segunda-feira, 26 de março de 2007

Corpinho Bunitcho

Depois de muito relutar, finalmente entrei numa academia. Não que eu precise emagracer ou coisa do tipo, muito pelo contrário, tenho a sorte invejável de comer o que eu bem quiser, a hora que desejar e não engordar um grama. Acontece que, apesar da sorte dos Deuses de nunca precisar entrar numa dieta (a não ser de engorda), tive de aceitar matricular-me numa academia de ginástica para afrontar meu sedentarismo e não fazer feio no dia do teste físico lá da Aeronáutica. Afinal de contas, é a última etapa do concurso e cair dura na frente de todos os outros concorrentes ia ser um pouco constrangedor. O fato é que eu nunca consegui fazer uma flexão sequer. Ou a parada é muito difícil ou meus pobres bracinhos são fracos demais. Isso e mais alguma coisa me levaram a crer que eu precisava indubitavelmente de um Personal Trainner ou algo que o valha. E então, lá fui eu, na sexta feira passada, para a minha primeira aula. Para começar, o professor já se assustou com o pouco tempo de que disponho para estar no mínimo apta a fazer doze flexões, vinte e seis abdominais, saltar um metro e quarenta de um ponto parada a frente e correr um quilômetro e setecentos metros em doze minutos. Parece mole falando assim, não é? Pois vai lá fazer no meu lugar! Eu, criatura que ficava quase as vinte quatro horas do dia sentada em frente ao computador, tive que desamassar a retaguarda e suar a camisa. Ao chegar no ambiente de saradas e saradões, o professor ligou a esteira numa velocidade que quase me fez voar lá de cima e me deixou ali longos e intensos vinte minutos. Quando finalmente desligou o aparelho, senti que eu via gnomos por todo lado, enquanto minha cabeça girava ferozmente. Após isso, lá fui eu para a sala de musculação. Com dois colchãozinhos no chão e na posição certa para começar a minha exibição trágica de flexão, ele começou a contar: - um... do... PLAFT, despenquei de queixo no chão. - Só um?!Pois é, meus amigos, a criatura que vos escreve sabe fazer flexão sim: uma e mais nada. - Não se preocupe, você consegue, dizia ele para mim a todo o momento.Depois de umas tentativas a mais e outros fracassos, ele me solta: - menina, é bom começar a se preocupar!!E depois dessa, lá estou indo eu outra vez para a malhação (que passa longe de qualquer novelinha da Globo), depois de passar um final de semana dolorida como se tivesse voltado do cerne de uma guerra, desejando ardentemente que isso tudo passe logo e que eu não precise fazer mais fazer nenhuma flexão. Eu disse nenhuma flexão?! Querendo ser militar? Ai, eu vou chorar.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Coração Violão

Quando fiz quinze anos, ganhei um violão. É bem verdade que eu já o queria desde muito antes, mas tinha uma leve impressão de que se formava um complô à minha volta alegando um certo "fogo de palha" de minha parte. Algo que eu ganharia e que se tornaria obsoleto e esquecido em algum canto do quarto como tantas outras coisas que eu muito quis e depois não dei valor. Sendo assim, mesmo um pouco contrariado, mas no fundo até acreditando na possibilidade de eu me interessar efetivamente pelo instrumento, meu pai presenteou-me num belo dia com uma caixa que, embora disesse ele que fosse surpresa, sua forma em curvas não negava: era um violão! Lógico que não era dos melhores. Um violão bem chulé. Mas tocava e isso era o que estava importando naquele momento. Dizia meu pai que estava afinadíssimo e que eu tomasse cuidado para não desafinar. E eu, completamente leiga, nem sabia o porquê de um violão precisar ser afinado: para mim bastava que ele tivesse cordas e produzisse sons. Pois bem: os dias foram passando e eu tentando arranhar alguma coisa naquele instrumento que foi perdendo sua graça, pois não saía o mesmo som harmonioso das pessoas que tocavam violão e então, como previam todos, o destino foi aposentá-lo num canto qualquer do quarto. Porém, acredito piamente que nada chega na nossa vida por acaso e um tempo mais tarde, meio que por um mix de curiosidade e vontade de querer tocar, comprei uma dessas revistinhas de banca de jornal e comecei a fazer o que ali pedia. Complicado, para quem nada entendia. Pior ainda criar ouvidos para tentar afinar até conseguir um som no mínimo não ofensivo aos ouvidos. Mas saiu. Saiu a minha primeira música. Nem me recordo se toquei-a bem ou mal, com certeza muito pior do que hoje, mas "Amélia", de Ataulfo Alves (controlem-se, leitores), foi a primeira música que aprendi, ainda que sem muita força e habilidade nos dedos para tantos acordes. E a cada dia que passava, eu buscava outras novas músicas e às vezes detestava encontrar uma que eu adorava recheada de pestanas (na verdade até hoje tenho vontade de dar com o violão na cabeça de quem as criou). Enfim, o tempo passou e agora, sete anos depois, posso dizer que eu toco. Não sou uma assumidade e também nunca fiz aulas, mas garanto que posso me divertir por horas sozinha com meu violão. E já fiz muita gente cantar em viagens. E ainda orgulhei meu pai que disse: "E não é que ela toca legal mesmo?".Meu violão é o mesmo de sete anos atrás e não é dos melhores. Está até meio torto, a madeira ja descolou e foi colada e ainda possui duas cicatrizes: dois talhos em seu corpo, adquiridos por alguns tombos. Um dia, quando por ventura eu tiver outro, guarda-lo-ei com carinho, como uma lembrança de uma época que eu fui incrivelmente feliz. E, como dizem por aí, quem sabe tocar um instrumento, nunca estará sozinho: tem um amigo para a vida inteira.

"Você sabe de onde eu venho ?
É de uma Pátria que eu tenho
No bôjo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração."
Canção do Expedicionário

terça-feira, 20 de março de 2007

Empty Eyes

Enquanto olhava através de sua janela, via o mundo extremamente engraçado. Pessoas e Pessoas. Multidão. O careca e o cabeludo. A madame e o mendigo. A pobre mulher bonita. A rica mulher feia. De cabeça para baixo: o mundo, sua rua. Visto através do décimo andar. Segundo plano: do alto. Lá em cima a gente vê melhor. De lá era possível saber que aquela esquina cortava um caminho que poderia ser menos longo para muita gente. De cima é mais fácil achar a saída. Do alto a certeza de não errar era quase uma vontade de descer. Descer e fazer parte. De baixo. Ser multidão. Mais um entre tantos outros mais. Porque às vezes é preciso parar de ser. Para existir.

Anotar na agenda: A falta de doce está me afetando. Preciso parar de pensar muito.


"Todo ponto de vista é a vista de um ponto".
Leonardo Boff.

domingo, 11 de março de 2007

Saudações Cariocas

De volta à minha cidade, que, a essa altura do campeonato, estou achando que ela é, apesar dos pesares, maravilhosa.
Só estreando o novo layout que praticamente ganhei de presente do Alf.. Bem que isso aqui estava precisando de uma cara nova, mas ainda vou ajeitar umas coisinhas, assim que eu tiver um tempo maior, depois de chegar de Porto Alegre, terra tão quente, que fez do inferno praticamente um resort, meus caros. Isto é sério: do Iapoque ao Chuí, ali não é terra onde o vento faz a curva, pois ele passa longe. Inclusive, para saciar a saudade de uma carioca, conheci lá a Ipanema gaúcha, que não me trouxe atrativo algum para fazer comparações com a minha verdadeira praia de Ipanema. Fui para fazer uns exames da Força Aérea e voltei com o laudo de anemia, ou seja, meus próximos dias se resumirão a comer tudo aquilo o que eu julgava ruim e que supunha nunca colocar num prato de comida. E o triste adeus às batatas fritas, pelo menos até o próximo mês, quando refaço o exame. Legal, não?
Complicações à parte, meu lado insano aflorou-se ainda mais no psicotécnico, porque a única certeza que eu tenho é que surtei para responder as mais diversas e mirabolantes perguntas feitas pelo psicólogo. E tentar adivinhar a lógica de qüarenta relógios, num tempo de vinte minutos, colocou-me ao passo de querer atirar meu relógio em cima do primeiro indivíduo que me perguntasse as horas.
Enfim, enquanto tento terminar de ler "O Idiota" de Dostoievski (como eu gosto deste cara!) para começar "O Caçador de Pipas", entre trancos e barrancos vou suportando todo mês o tédio de passar uma semana em Canoas, no Rio Grande do Sul, além dos lanchinhos de sempre da GOL, também tenho de esticar as pernas um pouco fora desse micro para correr em volta do Maracanã, afinal, vem o temido teste físico pela frente e é preciso então, muito sebo nas canelas!


"Vida louca vida,
vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve"
Cazuza

sábado, 3 de março de 2007

Não trate por privilégio, quem te trata por opção!

A frase do título veio ao meu encontro através do Júlim Oliveira e no momento certo, pois estou com uma vontade irrefreável de mandar tudo aquilo o que me aborrece para o inferno. Mesmo porque, minha educação não me permitiria mandar, por exemplo, à puta-que-o-pariu. Infelizmente (ou felizmente), a gente aprende coisas com a vida e uma delas é a não esperar demais das pessoas, pois, de uma certa forma, elas vão acabar te decepcionando um dia. É assim que amizades vêm e vão e digo mais, nunca pensei que fosse dizer isso, pois nunca tive problemas com as minhas amizades, de certa forma, até muito longas. As minhas duas melhores amigas, são de infância, daquelas que corriam para apertar campainha da casa dos outros na rua e depois sair correndo, ou aquela outra que compartilhou a fase dos primeiros fulaninhos que ocupavam páginas de diário, de fato eu sei: sempre me dei muito bem com todas elas, mas acho que conforme o ciclo se amplia, as coisas não ficam e nem devem ficar bem. Por isso sempre digo que o pouco, vale muito. Assim como nunca fiz amigos bebendo combustível, sempre fui mais feliz quando estive na companhia de um, dois, no máximo três e não em bandos, onde não se pode nem ser ouvido e menos ainda, falar. Acho que estou numa daquelas fases de não saber bem o que pensar, quando as pessoas que você mais confiava não eram exatamente as que você deveria confiar. Mas estou nem aí, pois o que me conforta é saber que enquanto uma amizade se acaba, nascem outras dez, como vem acontecendo na minha vida.
Resolvi ser eu mesma, sabe, e não vou ficar mudando meus pensamentos só pra ter que agradar as pessoas, nem ostentar o que não tenho, menos ainda querer aparentar o que não sou: eu sou assim, transparente. Se não gosto, vou dizer. É uma pena que na maioria das vezes, ninguém está preparado para ouvir de verdade o que sentem a seu respeito. Bom, percalços do caminho à parte, estou indo para Porto Alegre novamente e só volto daqui há uma semana. Vai ser bom, ficar distante deste inferno astral um pouquinho. Melhor ainda é estar junto de pessoas que são iguais à você e que só usam máscaras para brincar. No carnaval.