quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Adeus Mês Véio


- Vá, vá com Deus, Janeiro. Nem te vi passar, mas o que senti do teu peso foi uma experiência que irei guardar. Você morre aqui e eu apenas estou nascendo e despertando para a vida. Obrigado, Janeiro, deixaste uma lembrança cuja qual a eternidade dos meus dias (até quando eles me forem eternos) não poderá mais apagar. Não existe borracha para a escola da vida, apenas lembranças e borrões, quando tentamos apagar aquilo que queremos renunciar. Agora tu és apenas uma morta folha de calendário, tuas futuras gerações viverão outros verões que não serão iguais ao verão que eu vivi. Vai-se Janeiro e deixa-me teu legado, alegria última de tua majestosa despedida e célere passagem neste ano que promete frutos da tua existência. Pois que se tu não existisses, impossível seria acreditar que outras folhas deste mísero calendário pudessem ser preenchidas com as cores das estações.




- Vá, vá com Deus, homem do Homem. Sou apenas uma folha que vai morrendo ao passar das horas enquanto nasce um primo cheio de festividades e cores. É sempre tudo igual, quem muda são vocês, os quais pintam as próprias estações. E não se esqueça...


Muitos outros verões ainda virão.





terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pra não dizer que não falei das flores

Muito tem se falado a respeito dessa nova edição do BBB 8 e eu não quero chover no molhado acerca do mesmo tema em que algumas dezenas de blogs já se infiltraram. Preferi me calar até então, deixar passar o alvoroço de toda re-estréia, mas dessa vez me rendi ao assunto, pois é preciso que se reflita com atenção a algumas mudanças extraordinárias que percebi ao longo dessas semanas de confinamento.

É sabido que alguns participantes fumam, porém, diferentemente das edições anteriores que a fumaceira comia solta, por motivos os quais não sei, mas imagino o porquê, os episódios têm sido editados de tal forma que o senhor cigarrete ficou relegado a segundo plano. E não me refiro aos assinantes de Pay-Per-View, mas na edição normal do programa, não vi em momento algum, qualquer cigarrinho aceso que fosse dando o ar de sua graça (mesmo que eu o ache absolutamente sem graça).

Bial é outro que tem demonstrado sinais de completa intolerância com os erros alheios. Diferentemente daquele apresentador que mais parecia um pai passando a mão na cabeça dos filhos, nesta edição mostrou-se mais carrasco quando as regras estão em jogo. E, se brasileiro gosta de um bom motivo para assistir Big Brother Brasil, depois de tantas edições sem perder a graça, não meço linhas ao dizer que o atrativo desse são as pequenas monstruosidades e privações cujas quais são submetidos os participantes. Afinal, o povo já cansou de ver festas e boa vida o tempo todo, né? Para ganhar essa bufunfa toda é preciso sofrer um pouquinho!

Enfim, se o Reality Show resistir a mais novas futuras edições, preparem-se: minhas previsões revelam um programa ecologicamente correto com tendências masoquistas. Depois desta edição, confesso que até eu teria medo de me inscrever para o próximo!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Sala de Espera

Silêncio. Nada mais que o absoluto silêncio de uma sala fechada. Espera. A demorada espera. Minutos que pareciam horas. Lá dentro, depois daquela porta, o julgamento. Do lado de cá, ainda a espera. O lado de lá guarda a chave da redenção ou a chave do cadafalso. Na sala fechada, apenas o sombrio silêncio de um olhar que ainda aguarda com um fiapo de esperança. Cabeça cheia de mil pensamentos, anos de vida passando como um filme cujo final feliz era a libertação.

De repente, um ranger. A porta do lado de lá se abriu. Pernas bambas, suor escorrendo, a sentença cruel ou a salvação. O fim ou o começo de todos os devaneios e promessas de que viveria cada dia como se neles fosse dar o último suspiro. Chegou mesmo a acreditar que seria possível viver cada segundo de sua vida tão feliz que, ímpetos de alvoroço lhe subiram pelo corpo e desejou poder voltar ao tempo para fazer tudo diferente.

Enquanto os dias anteriores ao julgamento passavam, as poucas horas que lhe restavam de vida foram consumidas em bebidas, carnes, cigarros. O que importava preservar a boa saúde agora? Que se danem as propagandas! O prazer mórbido era tragado como lenitivo e quem sabe, uma conformação com o fim próximo. A esperança –confessa - não era a mais fiel das companheiras nessas horas.

A resposta estava ali, parada na sua frente. Sua sentença seria pronunciada pela voz de alguém que nunca viu, mas alguém transparente demais para deixar escapar um certo prazer em decretar decapitações. Será que a cabeça, mesmo depois de cortada é capaz de saber o que lhe aconteceu nos três segundos posteriores? O que lhe passaria pela mente quando ouvisse o arranhar final da guilhotina? Sádicos pensamentos domaram seu espírito. Era preciso coragem para receber a sentença ou seria morto pelos próprios pesares.


Aqueles segundos pareceram intermináveis. Era se como cada palavra que antecedia a sentença final fossem as palavras mais compridas do dicionário. Será que não se poderia abreviá-las? Para que fantasiar tanto um ato nu? Ouvia cada uma com a máxima atenção, já percebendo de antemão o que lhe aguardava brevemente. Pensou em tudo o que fizera até ali para que merecesse ser julgado. Novamente imaginou-se com uma chance, o que faria dela se pudesse a vida lhe conceder anos mais de aventura.

A palavra. Crua e fria. A espinha gelada, o suor, o medo, o tremular de mãos e pernas e enfim... A salvação. Não, não pôde acreditar. Precisava ouvir mais vezes daqueles lábios insatisfeitos por conceder uma absolvição. Era a vida outra vez. Ela chegava mansamente aquecendo seu corpo, tudo poderia ser diferente agora, o mundo era seu e estava livre do terrível e desconhecido lado de lá que espera todos nós.

Amanheceu o dia e precisava respirar ar puro. Cheiro de liberdade. Mas queria um cigarro. Ganhou uma grana em algum jogo, pensou em viajar e explorar a natureza, mas quis jogar mais, a bebida era uma fiel escudeira também. O dinheiro acabou, precisava de mais cigarros, mais comida, mais jogos, mais bebidas. A fé se foi, a vontade de viver cada dia como o último também. Desespero. Matou.

Silêncio. Nada mais que o absoluto silêncio de uma sala fechada. Espera. A demorada espera. Minutos que pareciam horas. Lá dentro, depois daquela porta, o julgamento. Do lado de cá, ainda a espera. O lado de lá guarda a chave da redenção ou a chave do cadafalso. Na sala fechada, apenas o sombrio silêncio de um olhar que ainda aguarda com um fiapo de esperança. Cabeça cheia de mil pensamentos, anos de vida passando como um filme cujo final feliz era a libertação.

- Ah, como seria bom viver...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Advêrnei To You





- Agora só falta mais um dedo para eu ter uma mão completa de anos! Não é mesmo?
- Calma, Sebastião, você acaba de fazer quatro anos e já está pensando no quinto?
- Só? Mas é muita coisa! O arquivo está ali do lado para provar o que digo.
- É verdade.
- Como foi que eu nasci?
- Do acaso. Quer mesmo saber? Eu tinha até aversão. Parecia ter virado moda. E não gosto de seguir modismos. Mas você me apresentou um mundo cujo qual não consegui mais sair. Conheci pessoas que sumiram, pessoas que fazem parte da minha vida até hoje e pessoas que posso reencontrar se eu quiser. Ah, Sebastião, tanta coisa... Quem disse que é perda de tempo, não soube o que estava perdendo.
- Conte-me mais!
- Bem, você mal sabia escrever quando nasceu. Aliás, você nem sabia o que falava. Só berrava. Berrava letras, para todos os lados. E gostava de coisas coloridas, coisas que piscavam, enfeitavam. Como um típico bebê, é claro. Em todo o caso, você ainda o é.
- Mas eu mudei! E isso prova o quanto eu cresci, então!
- Mais ou menos. Você não só cresceu como sobreviveu.
- Sobrevivi?
- É. Lembra-se que houve uma época em que muitos resolveram acabar com a própria vida?
- Mas tão pequenos?
- Nem todo mundo sobrevive aos próprios dias. Não só cresce a criatura, mas o criador também. Eu fui uma das que quase abandonaram a obra no limbo da blogosfera.
- E porque não fez?
- Não sei. Afinal, você nem completou uma mão inteira de anos...
- E quando eu completar todos os dedos das mãos e dos pés?
- Vai ter que aturar seus amigos zombando seu dia 24.
- ...?
- Esqueça isso, por hora. Antigamente me diziam que quando eu aniversariasse todos os dedos das mãos e dos pés, já seria adulta. Mas não me preocupo com tal disparate. Enquanto há vida, há história. Enquanto eu respirar, vou me lembrar de você, Sebastião. Só enquanto eu respirar...


Imagens, Músicas

sábado, 19 de janeiro de 2008

São Sebastião do Rio de Janeiro

- Ele é Capitão da Primeira Corte de Guarda, então creio, Diocleciano, que seja ele um bom homem.
- Seguiu os caminhos do nobre pai, com uma exceção, é cristão.
- Ignoro a sentença. Sebastião é muito dedicado no que faz. Que importância tem em ser ele cristão?
- Escute bem, Maximiliano. Não me restam dúvidas de que Sebastião é um bom homem, mas não poderemos mantê-lo na guarda da Corte sendo um Cristão. Ele tem tido uma conduta branda com os prisioneiros que se declaram igualmente cristãos, é um traidor, veja bem, sentenças são sentenças e prisioneiros são prisioneiros. Sebastião jamais entenderá.
- O que fará então, Diocleciano?
- Mandarei que se preparem flechas. Amarrem-no bem e possuem a minha ordem para executá-lo.


***
- Onde estou? Quem és tu?
- Chamo-me Irene. Tu estavas na encosta de um rio, quase desfalecido, com o corpo encravado de flechas. Cuidei para que ainda lhe cultivasse a vida. Em poucos dias estará tão são quanto tenho certeza que deverias estar antes de seres atacado. Aconselho-te a fugir para bem longe.
- Não. Irei ao encontro de Diocleciano. Falarei de sua crueldade e o censurarei. Agüentarei as conseqüências. Sou—lhe grato por me restabelecer a vida, pois assim poderei dizer tudo o que não me foi permitido.


***
- Mas co - como? Estás vivo? Julgava-o morto, comido pelos vermes da terra ou peixes do mar.
- Ninguém morre sem ter cumprido a sua missão, Diocleciano. Vejo que estás estarrecido com a minha imagem, não me importo em morrer, mas antes devo dizer-te que falsos são teus Deuses e que um dia dar-se-á conta disto.
- Vou pedir a Maximiliano que cuide de ti. Será vexatório para ti, um Comandante morrendo a pauladas, mas é a morte que escolheste por seres traidor.


***
- Lucila. Sou Lucila. Não posso vê-lo jogado a esta fossa, não morra, Sebastião.
- Conceda-me um único favor, Lucila. Encontro-me a caminho da morte e mal posso me mover. Leve-me para a catacumba dos cristãos.
- Farei o que me pedes. Vá com Deus, Sebastião.


***
Vinte de Janeiro comemora-se o dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. Embora eu ache sempre que as histórias envolvendo santos acabam pregoando as mesmas idéias e, como não ouso julgar a veracidade delas, fica claro que Sebastião mereceu o título, não por pregar até a morte o seu Deus, mas pela aceitação com bravura e coragem de morrer por um ideal (seja ele qual for, mas que acreditava). Apesar dos pesares, o Rio é minha terra natal e, mal ou bem, pelo menos em belezas naturais, continua sendo maravilhosa, ainda que eu não faça muita questão de permanecer nela por muito mais tempo (E que o Santo não me ouça!) e que continue abençoando-a porque é preciso !

Deu-se aos céus uma trovoada estrondosa quando terminei este post. Teria sido isso uma tentativa de contato? Acho que Sebastião não gostou...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Vômito

Vomito sentimentos, não palavras. Não sei vocês, mas quando criei um blog, foi na tentativa de transpor para o papel tudo aquilo o que eu jamais diria para alguém cara a cara. Chego a acreditar piamente que devo ter decepcionado algumas pessoas que me conhecerem primeiro pelo blog e depois pessoalmente, caso pensassem que eu seria igualmente verborrágica.

A verdade é que eu observo muito mais do que argumento. E não pensem que isso é vantagem alguma, não é. As pessoas observadoras são tidas como taciturnas, metidas, esquisitas, mas sem dúvida nenhuma, com um grau de benevolência muito maior do que os efusivos. Não ganho nada em ser benevolente e nem acho graça na minha timidez que já foi problema na infância e que às vezes ainda me atrapalha, mas também não posso afirmar que gostaria de ser a espontaneidade em pessoa. Gosto de gente estranha, elas sempre têm algo de misteriosamente fascinante.

E assim sigo vomitando em letras tudo aquilo que permanece entalado na minha mudez necessária. Digo o que precisa ser dito e vou aprendendo com os efusivos que deixam passar despercebido as infinitas histórias que rodeiam cada olhar. E de quê mais é feita a vida, senão de histórias ? Te já !

sábado, 12 de janeiro de 2008

Janeiro Árduo

Essa semana compareci aos exames médicos da Marinha, segunda etapa pela qual fui obrigada a passar, depois de um ano inteiro estudando para uma prova e ter sido aprovada. Lá fora um calor de quarenta graus. Lá dentro do Hospital um frio congelante e uma fila de candidatos interminável para os exames mais esquisitos que já vi em toda a minha vida. Só faltou examinarem os dedos dos pés, tamanha meticulosidade que te avaliam. Mas espero que isso tudo valha a pena no final, pois não é nada fácil passar quase o dia todo em jejum.

Agora preciso começar a me preparar para os testes físicos. A temperatura nada amena dos últimos dias não tem me animado muito a correr debaixo de sol a pino por aí, mas é preciso começar, sem escapatória, treinamentos rigorosos (atentem para o fato de que preciso estar em forma até dia 31 desse mês!.) e seguir o exemplo do marinheiro Popeye, ainda que eu esteja mais para Olívia Palito mesmo.

Falei isso tudo apenas porque não quero me meter a falar algo sobre Big Brother Brasil e as mesmas coisas de sempre que acontecem por lá. Esse programa já deu o que tinha que dar! Chega, né? E depois de saber que o mais interessante da casa é gay, cheguei a conclusão de que o mundo se perdeu mesmo ! (PS.: Nada contra gays, mas que é uma lástima, é.) .

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Empty Eyes

- Por que é que ele está sempre sozinho?
- Ele é um velho rabugento.
- Quiçá seja apenas solitário mesmo.
- Mãe falou que ele vive resmungando por onde passa, não sabe estabelecer uma conversa, apenas reclamar.
- E do quê reclama?
- Da falta de dias melhores.
- E é possível fazer alguma coisa?
- Segundo disseram, ele acredita piamente que sim, mas que não fazem.
- Quem não faz?
- Nós não fazemos.
- Nós?! Ele por acaso nos conhece?
- Nós, a humanidade. A gente só espera pelos tais dias melhores, mas não fazemos nada para que eles venham.
- E o que deveríamos fazer, você sabe?
- Talvez. Mas cansa pensar no que eu deveria fazer.
- Se você observar bem, ele também nada faz, apenas senta e espera. Solitário à espera de uma coisa que não se sabe o quê. Ou se sabe, mas não se pode fazer.
- Sozinho não. Quem sabe se todos se mobilizassem com suas teorias... Se observar bem, seu olhar é vago. Ele já não mais é desse mundo.
- E de que mundo é?
- O mundo onde existe a esperança de dias melhores. Veja, ele é solitário, rabugento e tem apenas uma bengala e uma trouxa como pertence, mas perceba como sorri enquanto olha distante por aí. Repare como vira e mexe sua expressão muda, quando não há jeito de impedir seu retorno à realidade e percebe o que lhe circunda. Seu ar fica desagradável.
- É esquisito.
- Pra nós.
- O que quer dizer?
- Queria dizer que eu gostaria muito de ser como ele.
- O quê?! Seria possível? Ser como ele? Ser como um indigente?
- Não. Um inconformado.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ninguém Segura Esta Cadela

É bem verdade que os cães nasceram para viver em matilhas. Mas confesso que acho meio estranho pensar numa matilha de Poodles, por exemplo. Esta raça parece que foi feita apenas para servir de enfeite, se não fosse o latido estridente fazer sempre notória a sua presença. O mesmo não ocorre com os Beagles. Estes nasceram para caçar e naturalmente seria compreensível que não aceitassem de bom grado sua existência fadada ao aprisionamento de um apartamento. Por mais que os levemos para passear por aí, sempre se mostram eternos insatisfeitos com essa pouca liberdade concedida.

Aqui na minha casa tenho uma Poodle e uma Beagle. E essa diferença temperamental pode ser vista a cada porta aberta: enquanto a Poodle observa o movimento de entra-e-sai do apartamento, a Beagle se esgueira pela mais ínfima abertura e aproveita para dar uma escapulida pelos andares do prédio. Acontece que eu nunca me importei muito com isso porque a bem dizer da verdade ela sempre acabava voltando. Não era preciso esperar quinze minutos, sua fidelidade permitia reconhecer o oitavo dentre dez andares e entrar certeiramente no mesmo apartamento de onde saiu.

Então, dia desses, numa outra fuga, não me descabelei, esperei seu provável retorno tranqüilamente, quando o tempo começou a trair a minha confiança: ela não voltava de jeito nenhum. Nem o barulho de suas unhas subindo as escadas por entre os andares podia ser ouvido, estava silêncio e a única pista de que ela havia descido mais lances do que o costume foi quando observei um dejeto seu nos corredores do segundo andar. Desci com uma pressa anormal e, como o condomínio onde eu moro é bastante grande, fui atrás de pistas do paradeiro da Dulce Maria, a Beagle (mal comparadamente, nessa hora deu para imaginar o desespero de uma mãe quando perde seu filho!).

O porteiro viu e disse que ela seguiu adiante, a moça que estava sentada num banco também viu, o rapazinho que passava também viu, ou seja, ela passou por tudo e todos, não se deixou pegar e acabei por descobrir que ela saiu do condomínio (e pra que diabos serve a porta do prédio se ela fica sempre aberta?), atravessou a rua, quase foi atropelada, dobrou a esquina e simplesmente deve ter achado que estava indo longe demais e achou por bem retornar por onde veio, vindo ao meu encontro totalmente nervosa (não pensem que só eu fiquei), dentro do condomínio, a tal ponto que se permitiu uma bronca e nem tentou fugir na hora de colocar a coleira.

Dulce Maria aprontou e quem acabou por ser fuzilada pelas palavras e olhares dos vizinhos, como sempre, foi a dona, a irresponsável dona! Trouxe-a novamente para casa e, como eu precisava sair, sem renegar seus instintos caçadores, mais uma vez tentou uma solene fuga, mas felizmente, fracassada. Agora eu saio de casa à francesa ou, conforme seja, com táticas fugitivas também. Afinal, seguro morreu de velho e guarda-chuva, não é?

Vídeos: Dulce Maria I, Dulce Maria II, Dulce Maria III

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Sobre Saldos

Corpo vermelho e ardendo, esse foi o meu saldo do reveillon, metade dele passado na praia, debaixo de um sol de 40°. Mas foi positivo. Fugi da concentração habitual de Copacabana e fui parar em outras praias mais indicadas para quem não buscava confusão. E encontrei essa paz de banhista no Leblon, o que seria quase impossível de acreditar se eu não tivesse passado oito horas lá e esquecesse completamente que à meia noite daquele dia já não mais estaria em 2007. O problema maior foi na hora de voltar para casa, um engarrafamento de duas horas ao passar inevitavelmente pela irrespirável Copacabana.

Agora estamos na recontagem de mais doze meses e tudo acaba sendo como foram todas as vezes. Meu ano já começa bem agitado, com algumas coisas a resolver, por isso, mesmo que um pouco atrasado, mas ainda em tempo, façam por merecer 2008! Cuidem bem desse bebê que acabou de nascer, façam-no crescer forte e saudável (isso está parecendo propaganda do Leite Ninho).

Meu saldo de 2007 foi positivo. Apesar de ter passado metade do ano viajando para Porto Alegre e a outra metade estudando exaustivamente (o que me trouxe vários lucros e também responsabilidades para 2008), posso afirmar que de um modo geral não tenho o que reclamar. Esse ano comecei com um vício: tenho jogado Power Soccer, um multiplayer bem realístico para quem gosta de futebol on-line. Estou lendo "O Idiota", de Dostoievski e assisti “Rei Arthur” no primeiro dia do ano, para tentar esquecer a ardência corporal de um belo dia de sol.

E, finalmente, após um post quase diarinho, vou curtir o que ainda me resta do que se poderia chamar de “férias”. Espero não presenciar mais pseudo-afogamentos de amigos na praia, águas vivas e suas queimaduras de segundo grau, nem Lancelot’s morrendo por aí. Mesmo que meu coração bata por Arthur, só por Arthur.