domingo, 25 de março de 2012

O bom filho à casa torna

Nutella e um taxista mal-educado. Essas duas coisas me fizeram ter vontade de escrever e, como eu não tinha outro endereço, lembrei desse blog jogado às traças mas jamais esquecido. Por diversos motivos eu parei de escrever aqui, por outros diversos motivos não deletei nada. É engraçado, mas eu tenho carinho por esse endereço e não queria nenhum mané se apoderando dele. Bobagem, eu sei. O fato é que sinto vontade de escrever de quando em vez e nem sempre acho apropriado escrever no facebook. Além disso, alguns malucos e desajustados me falam "ei, volte a escrever". Como meu ego estava precisando de um afago esses dias, cá estou eu.

Comecei falando da Nutella e do taxista. E na verdade tudo está um pouco ligado. O fato é que eu ando meio sorumbática. Ah, os rapazes, sempre eles. E sexta, num surto de "preciso comer doce" eu comecei a desejar Nutella. Desejar ardentemente mesmo. Fui ao supermercado, nada de Nutella. Fui à padaria 1, nada de Nutella. Fui à padaria 2, NADA DE NUTELLA. COMASSIM? Eu só queria umas fatias de pão francês entupidas de Nutella, só isso. Ô Universo, CUSTA colaborar? Porque seria tudo muito simples: eu comeria Nutella, ficaria feliz com a quantidade de açúcar no sangue e com o chocolate e coisa e tal e iria trabalhar mais feliz. Mas os santos não sorriram pra mim. As criaturas do Universo, na verdade, olhavam lá de cima e pensavam "se fode aí, mané, hahahahaha" e ainda faziam sinal de "top top" pra mim enquanto eu atravessava as ruas do meu bairro pensando que os carros eram pão com Nutella. Custava colaborar, Universo? Custava? Nãããããããão.

E aí eu voltei tarde do trabalho, cansada e mais sorumbática ainda. Não tinha pão com Nutella. Nem pão tinha, porque o ser humano que coabita comigo havia comido todos os pãezinhos franceses cros-croc que eu havia comprado. O que fazer pra melhorar um pouco o humor perdido? Internet. Porque eu nunca vi muleta maior que essa porra de internet. MSN então, nem se fala. E depois do Facebook, o mundo se perdeu. Eu juro que às vezes olho pro céu procurando pelos 3 Cavaleiros do Apocalipse  porque acho que o mundo não tem mais solução. Voltando à minha vontade de melhorar meu humor: fiquei na internet. Porque não tinha Nutella pra me deixar feliz. Perdi a hora de ir dormir, acordei atrasada e tive que pegar táxi pra ir fazer a prova da Faculdade.

Taxistas são engraçados. Na verdade, safados: eles dirigem mais devagar quando o destino não é longe do ponto em que eles estavam. E assim foi com o pulha que dirigia aquele carro hoje cedo. Sò que dirigir mais devagar significa chegar mais tarde ao meu destino e eu estava realmente atrasada. Acho que nem precisava explicar isso, já que ninguém pega táxi se não estiver com pressa ou bêbado. Eu não estava bêbada. E lá se foi o taxista "lesmamente" pelas ruas do meu bairro. Eu geralmente não reclamo, só aviso que estou atrasada. Mas hoje eu estava brava, irritada e avisei duas vezes pra ele não pegar tal rua, pegar outra, eu estava atrasada, nããão nessa rua, na outra. Por causa da lerdeza, safadeza e neurônios a menos do motorista a corrida deu mais do que eu esperava e mais do que eu tinha em dinheiro. Eu, mulher honesta, peguei meu talão de cheques e comecei a comecei a preencher uma folha. Estava preenchendo o valor quando minha linda caligrafia apressada foi interrompida por frases soltas e num volume mais alto do que o aceitável:

- A senhora tava com tanta pressa e agora faz essa palhaçada de preencher cheque? (quer que eu saia sem pagar?)
- Não me interessa que a senhora não tem dinheiro suficiente, a senhora me encheu o saco no caminho e agora tá demorando. Cadê sua pressa? (devo ter enfiado na sua orelha, já que o senhor ignorou meus pedidos)
- A senhora é uma maluca mesmo, desrespeitou eu (sic) como profissional porque me apressou e agora fica aí escrevendo.
- Eu não tenho nome. E a senhora vai me denunciar? Denuncia mesmo, sua maluca.

Cheguei no local tremendo, depois de ter mandado o motorista tomar no cu, ter jogado o cheque na cara dele e batido a porta do carro. Uma cena bonita de se ver e ótima pra começar o dia. Comecei a prova lívida de raiva, com minha amiga dizendo " vamos ali tomar uma água". Ao menos há alguma solidariedade no mundo.

Depois disso tudo, cá estou eu. Sem Nutella, pensando em ir reclamar sobre o taxista no ponto aqui perto (ele se fodeu porque eu moro bem próximo ao ponto e, apesar dele ter se recusado a dizer o nome dele, eu tenho memória fotográfica. E estou com sangue nos olhos - nada como um mal-educado patife pra me fazer ter vontade de descontar nele todas as minhas frustrações, haha) e escrevendo no "bivaque". Talvez eu volte.

É, eu volto.

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