sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ser resistente... para quê?

Foto: CIAAR


Pânico. É exatamente o que eu sinto a cada vez que penso que tenho apenas um mês para conseguir manter-me durante dez segundos em cima de uma barra em pronação. Se não consigo nem mesmo permanecer um segundo nela, pode ser desesperador pensar em como dez segundos podem se tornar uma eternidade. Além disso, exercícios altamente criativos como flexões, abdominais, saltos e corrida, esperam por mim em abril como teste de aptidão da Aeronáutica. E eu, mera mortal que curtia o marasmo dos dias em frente ao computador, precisei enfrentar a dura rotina de uma academia. E sinceramente, espero que isso tudo venha a valer a pena no final, porque por enquanto, a barra ainda habita meus mais temidos pesadelos e tem tirado o meu sono (além da inspiração de postar coisas mais criativas)! Por essa razão e por achar que meus braços são assim tão fraquinhos, dicas e apoios morais são bem vindos.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

São João Nepomuceno

Uma pausa nos contos nossos de cada dia para falar de um lugar que conheci esses dias. O santo checo Ján Nepomucký, patrono contra as calúnias, foi agraciado por volta de 1800, com a fundação do município São João Nepomuceno, alcunha em sua homenagem, por fundadores devotos, localizado na Zona da Mata Mineira.

Conhecida também por Nepopó, a cidade onde meu pai viveu uma parte de sua infância e o local que passei a conhecer e também a admirar e respeitar, parece perdida num espaço qualquer do tempo, sem a pressa comum de tantas cidades em expansão, sem a efêmera e ilusória pretensão de achar que a globalização é o centro do mundo.

Essa semana estive nessa roça urbanizada ou seria cidade urbana pouco desenvolvida? E, para quem sai do Rio de Janeiro com destino à localização, ainda pode dar uma espiada em cidades como Juiz de Fora, Bicas (e parar para comer pasteizinhos de 0,60 no “Bar do Pedro”), Rochedo de Minas e Roça Grande, localidades vizinhas. São João não tem explicação!

Praças e seus bancos, clubes, bicicletas, casas coloridas, a Igreja Matriz, escolinhas com janelas abertas para rua, muitas subidas e descidas em ruas de pedras estreitas, caracterizam o clima amistoso desse lugar que lembra cenas de filmes antigos ou aqueles sonhos mais íntimos de uma tranqüilidade que não se encontra dando sopa por aí. E sei que existe mais por lá que eu não vi. Muito mais...!

Com seus recursos oriundos diretamente do pólo de confecções, o município produz quase um milhão de peças de roupa por mês, onde cerca de 60 mil são exportadas. Mas, mais do que fazer roupas, São João quer entrar no calendário da moda brasileira. Em abril do ano passado, realizou o seu primeiro desfile, o Fashion Mix.

Para quem gosta de Carnaval, motivos não faltam para curtir a região, uma das mais requisitadas como programação no feriado brasileiro mais apreciado. Além disso, exposições agropecuárias, a Pracinha do Coronel, que está no caminho de ida ou vinda de todo habitante de São João, a característica hospitalidade mineira, uma volta ao tempo e um mergulho na história dessa cidade que revelou grandes nomes no futebol, como Heleno de Freitas, valem a visita.

Bom, São João Nepomuceno é mais ou menos isso. Mas sua magia, seu mistério e sua energia eu não posso passar para os meus leitores virtualmente. Isso são coisas que só quem conhece pode dizer! E São João espera por você!!!! Não visite somente aqueles lugares concorridos pelas folgas do dia-a-dia. Descubra Minas, terras de culturas mil!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sessão No meu tempo...

Eu me lembro até hoje da sensação de sentar-se na cadeira escolar que era quase o dobro do nosso tamanho, olhar para o quadro negro e imaginar a vida da professora. Será que ela gosta de crianças? Será que tem filhos? Será que tem bom humor? Será que vai com a minha cara? Será que vive como a gente vive?

Bons tempos são esses de escola. Tolas e imaturas preocupações. Pueris imaginações. Mundo novo que se vai descortinando aos poucos, apaixonadamente. Números que assustam. Palavras que encantam. Cheiro de merendeira que carrega Mirabel e suco de groselha que mancha a camisa do uniforme. Uniforme que chega branco e sai como se todas as crianças tivessem dado uma volta por todos aqueles lugares que a professora de História do Brasil contou, por todos os países mais distantes que a outra Tia de Geografia as fizeram conhecer. Estojo que cheira a giz de cera e cola colorida. Rostos presenteados com pequenos brilhos de purpurina que não saem nem no banho. Franjinhas grudadas na testa suada. Dever de casa. Camisa pichada no final do ano. Hora da saída com muita correria pelas ruas, mães enlouquecidas e a velha pipoca, vendida todo fim de tarde pelo velhinho da porta da escola. O passeio ao Jardim Zoológico, ao Jardim Botânico, o medo das plantas carnívoras e o pé de feijão plantado num copinho de café com algodão.


A tarde que saiu mais cedo, o menino que abriu a testa, a troca de figurinhas e a moda ter aquilo e aquela outra coisa também porque todo mundo tem. Pesquisas sobre os planetas, na época que Plutão ainda existia, com bolas de isopor pintadas a guache durante a tarde toda, mas nenhum trabalho acerca do medo do fim do mundo e nem mesmo dos efeitos da falta de água, essa que fazia parte dos banhos de mangueira das férias de verão. Ah !

Chega você agora e diga que não era bom. Eu duvido que as lembranças não sejam boas. A gente toda tem saudade dessa vida que nem parece mais possível para ninguém. As escolas não são mais iguais, os tempos não são mais os mesmos e quanto mais ele passa, mais sinto falta de uma época feliz, incrivelmente feliz.

O mal é que apenas sentimos...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pensando...

A vida é mesmo uma merda. Mas de um jeito muito bonito...

Então ficamos assim, perdidos nesse vácuo absoluto que não nos deixa pensar em outra coisa.
Mesmo porque não teria graça se fosse tudo tão fácil.

Na verdade teria. Teria sim.

A receita é:
Fogo baixo e muita paciência.
Muita.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Psicodoido

Hoje precisei fazer uns exames psicotécnicos na Aeronáutica e, durante a projeção de imagens que mais pareciam borrões, numa delas eu disse que vi um frango assado.

Será que não sou normal?


Medo.

E o barquinho a deslizar...

Para onde será que vai aquele aviãozinho de papel levado pela ventania? E aqueles outros barquinhos feitos do mesmo jornal, para onde navegam? É aqui de cima da minha janela, o lugar onde posso ver o destino de todos eles. Saem bem trabalhados das mãos das crianças que, com suas botas e capas de chuva, brincam sem medo de se molhar. Medo têm os adultos. E eles ainda esbravejam quando elas passam pulando as poças, esguichando água para todos os lados. Ficam irritados com tamanha alegria. Não entendem como podem se divertir com tanta aguaceira, pois nas suas épocas (sempre as suas!) tinha-se muito medo de trovoadas e dos móveis de São Pedro. Devia ser móveis gigantes para tanto barulho! Mas elas não ligam e ainda acham graça em como desperdiçam jornais para tentarem cobrir suas cabeças.



Quanto desperdício! Dava para fazer tantos outros aviões e embarcações. Pois não é que eles também acham desperdício tantas tropas de papéis? Impedem a brincadeira, pedem para entrar, esquecem que um dia fizeram parte da mesma infantaria, trancam-nas dentro de casas sem luz, sem poças, sem risadas, sem exércitos inteiros de jornais. Uma trégua na batalha que só termina debaixo do sol do dia seguinte, quando o glamour dela estava nas trovoadas, nos relâmpagos, na ventania e em toda aquela gente correndo, se esquivando do temporal. Não tem a menor graça olhar daqui de cima as casas com pequenos vaga-lumes, velas acesas para amenizar a escuridão. E dentro delas, comandantes desolados, olhando aflitos para as esquadrilhas de papel que iam sendo levadas pela correnteza. Não há mais aviões, não há mais navios, não há mais como presenciar uma batalha naval e aeroespacial. E agora? Velas, escuridão, silêncio, trovoadas... Eu as vi: batalha medieval!




Enquanto isso, nós continuamos a reclamar da chuva...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Além do Céu Azul

- Que nojo! Urubus! São muitos deles, negros como a noite em plena luz diurna. Voam em círculos, pássaros acrobatas, parecem mirar alguma coisa lá embaixo, é tão engraçado... Sou capaz de saber que aquele maior conduz todo mundo e diz: “Subamos, subamos além deste céu azul! Além de todas as nuvens, de todo o infinito, sempre acima, além dos astros!” E os outros, apenas subalternos, obedecem cegamente a estas ordens como se fossem mandamentos divinos. Brincam em revoada, balé negro do infinito azul. Tudo neles poderia inspirar poesia, mas a dança do espaço previu um espetáculo dos mais competidores.
Era tudo cerimônia, tudo! Lá embaixo...
A Ceia. Urubus... Como eles parecem toda esta gente!

E eu que pensei que eles só pulavam carnaval...





Curiosidade Em OFF: Urubus não diferenciam carne animal ou humana. Comendo a carne de animais mortos, faz um grande bem ao ecossistema evitando a disseminação de doenças. Segundo informações colhidas, ao se tratar de carne humana, a primeira parte que ele come é a genitália, onde ele consegue furar e adentrar o organismo para comer o restante.