quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Antes de 2009

E é claro que 2008 deveria ser fechado com chave de ouro, a não ser por pessoas hipócritas que ainda teimam em acreditar em seus próprios brios (leia-se caixa de comentários do post anterior). Então, quando o nível de falta de inteligência alheia chega a atingir índices extratosféricos, é hora de falar alguma coisa.


Perseguidores: Eu não sei o que vocês pretendem, e também não quero saber. Eu não sei quem são vocês, e também não quero saber. Eu não sei o que vocês querem dizer, e também não quero saber. Peço, no entanto, que vocês arrumem algo melhor para fazer da vida, já que deixar comentários anônimos e idiotas em blogs é coisa de quem não tem o que fazer.



Enquanto isso, na vida real...

* Meu trabalho na Academia da Força Aérea na parte dos diplomas continua intenso. Isso deve piorar com a chegada dos cadetes em 2009.

* Minha vida na pacata Pirassununga e a saudade do RJ e BH também continua e essa não deve mudar muita coisa nos próximos anos.

* Meu dinheiro continuará sendo gasto em muita bobagem, afinal, ele é meu não é ?

* Em 2009 saberei o sexo do meu sobrinho (ou sobrinha) e isso facilitará muito a escolha da cor das roupinhas, afinal, o pseudo-indivíduo já tem um bom enxoval verde-amarelo, brasileiríssimo.

* Em 2009 continuarei viajando muito. Próximos roteiros para Janeiro: Belo Horizonte e Hopi Hari (SP). Mas que Julho aguarde as minhas férias...!

* Em 2009 também sei que pessoas frustradas (para voltar ao assunto do início do Post) ainda existirão na face do Planeta Terra (e eu só não as cito aqui por educação - coisa que falta na vida delas). Sei também que nada que eu faça ou tente fazer poderá mudar a cabecinha medíocre dessa gente, apenas acentuar a raiva mesquinha e equivocada delas. Mas quer saber? Isso tem sido muito bom para mim. Afastei-me de gente que não servia para se procriar amizade e estou aprendendo a lidar com indivíduos que não enxergam nada além do próprio nariz.

Bom, para finalizar, desejo boa entrada de ano aos leitores deste blog, boas festas, comemorem com saúde e aproveitem o feriado porque depois do dia primeiro começa tudo igual outra vez. Mas um pouquinho de pensamento positivo ajuda...


E para os cariocas (ou não) que forem comemorar em Copacabana como eu, bastante prudência!



Volto em 2009!

Em Tempo: Os comentários deste blog passarão a ser moderados (pois não posso evitar malandragem cibernética enquanto viajo o tempo inteiro), mas não apagarei os comentários ridículos do post anterior, a não ser que os próprios autores façam isso. E por razões óbvias, mais uma vez mudei nome do Blog. Assim não há criatividade que resista...


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Noite Feliz

Então é Natal... Outra vez! Meu primeiro Natal como militar, meu primeiro Natal com dinheiro, meu primeiro Natal sabendo que no próximo meu sobrinho (ou sobrinha) terá nascido, meu primeiro Natal cheio de novidades e também cheio de mesmices como o mesmo chester de sempre, as mesmas rabanadas, as mesmas músicas depressivas, a mesma sensação de alegria misturada numa atmosfera de confraternização. Na minha casa só faltou mesmo a árvore de natal, que já não é mais montada desde que eu e minha irmã deixamos de acreditar em Papai Noel, embora ainda exista o espírito comercial bastante presente em nossas vidas.

Então é Natal... Dia de trocar presentes, comer e beber a noite toda, mas sem esquecer o verdadeiro significado dessa data. Afinal, dor de cabeça após verificar o saldo da conta bancária só depois do Reveillon... E se o saldo for negativo, pelo menos faça o saldo das festas ser positivo (e agrade seus chefes com presentinhos, isso pode valer o ano todo!).


Boas comemorações natalinas para os leitores deste blog!


sábado, 13 de dezembro de 2008

O Peixe Roncador*

"Há tanto tempo que eu deixei você
Fui chorando de saudade
Mesmo longe não me conformei
Pode crer
Eu viajei contra a vontade..."
(Roupa Nova - A Viagem)



Saudade é assim: a gente só entende quando não tem mais a certeza dos que são queridos por perto. Bastaram três dias na cidade de Pirassununga, SP, para que eu entendesse que família, por mais estranha que seja, nunca é tão estranha quando fica longe. Fazem quase cinco dias que voltei para o Rio de Janeiro e nunca dei tanto valor a pequenos momentos curtidos junto com as pessoas que dividi os vinte e quatro anos da minha vida. Domingo é dia de viagem, dia de enfrentar quase noves horas num ônibus que me distancia de quem amo, distancia-me do conforto e da segurança caseira para me atirar na ingrata vida militar, não mais ingrata por saber que eu mesma a escolhi.

Nos poucos dias em que estive na cidade de Pirassununga (minha futura moradia pelo menos nos próximos quatro anos) pude perceber que estive aterrorizada (vide post anterior) à toa. É evidente que a cidade não pode sequer ser comparada a uma vida carioca (embora tenha até uma estátua de Cristo Redentor na entrada da cidade), mas é confortável. O comércio local no centro de Pirassununga não é contestável. Encontra-se nele até mesmo as Lojas Pernambucanas, cuja qual não vejo mais desde minha tenra idade.

Sorveterias aos montes, uma em cada esquina. Bares, restaurantes, ponto turístico como Cachoeira das Emas (ainda que eu tenha tentado procurar atrativo lá e não tenha encontrado), vale a pena pelo passeio. Uma praça com coreto, igreja, mercados, faculdades e meu trabalho na Academia da Força Aérea, ocupando uma área muito maior do que a própria cidade.

O único problema que encontrei em Pirassununga foi a distância de alguns lugares (principalmente de onde moro até a Academia). Muitas ladeiras e a necessidade iminente de se comprar um carro. Afora isso, a cidade do interior de São Paulo que fica nas proximidades de Ribeirão Preto, não é tão feia como pintam ou pelo menos, como pintaram para mim. Acredito que conseguirei sobreviver aos próximos poucos anos que vêm pela frente, ainda que meu coração sofra por estar longe do Rio de Janeiro (apenas pela família), por não estar montando residência na capital mineira dos meus sonhos, apenas por saber que onze horas da noite eu posso sentar fardada no Bigode Lanches e pedir uma porção de "fusquinha" (leia-se batata-frita) sem me preocupar em ser assaltada. Tem coisas que realmente eu ainda não estou acostumada !



*Pirassununga é uma expressão tupi que significa peixe roncador. Este nome foi dado por causa do fenômeno da piracema: todos os anos, em dezembro, os peixes sobem o rio Moji-Guaçu para a desova e, no esforço para nadar contra a correnteza, emitem sons semelhantes ao de um ronco.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Nada é tão ruim que não possa piorar ou Alguém tem um trevo aí ?!

“A vida tem horas difíceis pra gente passar
Pedaços quase impossíveis pra se entender... “




Algumas considerações merecem ser feitas antes que eu retorne oficialmente do longo hiatus que habitou a vida deste blog no ano de 2008. Data do último post: 25.05.08, um pouco antes de eu ingressar na Escola de Especialistas de Aeronáutica, em Guaratinguetá, SP e passar longos seis meses em uma rotina dura, corrida e cansativa, o que fez afastar-me deste caderno de rascunhos.

Entretanto, o tempo passou e com ele, o curso também. Formei-me então, há pouco mais de dois dias, em Terceiro-Sargento da Força Aérea Brasileira e nem por isso estou dando pulos de felicidade e contentamento, embora devesse ser exatamente esta a minha atitude e sentimento.

Sabe quando a vida da gente tem tudo para melhorar e de repente você se vê como aqueles desenhos animados, caindo de um penhasco, totalmente sem chão? Pois é exatamente assim que ando me sentindo...



Para início da minha tristeza, após desejar intimamente servir em Belo Horizonte, fui transferida para Pirassununga, interior de SP, cidade-bunda, com perdão de todos os pirassununguenses. Se o mundo tem cu, não tenham dúvidas, esse lugar é lá. E lógico que estou indo contra a minha vontade (a vontade é apenas de desistir) e quase me matando internamente por ter deixado escapar Brasília dos meus dedos, quando pude optar entre as duas cidades.

Entre o desespero de saber que passarei pelo menos os próximos quatro anos de minha vida no círculo anal paulista e a quase certeza de que dividirei o mesmo quarto com pessoas insuportáveis para mim, descubro que irei ser tia. Isso até poderia ser uma ótima notícia, a não ser que sua irmã seja solteira, tenha vinte anos, nunca tenha trabalhado e o pai não seja qualquer um espertalhão que você nunca tenha visto mais gordo.


Em tempo, esclareço aos meus antigos leitores (se é que ainda visitam essa bagaça aqui), que o blog mudou de nome e endereço por motivos pessoais do tipo: pessoas que lêem essa página e não deveriam, mas não deveriam mesmo, ainda que eu saiba de antemão que corro esses riscos ao publicar meus pensamentos na internet. Mas, como seguro morreu de velho e de guarda-chuva...

Parafraseando Murphy, onde nada é tão ruim que não possa piorar, eu espero sinceramente que em Pirassununga exista cobertura para o uso de banda larga móvel, senão esse blog passará por mais um longo (e talvez eterno) período de seca...

Alguém poderia me explicar como uma carioca de coração mineiro conseguirá sobreviver sem Shopping, sem cinema, sem teatro, sem praia e sem tantos “sem” a mais?



domingo, 25 de maio de 2008

Esquadrão Prata

Durante muito tempo fiquei pensando o que diria quando chegasse o grande dia. Na verdade, pode até ser que eu não acreditasse realmente que ele fosse chegar. Mas costumam dizer as más línguas, que quando a gente deseja muito uma coisa, ela acaba acontecendo (e por isso devemos ter muito cuidado com aquilo o que se deseja!). E não foi diferente comigo. Aconteceu, sim.Está acontecendo. E eu simplesmente não pensei em nada para dizer, tampouco um texto bonito como deveria ser.

Então pensei que na verdade este texto não tem que ser bonito, não. Na verdade ele não tem que ser nada. Apenas eu. E é por isso que este blog ficará pelo menos os próximos quarenta dias em Hiatus, descansando de tantos pensamentos confusos, pois estarei ingressando na Escola de Especialistas de Aeronáutica.

É preciso dizer que eu não somente desejei, não. Corri muito atrás também. E às vezes, outras pessoas correram atrás por mim. Então, decidi que este post seria também para elas, para todas as pessoas que fizeram parte – direta e indiretamente – desta conquista.

Algumas delas me deram força, outras me deram a coragem, outras me deram o material de estudo, o incentivo, a preparação física, outras me deram um pouco de tudo o que já foi citado e Ele, que me deu a Fé. Prefiro não dizer o nome de todo mundo, pois não quero correr o risco de esquecer alguém. Mas tenho certeza que todas essas pessoas sabem que lhes falo, pois chegaram até aqui de alguma forma!

Durante muito tempo fiquei pensando o que diria quando chegasse o grande dia. E ele chegou. Sei que não vai ser fácil, que a minha vida vai mudar radicalmente, que se acabaram os dias de soneca na Sessão da Tarde, de joguinhos na Internet, de comida da vovó, de torcida nos jogos do Botafogo, de noites mal dormidas e manhãs bem dormidas. Tudo será trocado por toques de corneta e marchas sem fim. Ordem Unida, acampamentos, canções, camuflagem, treinamentos, a balalaica...

É... fácil não será, mas ninguém disse que seria. O importante é que vai valer à pena. E eu vou fazer valer, isso eu sei.


Até breve! Selva! Brasil!


”Quando passa uma asa altaneira
Sobre o céu, sobre a Terra e o mar
Devorando o espaço ligeira
Nós sentimos orgulho sem par...!”

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Empty City

Acordou estranha naquele dia. Fazia muito frio. Olhou pela janela do seu apartamento, o dia estava cinza, o ar gelado. Não havia ninguém nas ruas. Vazio absoluto. Olá-aaaaaa, gritou para que pudesse ser ouvida. Nenhum barulho do outro lado. Gritou novamente. E, outra vez, obteve o silêncio como resposta.Vestiu apressadamente um grosso casaco vermelho e nem se lembrou de comer alguma coisa.

O despertador havia parado às três horas da manhã. Não havia luz na casa, não sabia que horas eram, mas pressentia que deveria estar atrasada, muito atrasada. Desceu as escadas num só fôlego e chegou ofegante lá embaixo, depois de encarar sete lances. Após recuperar a respiração, colocou-se a caminho do centro da cidade, a pé mesmo, pois não havia ônibus, nem táxis, nem mesmo alguém que passasse numa simples bicicleta. Na verdade não havia nem uma única alma viva.

Enquanto caminhava, se afogava em pensamentos. "Todos devem ainda estar dormindo, houve um black-out geral, nenhum despertador tocou, ninguém amanheceu, por que chegarei ao trabalho se meu chefe ainda deve estar em casa no mais profundo sono? Aliás, por que é que eu estou tão preocupada com o meu trabalho se o mais preocupante é esse dia ter amanhecido tão esquisito? E se o mundo tiver acabado? Terão todos morrido? Serei a única sobrevivente?"

No meio do caminho, parou. O frio estava insuportável. Apertou os braços contra o peito e resolveu voltar. Um vento forte desgrenhava seus cabelos e sacudia com ferocidade as árvores da rua, fazendo à sua frente surgir um redemoinho de folhas amareladas e secas. Com muita dificuldade, conseguiu retornar os três quarteirões que já havia andado. Entrou no seu prédio, tomou coragem para enfrentar os sete lances, subiu. Largou a bolsa no sofá e estirou-se na cama, olhou para o teto, olhou a sua volta. Estava perdida. Estava só naquele mundo gigante. Não havia mais ninguém. Nem como se desesperar.


Não se sabe quanto tempo ficou ali, pensando, até que adormeceu. Quando voltou a acordar, olhou para o relógio, completamente atrasada para o trabalho. Lembrou-se de que o mundo havia virado um grande vazio absoluto, que agora a pouco andava perdida no meio do nada. Voltou a tentar pegar no sono. Dormir, talvez, seria a salvação. Quando estava preste a adormecer pela segunda vez, uma buzina feroz pôde ser ouvida lá da rua. Num só ímpeto levantou-se e abriu as cortinas. Um sol quente brilhava anunciando o dia. Lá embaixo as pessoas se movimentavam no furor de pleno... Meio-dia!


Meio-dia?!


Saiu apressadamente. Esqueceu-se do elevador. Desceu as escadas num só fôlego e chegou cansada lá embaixo, depois de encarar sete lances. Após recuperar a respiração, chamou o primeiro táxi que passou na sua frente. Entrou esbaforida. Destino: Centro da Cidade! Encostou a cabeça no banco. – Meu Deus, que sonho maluco, como vou chegar agora, essa hora no trabalho?

Concentração. De repente sentiu um súbito calor no seu corpo, estava suando. Percebeu que vestia um grosso casaco vermelho. E, preso nele, uma pequena folha amarela e seca desgrudou e caiu no banco no carro.


- Pois quem é que nunca se atrasou por coisas estranhas e involuntárias que acontecem pela madrugada? Quem é que inventou que todas as desculpas são esfarrapadas?





sexta-feira, 16 de maio de 2008

Será?


E assim foi julgado. Sem saber o porquê. Sem entender as razões. E será que elas, as tais razões, existiam? Na cabeça de quem julgava, sim. Havia mil explicações. Algumas delas simples, curtas, diretas. Outras complexas, tediosas, difíceis. E ali, parado, apenas ouvia. E continuava sem entender. Será que era isso mesmo o que diziam? Será que era impossível interpretar a profundeza daquele olhar? Será que não existe um dia após o outro dia? Será que...

... Ninguém percebia?

E assim foi condenado. Ignorava a defesa, não conhecia bem as palavras. Elas separavam-se muito bem nos pensamentos, mas ficavam presas na garganta, sendo obrigado a degustá-las uma a uma. E suportava pacientemente, enquanto um turbilhão de desaforos brotava na ponta da língua. E ali ficavam, sem sair. Novamente conhecia o sabor amargo de engolir suas próprias verdades. Será que isso mudaria um dia? Será que reconheceriam seu talento? Será que depois do inverno, não surgem flores na primavera? Será que...

... Haveria chances de provar quem era?

Entender. Era somente isso o que fazia. Sempre entender as razões pelas quais o julgavam. Para todo o mundo inteiro existiam tempos difíceis. Para ele não poderiam existir dificuldades.Tentava compreender que deveria ser benevolente e nadar contra a correnteza de imperfeições do mar que o afogava. É bem verdade que às vezes não conseguia, mas tentava. E isso já era muita coisa, pois nunca o tentavam entender e era justamente isso o que ele tanto buscava: um pouco de compreensão. Será que era possível? Será que não era muita utopia? Será que...



... Alguém o compreenderia como ele fazia?

domingo, 4 de maio de 2008

A Pedra mais Alta

Não, assim não podia ficar. Era preciso conter as rédeas. Era preciso saber onde terminava a tênue linha que separa a razão e a emoção. Era preciso saber o que ele fazia ali, naquela pedra mais alta. Era preciso saber tanta coisa...

Dentro de si, turbilhões de pensamentos jorravam através de lágrimas incontidas. Ele parecia tão pequeno de cima da pedra mais alta e ao mesmo tempo tão dono de uma imensidão quase infinita...

E pensava no final. Feliz ou não? O vento estava forte, seria tudo tão rápido e tão intenso como coisa de filme. Fácil, não ? E pensava também em quantas coisas deixava para trás, embora não soubesse muito bem que coisas eram essas, afinal eram coisas que o perturbavam de tal maneira que se encontrava ali, em cima da tênue linha que separava a razão e a emoção.

Então mais um passo. Para frente. O medo fica maior de cima da pedra mais alta. Agora faltava bem pouco, podia perceber que seu corpo inclinava. Ali de cima, via todas as vidas que se movimentavam lá embaixo. Via o sol, o mar agitado abaixo dos seus pés, tão cheio de perigos e ao mesmo tempo, espelho do céu. E a viu. Enxergou-a sorrindo lá de cima. Contemplou teu ar, teu movimento... um sonho.


Então mais um passo. Dessa vez para trás. Bem sabia da sua dificuldade na terra, mas que graça teria se fosse tudo tão perfeito? Tudo fica mesmo confuso ali de cima !

Outro passo. E mais outro. Afastou-se o quanto pôde da tênue linha. Estava seguro agora. Ia descer, ia embora, queria ela inteira e a sua metade de volta.


Parou. No rosto, o suor e o desespero. Parou. E então percebeu o quanto estava longe. Tão longe que sentiu falta da imensidão toda aos seus pés. Juntou todas as forças que podia com toda a vontade que tinha e correu para onde estava. Correu na direção da pequena linha. E saltou.

- Vou mergulhar, talvez bater a cabeça no fundo, mas vou nadar junto com a sereia bonita, todos os mares do mundo...!



(Inspirado na Trilha Sonora de O Teatro Mágico)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

E é só o começo...

Existem alguns momentos da vida da gente que gostaríamos muitíssimo de ter estado com uma câmera fotográfica nas mãos, para que pudéssemos tê-los registrados para a posteridade, para o deleite dos futuros e prováveis filhos, para o deleite dos futuros e prováveis netos e para o deleite de nossa futura e solitária saudade.

E então, a espera. Chá de paciência agonizando os dias, tornando-os lentos demais para suportar o terror das horas que lentamente cumpriam sua marcha. Depois a tensão e o medo. Medo terrível de terminar sozinho, medo mesmo que o medo matasse... antes que chegasse o dia.

A luta. O suor derramado, o medo ainda estampado e a vontade inerente de vencer, apenas... Vencer. E quem foi que disse que não se consegue tudo aquilo o que se deseja ardentemente? Tudo aquilo que se tornou motivo de existência?

Depois de todo o cansaço, acabados, ali, quando todos se abraçaram e num grito uníssono bradaram a vitória, eu pensei: ninguém me disse que seria fácil, aliás, não foi nem um pouco fácil, só me disseram que valeria a pena.

E naquela roda de sorrisos, entre gritos, pulos e giros, eu percebi que realmente valeu. E a minha vida está apenas em seu preâmbulo. Um tímido prefácio.

Única foto do dia mais incrivel da minha vida, teste físico da Aeronáutica, última etapa que dá início a uma eterna ralação...


sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ser resistente... para quê?

Foto: CIAAR


Pânico. É exatamente o que eu sinto a cada vez que penso que tenho apenas um mês para conseguir manter-me durante dez segundos em cima de uma barra em pronação. Se não consigo nem mesmo permanecer um segundo nela, pode ser desesperador pensar em como dez segundos podem se tornar uma eternidade. Além disso, exercícios altamente criativos como flexões, abdominais, saltos e corrida, esperam por mim em abril como teste de aptidão da Aeronáutica. E eu, mera mortal que curtia o marasmo dos dias em frente ao computador, precisei enfrentar a dura rotina de uma academia. E sinceramente, espero que isso tudo venha a valer a pena no final, porque por enquanto, a barra ainda habita meus mais temidos pesadelos e tem tirado o meu sono (além da inspiração de postar coisas mais criativas)! Por essa razão e por achar que meus braços são assim tão fraquinhos, dicas e apoios morais são bem vindos.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

São João Nepomuceno

Uma pausa nos contos nossos de cada dia para falar de um lugar que conheci esses dias. O santo checo Ján Nepomucký, patrono contra as calúnias, foi agraciado por volta de 1800, com a fundação do município São João Nepomuceno, alcunha em sua homenagem, por fundadores devotos, localizado na Zona da Mata Mineira.

Conhecida também por Nepopó, a cidade onde meu pai viveu uma parte de sua infância e o local que passei a conhecer e também a admirar e respeitar, parece perdida num espaço qualquer do tempo, sem a pressa comum de tantas cidades em expansão, sem a efêmera e ilusória pretensão de achar que a globalização é o centro do mundo.

Essa semana estive nessa roça urbanizada ou seria cidade urbana pouco desenvolvida? E, para quem sai do Rio de Janeiro com destino à localização, ainda pode dar uma espiada em cidades como Juiz de Fora, Bicas (e parar para comer pasteizinhos de 0,60 no “Bar do Pedro”), Rochedo de Minas e Roça Grande, localidades vizinhas. São João não tem explicação!

Praças e seus bancos, clubes, bicicletas, casas coloridas, a Igreja Matriz, escolinhas com janelas abertas para rua, muitas subidas e descidas em ruas de pedras estreitas, caracterizam o clima amistoso desse lugar que lembra cenas de filmes antigos ou aqueles sonhos mais íntimos de uma tranqüilidade que não se encontra dando sopa por aí. E sei que existe mais por lá que eu não vi. Muito mais...!

Com seus recursos oriundos diretamente do pólo de confecções, o município produz quase um milhão de peças de roupa por mês, onde cerca de 60 mil são exportadas. Mas, mais do que fazer roupas, São João quer entrar no calendário da moda brasileira. Em abril do ano passado, realizou o seu primeiro desfile, o Fashion Mix.

Para quem gosta de Carnaval, motivos não faltam para curtir a região, uma das mais requisitadas como programação no feriado brasileiro mais apreciado. Além disso, exposições agropecuárias, a Pracinha do Coronel, que está no caminho de ida ou vinda de todo habitante de São João, a característica hospitalidade mineira, uma volta ao tempo e um mergulho na história dessa cidade que revelou grandes nomes no futebol, como Heleno de Freitas, valem a visita.

Bom, São João Nepomuceno é mais ou menos isso. Mas sua magia, seu mistério e sua energia eu não posso passar para os meus leitores virtualmente. Isso são coisas que só quem conhece pode dizer! E São João espera por você!!!! Não visite somente aqueles lugares concorridos pelas folgas do dia-a-dia. Descubra Minas, terras de culturas mil!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sessão No meu tempo...

Eu me lembro até hoje da sensação de sentar-se na cadeira escolar que era quase o dobro do nosso tamanho, olhar para o quadro negro e imaginar a vida da professora. Será que ela gosta de crianças? Será que tem filhos? Será que tem bom humor? Será que vai com a minha cara? Será que vive como a gente vive?

Bons tempos são esses de escola. Tolas e imaturas preocupações. Pueris imaginações. Mundo novo que se vai descortinando aos poucos, apaixonadamente. Números que assustam. Palavras que encantam. Cheiro de merendeira que carrega Mirabel e suco de groselha que mancha a camisa do uniforme. Uniforme que chega branco e sai como se todas as crianças tivessem dado uma volta por todos aqueles lugares que a professora de História do Brasil contou, por todos os países mais distantes que a outra Tia de Geografia as fizeram conhecer. Estojo que cheira a giz de cera e cola colorida. Rostos presenteados com pequenos brilhos de purpurina que não saem nem no banho. Franjinhas grudadas na testa suada. Dever de casa. Camisa pichada no final do ano. Hora da saída com muita correria pelas ruas, mães enlouquecidas e a velha pipoca, vendida todo fim de tarde pelo velhinho da porta da escola. O passeio ao Jardim Zoológico, ao Jardim Botânico, o medo das plantas carnívoras e o pé de feijão plantado num copinho de café com algodão.


A tarde que saiu mais cedo, o menino que abriu a testa, a troca de figurinhas e a moda ter aquilo e aquela outra coisa também porque todo mundo tem. Pesquisas sobre os planetas, na época que Plutão ainda existia, com bolas de isopor pintadas a guache durante a tarde toda, mas nenhum trabalho acerca do medo do fim do mundo e nem mesmo dos efeitos da falta de água, essa que fazia parte dos banhos de mangueira das férias de verão. Ah !

Chega você agora e diga que não era bom. Eu duvido que as lembranças não sejam boas. A gente toda tem saudade dessa vida que nem parece mais possível para ninguém. As escolas não são mais iguais, os tempos não são mais os mesmos e quanto mais ele passa, mais sinto falta de uma época feliz, incrivelmente feliz.

O mal é que apenas sentimos...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pensando...

A vida é mesmo uma merda. Mas de um jeito muito bonito...

Então ficamos assim, perdidos nesse vácuo absoluto que não nos deixa pensar em outra coisa.
Mesmo porque não teria graça se fosse tudo tão fácil.

Na verdade teria. Teria sim.

A receita é:
Fogo baixo e muita paciência.
Muita.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Psicodoido

Hoje precisei fazer uns exames psicotécnicos na Aeronáutica e, durante a projeção de imagens que mais pareciam borrões, numa delas eu disse que vi um frango assado.

Será que não sou normal?


Medo.

E o barquinho a deslizar...

Para onde será que vai aquele aviãozinho de papel levado pela ventania? E aqueles outros barquinhos feitos do mesmo jornal, para onde navegam? É aqui de cima da minha janela, o lugar onde posso ver o destino de todos eles. Saem bem trabalhados das mãos das crianças que, com suas botas e capas de chuva, brincam sem medo de se molhar. Medo têm os adultos. E eles ainda esbravejam quando elas passam pulando as poças, esguichando água para todos os lados. Ficam irritados com tamanha alegria. Não entendem como podem se divertir com tanta aguaceira, pois nas suas épocas (sempre as suas!) tinha-se muito medo de trovoadas e dos móveis de São Pedro. Devia ser móveis gigantes para tanto barulho! Mas elas não ligam e ainda acham graça em como desperdiçam jornais para tentarem cobrir suas cabeças.



Quanto desperdício! Dava para fazer tantos outros aviões e embarcações. Pois não é que eles também acham desperdício tantas tropas de papéis? Impedem a brincadeira, pedem para entrar, esquecem que um dia fizeram parte da mesma infantaria, trancam-nas dentro de casas sem luz, sem poças, sem risadas, sem exércitos inteiros de jornais. Uma trégua na batalha que só termina debaixo do sol do dia seguinte, quando o glamour dela estava nas trovoadas, nos relâmpagos, na ventania e em toda aquela gente correndo, se esquivando do temporal. Não tem a menor graça olhar daqui de cima as casas com pequenos vaga-lumes, velas acesas para amenizar a escuridão. E dentro delas, comandantes desolados, olhando aflitos para as esquadrilhas de papel que iam sendo levadas pela correnteza. Não há mais aviões, não há mais navios, não há mais como presenciar uma batalha naval e aeroespacial. E agora? Velas, escuridão, silêncio, trovoadas... Eu as vi: batalha medieval!




Enquanto isso, nós continuamos a reclamar da chuva...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Além do Céu Azul

- Que nojo! Urubus! São muitos deles, negros como a noite em plena luz diurna. Voam em círculos, pássaros acrobatas, parecem mirar alguma coisa lá embaixo, é tão engraçado... Sou capaz de saber que aquele maior conduz todo mundo e diz: “Subamos, subamos além deste céu azul! Além de todas as nuvens, de todo o infinito, sempre acima, além dos astros!” E os outros, apenas subalternos, obedecem cegamente a estas ordens como se fossem mandamentos divinos. Brincam em revoada, balé negro do infinito azul. Tudo neles poderia inspirar poesia, mas a dança do espaço previu um espetáculo dos mais competidores.
Era tudo cerimônia, tudo! Lá embaixo...
A Ceia. Urubus... Como eles parecem toda esta gente!

E eu que pensei que eles só pulavam carnaval...





Curiosidade Em OFF: Urubus não diferenciam carne animal ou humana. Comendo a carne de animais mortos, faz um grande bem ao ecossistema evitando a disseminação de doenças. Segundo informações colhidas, ao se tratar de carne humana, a primeira parte que ele come é a genitália, onde ele consegue furar e adentrar o organismo para comer o restante.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Adeus Mês Véio


- Vá, vá com Deus, Janeiro. Nem te vi passar, mas o que senti do teu peso foi uma experiência que irei guardar. Você morre aqui e eu apenas estou nascendo e despertando para a vida. Obrigado, Janeiro, deixaste uma lembrança cuja qual a eternidade dos meus dias (até quando eles me forem eternos) não poderá mais apagar. Não existe borracha para a escola da vida, apenas lembranças e borrões, quando tentamos apagar aquilo que queremos renunciar. Agora tu és apenas uma morta folha de calendário, tuas futuras gerações viverão outros verões que não serão iguais ao verão que eu vivi. Vai-se Janeiro e deixa-me teu legado, alegria última de tua majestosa despedida e célere passagem neste ano que promete frutos da tua existência. Pois que se tu não existisses, impossível seria acreditar que outras folhas deste mísero calendário pudessem ser preenchidas com as cores das estações.




- Vá, vá com Deus, homem do Homem. Sou apenas uma folha que vai morrendo ao passar das horas enquanto nasce um primo cheio de festividades e cores. É sempre tudo igual, quem muda são vocês, os quais pintam as próprias estações. E não se esqueça...


Muitos outros verões ainda virão.





terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pra não dizer que não falei das flores

Muito tem se falado a respeito dessa nova edição do BBB 8 e eu não quero chover no molhado acerca do mesmo tema em que algumas dezenas de blogs já se infiltraram. Preferi me calar até então, deixar passar o alvoroço de toda re-estréia, mas dessa vez me rendi ao assunto, pois é preciso que se reflita com atenção a algumas mudanças extraordinárias que percebi ao longo dessas semanas de confinamento.

É sabido que alguns participantes fumam, porém, diferentemente das edições anteriores que a fumaceira comia solta, por motivos os quais não sei, mas imagino o porquê, os episódios têm sido editados de tal forma que o senhor cigarrete ficou relegado a segundo plano. E não me refiro aos assinantes de Pay-Per-View, mas na edição normal do programa, não vi em momento algum, qualquer cigarrinho aceso que fosse dando o ar de sua graça (mesmo que eu o ache absolutamente sem graça).

Bial é outro que tem demonstrado sinais de completa intolerância com os erros alheios. Diferentemente daquele apresentador que mais parecia um pai passando a mão na cabeça dos filhos, nesta edição mostrou-se mais carrasco quando as regras estão em jogo. E, se brasileiro gosta de um bom motivo para assistir Big Brother Brasil, depois de tantas edições sem perder a graça, não meço linhas ao dizer que o atrativo desse são as pequenas monstruosidades e privações cujas quais são submetidos os participantes. Afinal, o povo já cansou de ver festas e boa vida o tempo todo, né? Para ganhar essa bufunfa toda é preciso sofrer um pouquinho!

Enfim, se o Reality Show resistir a mais novas futuras edições, preparem-se: minhas previsões revelam um programa ecologicamente correto com tendências masoquistas. Depois desta edição, confesso que até eu teria medo de me inscrever para o próximo!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Sala de Espera

Silêncio. Nada mais que o absoluto silêncio de uma sala fechada. Espera. A demorada espera. Minutos que pareciam horas. Lá dentro, depois daquela porta, o julgamento. Do lado de cá, ainda a espera. O lado de lá guarda a chave da redenção ou a chave do cadafalso. Na sala fechada, apenas o sombrio silêncio de um olhar que ainda aguarda com um fiapo de esperança. Cabeça cheia de mil pensamentos, anos de vida passando como um filme cujo final feliz era a libertação.

De repente, um ranger. A porta do lado de lá se abriu. Pernas bambas, suor escorrendo, a sentença cruel ou a salvação. O fim ou o começo de todos os devaneios e promessas de que viveria cada dia como se neles fosse dar o último suspiro. Chegou mesmo a acreditar que seria possível viver cada segundo de sua vida tão feliz que, ímpetos de alvoroço lhe subiram pelo corpo e desejou poder voltar ao tempo para fazer tudo diferente.

Enquanto os dias anteriores ao julgamento passavam, as poucas horas que lhe restavam de vida foram consumidas em bebidas, carnes, cigarros. O que importava preservar a boa saúde agora? Que se danem as propagandas! O prazer mórbido era tragado como lenitivo e quem sabe, uma conformação com o fim próximo. A esperança –confessa - não era a mais fiel das companheiras nessas horas.

A resposta estava ali, parada na sua frente. Sua sentença seria pronunciada pela voz de alguém que nunca viu, mas alguém transparente demais para deixar escapar um certo prazer em decretar decapitações. Será que a cabeça, mesmo depois de cortada é capaz de saber o que lhe aconteceu nos três segundos posteriores? O que lhe passaria pela mente quando ouvisse o arranhar final da guilhotina? Sádicos pensamentos domaram seu espírito. Era preciso coragem para receber a sentença ou seria morto pelos próprios pesares.


Aqueles segundos pareceram intermináveis. Era se como cada palavra que antecedia a sentença final fossem as palavras mais compridas do dicionário. Será que não se poderia abreviá-las? Para que fantasiar tanto um ato nu? Ouvia cada uma com a máxima atenção, já percebendo de antemão o que lhe aguardava brevemente. Pensou em tudo o que fizera até ali para que merecesse ser julgado. Novamente imaginou-se com uma chance, o que faria dela se pudesse a vida lhe conceder anos mais de aventura.

A palavra. Crua e fria. A espinha gelada, o suor, o medo, o tremular de mãos e pernas e enfim... A salvação. Não, não pôde acreditar. Precisava ouvir mais vezes daqueles lábios insatisfeitos por conceder uma absolvição. Era a vida outra vez. Ela chegava mansamente aquecendo seu corpo, tudo poderia ser diferente agora, o mundo era seu e estava livre do terrível e desconhecido lado de lá que espera todos nós.

Amanheceu o dia e precisava respirar ar puro. Cheiro de liberdade. Mas queria um cigarro. Ganhou uma grana em algum jogo, pensou em viajar e explorar a natureza, mas quis jogar mais, a bebida era uma fiel escudeira também. O dinheiro acabou, precisava de mais cigarros, mais comida, mais jogos, mais bebidas. A fé se foi, a vontade de viver cada dia como o último também. Desespero. Matou.

Silêncio. Nada mais que o absoluto silêncio de uma sala fechada. Espera. A demorada espera. Minutos que pareciam horas. Lá dentro, depois daquela porta, o julgamento. Do lado de cá, ainda a espera. O lado de lá guarda a chave da redenção ou a chave do cadafalso. Na sala fechada, apenas o sombrio silêncio de um olhar que ainda aguarda com um fiapo de esperança. Cabeça cheia de mil pensamentos, anos de vida passando como um filme cujo final feliz era a libertação.

- Ah, como seria bom viver...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Advêrnei To You





- Agora só falta mais um dedo para eu ter uma mão completa de anos! Não é mesmo?
- Calma, Sebastião, você acaba de fazer quatro anos e já está pensando no quinto?
- Só? Mas é muita coisa! O arquivo está ali do lado para provar o que digo.
- É verdade.
- Como foi que eu nasci?
- Do acaso. Quer mesmo saber? Eu tinha até aversão. Parecia ter virado moda. E não gosto de seguir modismos. Mas você me apresentou um mundo cujo qual não consegui mais sair. Conheci pessoas que sumiram, pessoas que fazem parte da minha vida até hoje e pessoas que posso reencontrar se eu quiser. Ah, Sebastião, tanta coisa... Quem disse que é perda de tempo, não soube o que estava perdendo.
- Conte-me mais!
- Bem, você mal sabia escrever quando nasceu. Aliás, você nem sabia o que falava. Só berrava. Berrava letras, para todos os lados. E gostava de coisas coloridas, coisas que piscavam, enfeitavam. Como um típico bebê, é claro. Em todo o caso, você ainda o é.
- Mas eu mudei! E isso prova o quanto eu cresci, então!
- Mais ou menos. Você não só cresceu como sobreviveu.
- Sobrevivi?
- É. Lembra-se que houve uma época em que muitos resolveram acabar com a própria vida?
- Mas tão pequenos?
- Nem todo mundo sobrevive aos próprios dias. Não só cresce a criatura, mas o criador também. Eu fui uma das que quase abandonaram a obra no limbo da blogosfera.
- E porque não fez?
- Não sei. Afinal, você nem completou uma mão inteira de anos...
- E quando eu completar todos os dedos das mãos e dos pés?
- Vai ter que aturar seus amigos zombando seu dia 24.
- ...?
- Esqueça isso, por hora. Antigamente me diziam que quando eu aniversariasse todos os dedos das mãos e dos pés, já seria adulta. Mas não me preocupo com tal disparate. Enquanto há vida, há história. Enquanto eu respirar, vou me lembrar de você, Sebastião. Só enquanto eu respirar...


Imagens, Músicas

sábado, 19 de janeiro de 2008

São Sebastião do Rio de Janeiro

- Ele é Capitão da Primeira Corte de Guarda, então creio, Diocleciano, que seja ele um bom homem.
- Seguiu os caminhos do nobre pai, com uma exceção, é cristão.
- Ignoro a sentença. Sebastião é muito dedicado no que faz. Que importância tem em ser ele cristão?
- Escute bem, Maximiliano. Não me restam dúvidas de que Sebastião é um bom homem, mas não poderemos mantê-lo na guarda da Corte sendo um Cristão. Ele tem tido uma conduta branda com os prisioneiros que se declaram igualmente cristãos, é um traidor, veja bem, sentenças são sentenças e prisioneiros são prisioneiros. Sebastião jamais entenderá.
- O que fará então, Diocleciano?
- Mandarei que se preparem flechas. Amarrem-no bem e possuem a minha ordem para executá-lo.


***
- Onde estou? Quem és tu?
- Chamo-me Irene. Tu estavas na encosta de um rio, quase desfalecido, com o corpo encravado de flechas. Cuidei para que ainda lhe cultivasse a vida. Em poucos dias estará tão são quanto tenho certeza que deverias estar antes de seres atacado. Aconselho-te a fugir para bem longe.
- Não. Irei ao encontro de Diocleciano. Falarei de sua crueldade e o censurarei. Agüentarei as conseqüências. Sou—lhe grato por me restabelecer a vida, pois assim poderei dizer tudo o que não me foi permitido.


***
- Mas co - como? Estás vivo? Julgava-o morto, comido pelos vermes da terra ou peixes do mar.
- Ninguém morre sem ter cumprido a sua missão, Diocleciano. Vejo que estás estarrecido com a minha imagem, não me importo em morrer, mas antes devo dizer-te que falsos são teus Deuses e que um dia dar-se-á conta disto.
- Vou pedir a Maximiliano que cuide de ti. Será vexatório para ti, um Comandante morrendo a pauladas, mas é a morte que escolheste por seres traidor.


***
- Lucila. Sou Lucila. Não posso vê-lo jogado a esta fossa, não morra, Sebastião.
- Conceda-me um único favor, Lucila. Encontro-me a caminho da morte e mal posso me mover. Leve-me para a catacumba dos cristãos.
- Farei o que me pedes. Vá com Deus, Sebastião.


***
Vinte de Janeiro comemora-se o dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. Embora eu ache sempre que as histórias envolvendo santos acabam pregoando as mesmas idéias e, como não ouso julgar a veracidade delas, fica claro que Sebastião mereceu o título, não por pregar até a morte o seu Deus, mas pela aceitação com bravura e coragem de morrer por um ideal (seja ele qual for, mas que acreditava). Apesar dos pesares, o Rio é minha terra natal e, mal ou bem, pelo menos em belezas naturais, continua sendo maravilhosa, ainda que eu não faça muita questão de permanecer nela por muito mais tempo (E que o Santo não me ouça!) e que continue abençoando-a porque é preciso !

Deu-se aos céus uma trovoada estrondosa quando terminei este post. Teria sido isso uma tentativa de contato? Acho que Sebastião não gostou...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Vômito

Vomito sentimentos, não palavras. Não sei vocês, mas quando criei um blog, foi na tentativa de transpor para o papel tudo aquilo o que eu jamais diria para alguém cara a cara. Chego a acreditar piamente que devo ter decepcionado algumas pessoas que me conhecerem primeiro pelo blog e depois pessoalmente, caso pensassem que eu seria igualmente verborrágica.

A verdade é que eu observo muito mais do que argumento. E não pensem que isso é vantagem alguma, não é. As pessoas observadoras são tidas como taciturnas, metidas, esquisitas, mas sem dúvida nenhuma, com um grau de benevolência muito maior do que os efusivos. Não ganho nada em ser benevolente e nem acho graça na minha timidez que já foi problema na infância e que às vezes ainda me atrapalha, mas também não posso afirmar que gostaria de ser a espontaneidade em pessoa. Gosto de gente estranha, elas sempre têm algo de misteriosamente fascinante.

E assim sigo vomitando em letras tudo aquilo que permanece entalado na minha mudez necessária. Digo o que precisa ser dito e vou aprendendo com os efusivos que deixam passar despercebido as infinitas histórias que rodeiam cada olhar. E de quê mais é feita a vida, senão de histórias ? Te já !

sábado, 12 de janeiro de 2008

Janeiro Árduo

Essa semana compareci aos exames médicos da Marinha, segunda etapa pela qual fui obrigada a passar, depois de um ano inteiro estudando para uma prova e ter sido aprovada. Lá fora um calor de quarenta graus. Lá dentro do Hospital um frio congelante e uma fila de candidatos interminável para os exames mais esquisitos que já vi em toda a minha vida. Só faltou examinarem os dedos dos pés, tamanha meticulosidade que te avaliam. Mas espero que isso tudo valha a pena no final, pois não é nada fácil passar quase o dia todo em jejum.

Agora preciso começar a me preparar para os testes físicos. A temperatura nada amena dos últimos dias não tem me animado muito a correr debaixo de sol a pino por aí, mas é preciso começar, sem escapatória, treinamentos rigorosos (atentem para o fato de que preciso estar em forma até dia 31 desse mês!.) e seguir o exemplo do marinheiro Popeye, ainda que eu esteja mais para Olívia Palito mesmo.

Falei isso tudo apenas porque não quero me meter a falar algo sobre Big Brother Brasil e as mesmas coisas de sempre que acontecem por lá. Esse programa já deu o que tinha que dar! Chega, né? E depois de saber que o mais interessante da casa é gay, cheguei a conclusão de que o mundo se perdeu mesmo ! (PS.: Nada contra gays, mas que é uma lástima, é.) .

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Empty Eyes

- Por que é que ele está sempre sozinho?
- Ele é um velho rabugento.
- Quiçá seja apenas solitário mesmo.
- Mãe falou que ele vive resmungando por onde passa, não sabe estabelecer uma conversa, apenas reclamar.
- E do quê reclama?
- Da falta de dias melhores.
- E é possível fazer alguma coisa?
- Segundo disseram, ele acredita piamente que sim, mas que não fazem.
- Quem não faz?
- Nós não fazemos.
- Nós?! Ele por acaso nos conhece?
- Nós, a humanidade. A gente só espera pelos tais dias melhores, mas não fazemos nada para que eles venham.
- E o que deveríamos fazer, você sabe?
- Talvez. Mas cansa pensar no que eu deveria fazer.
- Se você observar bem, ele também nada faz, apenas senta e espera. Solitário à espera de uma coisa que não se sabe o quê. Ou se sabe, mas não se pode fazer.
- Sozinho não. Quem sabe se todos se mobilizassem com suas teorias... Se observar bem, seu olhar é vago. Ele já não mais é desse mundo.
- E de que mundo é?
- O mundo onde existe a esperança de dias melhores. Veja, ele é solitário, rabugento e tem apenas uma bengala e uma trouxa como pertence, mas perceba como sorri enquanto olha distante por aí. Repare como vira e mexe sua expressão muda, quando não há jeito de impedir seu retorno à realidade e percebe o que lhe circunda. Seu ar fica desagradável.
- É esquisito.
- Pra nós.
- O que quer dizer?
- Queria dizer que eu gostaria muito de ser como ele.
- O quê?! Seria possível? Ser como ele? Ser como um indigente?
- Não. Um inconformado.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ninguém Segura Esta Cadela

É bem verdade que os cães nasceram para viver em matilhas. Mas confesso que acho meio estranho pensar numa matilha de Poodles, por exemplo. Esta raça parece que foi feita apenas para servir de enfeite, se não fosse o latido estridente fazer sempre notória a sua presença. O mesmo não ocorre com os Beagles. Estes nasceram para caçar e naturalmente seria compreensível que não aceitassem de bom grado sua existência fadada ao aprisionamento de um apartamento. Por mais que os levemos para passear por aí, sempre se mostram eternos insatisfeitos com essa pouca liberdade concedida.

Aqui na minha casa tenho uma Poodle e uma Beagle. E essa diferença temperamental pode ser vista a cada porta aberta: enquanto a Poodle observa o movimento de entra-e-sai do apartamento, a Beagle se esgueira pela mais ínfima abertura e aproveita para dar uma escapulida pelos andares do prédio. Acontece que eu nunca me importei muito com isso porque a bem dizer da verdade ela sempre acabava voltando. Não era preciso esperar quinze minutos, sua fidelidade permitia reconhecer o oitavo dentre dez andares e entrar certeiramente no mesmo apartamento de onde saiu.

Então, dia desses, numa outra fuga, não me descabelei, esperei seu provável retorno tranqüilamente, quando o tempo começou a trair a minha confiança: ela não voltava de jeito nenhum. Nem o barulho de suas unhas subindo as escadas por entre os andares podia ser ouvido, estava silêncio e a única pista de que ela havia descido mais lances do que o costume foi quando observei um dejeto seu nos corredores do segundo andar. Desci com uma pressa anormal e, como o condomínio onde eu moro é bastante grande, fui atrás de pistas do paradeiro da Dulce Maria, a Beagle (mal comparadamente, nessa hora deu para imaginar o desespero de uma mãe quando perde seu filho!).

O porteiro viu e disse que ela seguiu adiante, a moça que estava sentada num banco também viu, o rapazinho que passava também viu, ou seja, ela passou por tudo e todos, não se deixou pegar e acabei por descobrir que ela saiu do condomínio (e pra que diabos serve a porta do prédio se ela fica sempre aberta?), atravessou a rua, quase foi atropelada, dobrou a esquina e simplesmente deve ter achado que estava indo longe demais e achou por bem retornar por onde veio, vindo ao meu encontro totalmente nervosa (não pensem que só eu fiquei), dentro do condomínio, a tal ponto que se permitiu uma bronca e nem tentou fugir na hora de colocar a coleira.

Dulce Maria aprontou e quem acabou por ser fuzilada pelas palavras e olhares dos vizinhos, como sempre, foi a dona, a irresponsável dona! Trouxe-a novamente para casa e, como eu precisava sair, sem renegar seus instintos caçadores, mais uma vez tentou uma solene fuga, mas felizmente, fracassada. Agora eu saio de casa à francesa ou, conforme seja, com táticas fugitivas também. Afinal, seguro morreu de velho e guarda-chuva, não é?

Vídeos: Dulce Maria I, Dulce Maria II, Dulce Maria III

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Sobre Saldos

Corpo vermelho e ardendo, esse foi o meu saldo do reveillon, metade dele passado na praia, debaixo de um sol de 40°. Mas foi positivo. Fugi da concentração habitual de Copacabana e fui parar em outras praias mais indicadas para quem não buscava confusão. E encontrei essa paz de banhista no Leblon, o que seria quase impossível de acreditar se eu não tivesse passado oito horas lá e esquecesse completamente que à meia noite daquele dia já não mais estaria em 2007. O problema maior foi na hora de voltar para casa, um engarrafamento de duas horas ao passar inevitavelmente pela irrespirável Copacabana.

Agora estamos na recontagem de mais doze meses e tudo acaba sendo como foram todas as vezes. Meu ano já começa bem agitado, com algumas coisas a resolver, por isso, mesmo que um pouco atrasado, mas ainda em tempo, façam por merecer 2008! Cuidem bem desse bebê que acabou de nascer, façam-no crescer forte e saudável (isso está parecendo propaganda do Leite Ninho).

Meu saldo de 2007 foi positivo. Apesar de ter passado metade do ano viajando para Porto Alegre e a outra metade estudando exaustivamente (o que me trouxe vários lucros e também responsabilidades para 2008), posso afirmar que de um modo geral não tenho o que reclamar. Esse ano comecei com um vício: tenho jogado Power Soccer, um multiplayer bem realístico para quem gosta de futebol on-line. Estou lendo "O Idiota", de Dostoievski e assisti “Rei Arthur” no primeiro dia do ano, para tentar esquecer a ardência corporal de um belo dia de sol.

E, finalmente, após um post quase diarinho, vou curtir o que ainda me resta do que se poderia chamar de “férias”. Espero não presenciar mais pseudo-afogamentos de amigos na praia, águas vivas e suas queimaduras de segundo grau, nem Lancelot’s morrendo por aí. Mesmo que meu coração bata por Arthur, só por Arthur.