terça-feira, 26 de junho de 2007

Quartel Geral

Existe uma grande diferença quando falamos de cidade grande e cidade de interior que vai muito além do tamanho, da quantidade populacional ou até mesmo das belezas encontradas. Percebo por exemplo, como somos tão medíocres ao pensar que os pontos turísticos mais belos encontram-se em grandes metrópoles, onde se localizam verdadeiros monumentos ditos conhecidos em todo o mundo. Eu dispenso. Prefiro a beleza de uma cidade pequena. Nem precisa ir muito longe para descobrir verdadeiros paraísos por esse Brasil afora. Minas é um exemplo. Ontem estava vendo uma reportagem sobre uma cidade mineira chamada Quartel Geral (não é General!). Curiosa não só no nome, que já vem carregado de história, de uma época onde os diamentes eram descobertos e garimpados nas regiões mineiras, Quartel Geral reserva um cuidado natural que encanta pela humildade.

Regada pelo cuidado dos própios habitantes, que não chega aos quatro mil, Quartel Geral fica no centro-oeste de Minas Gerais e possui uma lagoa natural de 4km2 que atrai os visitantes da região. Agora veja bem aonde quero chegar: lagoas limpas, onde podemos ver crianças dando mergulhos, não é exatamente a espécie de lagoas que encontramos nas grandes cidades. Pontes então passa a ser a maior ironia, quando sabemos que em qualquer lugar do mundo, uma ponte é razão de ponto turístico, exceto no Brasil, onde ponte é sinônimo de horror, sinônimo de morada aos que não tem teto e perigo à noite para os motoristas.

Sempre que assisto alguma matéria de divulgação cultural de pequenas cidades, fico me lamentando ao perceber que nós, que residimos em grandes capitais, não temos o menor cuidado em preservar o ambiente que usufruímos para viver, o mesmo ambiente que servirá para as gerações futuras oriundas de nós mesmos.

Sei que isso é um assunto pra lá de batido, uma coisa que já estamos carecas de saber, mas é por essas e outras que detesto aquele sensacionalismo todo em cima da população carente que perdem suas casas em torrenciais enchentes de sujeiras ou até mesmo dessa polêmica toda acerca do futuro ambiental do planeta. Afinal, todos acham mais fácil despejar o lixo no rio mais próximo (vide Tietê e demais "primos"), no valão da esquina ou no lixão lá do terreno baldio. E são essas paisagens que iremos apresentar aos turistas nessa chegada do PAN, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, moldados por uma falsa beleza dos cartões-postais, quando toda a cidade disputa há muito tempo modalidades dignas de PAN, como "tiro ao alvo" e quem sabe "assalto à distância".

Viva às cidades do interior e a tranquilidade de ainda poder dormir de janelas abertas, de poder tomar banho de rio e andar sem medo à noite pelas ruas, até que as descubram, algum dia.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Registros de W.C.

Está lá, exposto na portaria do mural do meu edifício: um aviso quase em letras garrafais de que algum indivíduo jogou algo de tamanho superior ao permitido, no vaso sanitário, entupindo o cano de esgoto e causando um estrago incomensurável na coluna de apartamentos contrária à minha (ainda bem).

A vítima maior foi uma senhora do segundo andar, que ao puxar a descarga, teve todo o seu banheiro inundado de (...). É, isso mesmo. E é desta forma, com três pontinhos que foi registrado pelo síndico numa circular colada ao lado dos elevadores. Inundado literalmente de merda de todos os andares. Dez andares acima dela.

A coisa em si não parou por aí. A privada da mulher do segundo andar transbordava tanto esgoto que toda a sua casa ficou imunda, assim como o corredor do seu andar, causando estrago até mesmo no elevador, quando o líquido pútrido invadiu o vão da porta. E fico imaginando o super agradável odor de tudo isto...

A coisa só parou quando foi descoberta a culpada de tanto estrago: uma fralda de bebê. Exatamente. Algum morador sem noção nenhuma de que é impossível passar uma melancia por um buraco onde só passa um limão, jogou privada adentro uma fralda descartável e puxou a descarga. Uma fralda grande. Quiçá GG. Não me pergunte como é que aquilo conseguiu descer, mas desceu. E levou junto com ela, dez andares fecais para o pobre apartamento do segundo andar.

Depois dessa, aprendi uma lição para vida toda: como morando em sociedade você sempre vai ter reflexo também daquilo que os outros fazem, se quer morar em prédio, escolha sempre os andares mais altos. Assim, evita-se qualquer surpresa desagradavél até mesmo na hora de usar o seu tão limpinho banheiro.