pequenos hospedeiros de vídeo que ainda se encontra algo do tipo? Agora eu, serei obrigada a ficar sem meu Youtube porque Daniella Cicarelli resolveu dar piti e não quer vestígios de sua fama como protagonista de um filme pela primeira vez na vida, depois de todo mundo já tê-lo visto? Francamente...

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

. Acontece nos melhores condomínios .


Como se não bastassem as coisas surreais que acontecem no meu condomínio, agora deram para roubar revistas e jornais que são colocados em cada porta. Isso quando sua leitura diária não aparece remexida dentro do pacote original. Esqueçam dos suplementos especiais: estes interessantemente nunca estão lá. Suspeito que algum dia, a cara de pau será tanta, que recolherão todo o jornal e deixarão nas portas apenas os prospectos de propaganda. O jeito para quem assina algum diário especial é acordar com as galinhas antes que as galinhas acordem. E literalmente protagonizem a “Fuga das Galinhas”: com o seu jornaleco na mão, é claro. Há um tempo atrás, a minha mãe assinava uma revista dessas de moda feminina e eu sempre achei interessante o fato da mesma não vir empacotada em algum plástico, com alguma etiqueta dessas adesivas com o nome do assinante. E foi numa pergunta tão infantil: “Como sabem que é a senhora que a assina se não tem nenhuma identificação?”, que resolvemos ter a brilhante idéia de entrarmos em contato com a editora e percebermos que na verdade, a revista vinha cuidadosamente empacotada e etiquetada. Não precisou muita astúcia para nos dar conta de que a revista só chegava em nossas mãos, após a leitura da senhora dona esposa do porteiro do edifício. Foi preciso uma reclamação, é claro, para a partir de então, chegar mensalmente com as características de uma nova revista. Hoje em dia como nós só assinamos a revista de programação da tv a cabo, não temos essa preocupação, afinal de contas, o porteiro não faz parte do ‘mundo dos nets’, ainda. Mas ele continua lá, todas as manhãs, sentado em sua velha cadeira, pito no canto da boca e o jornal fresquinho do dia nas mãos.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

. Ano novo de velhas rotinas .

Bom, agora que se passaram todas as comemorações, nós, como legítimos cidadãos brasileiros, vamos aguardar ansiosamente pelo feriado carnavalesco. Porque ninguém se lembrou ainda que a partir do dia dois do ano, a labuta diária continua e não muito diferente do que foi no ano passado. E como um verdadeiro “Show de Truman”, vamos passar por situações semelhantes a outras já vividas e colocar a culpa no Déjà vu. Vamos assistir novamente ao Big Brother Brasil e ao Campeonato Brasileiro. Iremos acompanhar as novelas das nove horas e continuaremos com nosso transtorno obsessivo compulsivo por Internet. Mas é muito bonito ver aqui no Rio, por exemplo, uma Copacabana lotada por gente querendo um ano diferente. Essa mesma gente que comete a violência de amanhã. Essa mesma gente que assassina os votos de virada no decorrer dos dias. O ano é novo, mas a rotina é velha. Foi muito bonito ver de dentro do meu apartamento, uma queima de fogos digna de fazer qualquer turista perdido achar que já se encontrava nos arredores de Ipanema. E eu moro bem longe disso. Não tinha show por perto e foi recusável tentar assistir o “Show da Virada” da Rede Globo. Mas os poucos vizinhos remanescente de uma maioria que abandonou meu condomínio nos festejos, se encarregaram de animar o ambiente. Tiveram famílias acordadas até o amanhecer, brincando de “verdade ou conseqüência”. Alguns vizinhos abriam Sidras Cereser que eram explodidas janela abaixo. Enfim, posso dizer que o clima foi quase de um reveillon praiano, faltando só a praia e as Palmas, é claro. Em contrapartida, também não enfrentei multidão e não fiquei na chuva.