quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Opinião Adversa

Minha reação ao assistir o espetáculo Reações Adversas*, inicialmente, foi de que aquela apresentação não prenderia minha atenção por mais do que dez minutos. A peça não possui diálogos de espécie alguma, tampouco se ouve a voz de qualquer um dos quatro atores em cena. E, por falar em cena, o espetáculo começa em ritmo lento, onde um casal deitado no palco leva dez minutos cronometrados para se erguer. A platéia boceja. Parece que ficaremos os setenta minutos do espetáculo assistindo aquela monótona apresentação. Mas não vamos embora. Primeiro por que a entrada foi franca e, segundo, por que esperamos ansiosamente que algo aconteça à nossa frente, que uma ação interrompa o silêncio e a lentidão dos passos cênicos. E não nos decepcionamos. Ao tentarem mostrar com movimentos as sensações que irrompem de qualquer indivíduo, os atores prendem a atenção e cativam os espectadores com suas demonstrações corporais que refletem os mais variados estímulos. Os corpos, em cena, possuem uma história própria e representa reflexos do indivíduo perante a agressão, a exaustão, o carinho. E de ritmo lento ao extremamente rápido, com direito a troca de tapas e muito corre-corre utilizando-se de jogos teatrais, não é possível captar qualquer mensagem, qualquer trama embutida naqueles movimentos. Não é possível pensar em nada durante a apresentação. Apenas ao final desta, podemos começar a formular idéias através da nossa subjetividade. Creio que a intenção foi propor ao espectador o evento teatral como experiência e não como informação, isto é, o que ocorre em cena, sugere e estimula, mas não determina ou restringe a leitura do espectador. Este é então convidado a participar da criação trazendo suas emoções, imaginação e experiências anteriores como bagagem para a leitura da obra. Em todo o caso, foi estranhamente prazeroso assistir a uma peça que quebra, de certa forma, as barreiras do teatro tradicional, se é que se pode dizer que o teatro possui alguma barreira...

*Reações Adversas é um espetáculo da Cia Temporária de Investigação Cênica e faz parte da MOSTRA EXPERIMENTOS do TUSP (Teatro da Universidade de São Paulo). Concepção e Direção: Joana Dória de Almeida.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Amor não pode ser encomendado

A frase que dá título a este post foi a última fala do personagem do ator Marat Descartes, no monólogo Primeiro Amor*, baseado no conto homônimo de Samuel Beckett. Este foi o espetáculo que escolhi para assistir neste dia 11 de setembro, dia do meu aniversário e confesso: não poderia ter feito melhor opção. Ouvir falar de amor, de dor, o medo da vida, da morte e de tantos sentimentos confusos que atordoam a existência humana, pode fazer qualquer um refletir sobre o amadurecimento ou, quem sabe, a chegada vagarosa e discreta da velhice. Não que eu esteja ficando velha, muito ainda falta para isso, mas a única certeza que tenho é que a cada aniversário que chega mais próxima estou de me juntar àqueles que, hoje, julgo atrasados, lentos, cheios de esquisitices. Eu também ficarei esquisita, né? Atravessarei ruas devagar e subirei lentamente os degraus dos ônibus, quem sabe rezando internamente para nenhum motorista jovem e grosseiro dar partida antes que eu possa me sentar. Bem, isso é papo para adiante. Eu falava da peça. E, ao ouvir sobre mortes, pensei em quanta gente querida e agradável fica no passado da vida. Não somente porque morreram, nem tampouco porque irão morrer (única certeza de todos nós), mas sim porque um dia estiveram presentes e hoje mandam recados, postais (eu falei isso só para ser chique, na verdade, mandam e-mails e scraps) com dizeres de saudades. Saudade dói pra caramba... Eu não tinha certeza disso até virar militar e nômade. E me acostumar a deixar amigos pelos aeroportos e rodoviárias da vida. "Mas que importância tem o modo como as coisas se passam a partir do momento em que se passam. A história é sempre a mesma. Desde o princípio do verbo que tem sido assim. A ironia da vida. As adversidades do amor. A inadiável morte. Nunca houve outros assuntos. Nunca haverá outra história. Seja deste ou de outro homem. Os adereços mudam mas o assunto não. Sempre.

A vida. O amor. A morte. O medo. O riso. O desespero. A perversidade. A repetição.

Naquela altura eu não percebia as mulheres. Aliás agora também não. Nem os homens. Nem os animais. O que percebo melhor, e não é dizer muito, são as minhas dores." Samuel BECKETT, Primeiro Amor.

Hoje recebi votos de felicidades de pessoas que nem esperava e não recebi nada de outras que esperava muita coisa, portanto, desejo a mim mesma, antes de todo mundo, um feliz aniversário e uma longa vida, repleta de realizações e sucesso. Ah, e de muito teatro, é claro.



*O espetáculo “Primeiro Amor” é um romance de Samuel Beckett escrito em 1945. Levado à cena na íntegra, sem nenhuma adaptação, o ator Marat Descartes, vencedor do Prêmio Shell de melhor ator em 2006, é quem dá voz ao texto, encarnando seu narrador-protagonista. Com o humor cáustico beckettiano – é narrada a triste história de seu primeiro amor.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência ou Morte

Eu, minha irmã e minha sobrinha-afilhada, na Av. Newton Prado, Pirassununga/SP, representando a Academia da Força Aérea

Para muitos brasileiros, Sete de setembro é um dia comum, para outros, apenas um feriado prolongado, usado muitas vezes como pretexto de viagens e muito descanso. Outros se lembram da grandiosidade da data e de toda sua história. Entretanto, há aqueles brasileiros que todos os anos, neste dia 7, levantam bem cedo, engomam suas fardas e, com imenso orgulho no peito, abraçam a Pátria, desfilam com garbo, exibindo tantas emoções e conquistas no peito em forma de medalhas. Nós conhecemos esses brasileiros, eles são chamados de militares.

Hoje desfilei pela quinta vez no Dia da Independência. Foram três vezes por escola militar no Rio de Janeiro, uma em Guaratinguetá e, finalmente, porém não a última cidade, em Pirassununga. Como militar, representar a Força Aérea me traz imenso orgulho. E, como brasileira, representar a carreira que visa, primordialmente, à defesa da nação, não tem preço que pague. Não há nada melhor do que realizar um trabalho que é motivo de orgulho para tanta gente, inspiração de muitas crianças que tentam imitar o passo cadenciado dos soldados, sonho de tantos jovens que, anualmente, prestam o difícil processo seletivo para as Forças Armadas.

É por essas e outras que agradeço a Deus, diariamente, por saber que minha pele é, também, azul.