domingo, 10 de maio de 2009

Recordar é Viver (Versão Dia das Mães)


A fotografia está envelhecendo, mas nela, o tempo parou. Lá estou eu e minha mãe num passado distante, com toda uma vida nos esperando pela frente. Esta foto representa com carinho minha infância: anos oitenta, Praça Floriano, Cinelândia, centro da cidade do Rio de Janeiro. Cine Pathé ao fundo, orelhões da TELERJ (ainda se usavam fichas para telefonar!) e crianças que pagavam para “dar milho aos pombos”.
Hoje em dia não sei nem se ainda existem pombos nessa quantidade lá, a única coisa que me importo mesmo é de preservar a nostalgia e a saudade que tenho de uma época que, infelizmente, não volta mais e que talvez seja impossível reproduzi-la em palavras tão bem quanto a memória o faz.

Nesses momentos mágicos em que meus passos ainda não eram tão firmes e que minha felicidade era um picolé da (extinta) Yopa, ela era a pessoa que estava sempre comigo. Fosse para alimentar despretensiosamente os pombinhos do Centro, fosse para limpar minha boca após o picolé de chocolate, fosse para se desdobrar em dinheiro e me dar de presente aquele brinquedo que eu tanto queria, lá estava ela: aquela figura denominada mãe, alcunha que me espantaria muito não ser uma outra forma de se denominar os Anjos.

Hoje me lembro com carinho as tardes das férias de verão, das festas infantis, dos passeios, das viagens em família. Lembro do purê de batata, do ovo cozido com sal, da sopinha de letras e a bronca pra não fazer barulho ao “sugar” o caldinho. A galinha azul que enfeitava a cozinha não está mais lá e a cozinha também já não é mais a mesma. A casa também não. E nós também não somos mais as mesmas. Posso lembrar das dúvidas do ginásio, da pesquisa sobre provérbios, da primeira aula de sapateado, e da primeira aula de música onde ouvi a Canção do Expedicionário (sem saber que ela iria escrever o curso da minha história).

No dia 2 de junho de 2008 eu saía de casa para nunca mais voltar. Foi neste dia que ingressei na Escola de Especialistas de Aeronáutica e foi a partir desta data que aprendi o significado da palavra mãe e a falta que ela faz. Não é preciso dizer muito, palavras não definiriam com precisão o que eu sinto. Atualmente na Academia da Força Aérea, hoje preciso aproveitar cada apertado final de semana que volto para casa, quando dá para voltar. Embora esteja vivendo um momento único na minha vida, a saudade só não é maior porque sei que por onde eu estiver, ela também está; em pensamento, em orações.

Cheguei até onde quis com espírito alerta. E agora, já no crepúsculo dos sonhos, das vitórias, dos amores, das dores, do "MACTE ANIMO", eu me volto à realidade e vibro... E vibro, justamente porque foi esta mulher, mãe, amiga que me proporcionou os alicerces para a vida. Percebo que tudo, toda nossa história, vontades, aspirações, fotografias, vida e sonhos ainda ficam guardados num cantinho só nosso. E é por isso que às vezes não tenho vontade de voltar. Mas eu volto. Por que? Porque além de tudo é preciso alçar vôos cada vez mais altos...

Mãe! Que possa a vida ofertar-me filhos; Que possa eu ser para eles o que fostes para mim: um exemplo de amor. E que a fotografia perpetue no tempo através de gerações e gerações contando a sua história...

10 comentários:

Groo disse...

É um belíssimo texto, uma belíssima homenagem. Há lugares, situações que podem não ser assim tão especiais, mas com a mãe torna-se mágico.

E que saudade da Yopa! rssss

abs e parabéns pela bela homenagem!

palavras ao vento disse...

sempre e bom recorda oke foi bom pra nos...as fotos, musicas, akeles momentos que sempre ficaram na memoria...e não eskecendo feliz dias das maes..para todas as maes ...

Fabricio bezerra da guia disse...

música nostalgica,texto nostalgico,uma bela homenagem ao dia da mães

Marina L. disse...

mãe, aquela que sempre esteve conosco, em todos os momentos.


lindo texto *---*

vc descreve muitissimo bem ;)


passa no meu?
http://pointche.blogspot.com

Bersebah disse...

Pode deixar vou dispensar a parte que o blog é legal.heheeheh

Tenho a dizer que gostei da composição dele, do layout, e do titulo engraçadinho, com a menina rindo, e as palavras que escreveu.
Deram a mim um tom de infancia, liberdade de algume que não tem vergonha de dizer o que pensa(apesar de ficar um pouco encabulada, baseando me pela imagem).

Quanto a musica do post tambem gostei, lembra tempos antigos, onde tudo era mais facil sinceramente...

Bonita mensagem que passou, falando sobre o passado que viveu, como tudo era encantador(a imagem e a musica fazem nós leitores sentirmos isso),e as coisas que faziam lhe feliz.

Nela expressa tambem uma mensagem para sua mãe, e para(inplicidamente) todas as mães e sua maravilhosa, porem desgastante tarefa, de sempre cuidar de nós, e nos alimentar fisica, e moralmente.

Pode ter certeza que Deus um dia a de lhe prover filhos.
Mesmo que não o faça, se tiver vontade mesmo de divider o afeto com alguem, de ser mãe, podera tambem adotar uma criança, pois são muitas precisando de amor e carinho por ai.

Bonito o que escreveu, alem de tudo escreve muito bem.

Fica com Deus, um grande abraço!

Erica disse...

Muito lindo
Parabéns mesmo!

Luiz disse...

Foto linda e bela homenagem. Todas as mães merecem. Parabéns.

JúNiOr_DeSeNhO disse...

[Ia dizer que o blog tb é legal, mas vou dispensar como vc pediu ;)]

Seu texto é tão bom de ler! Vc escreve tão bem e tem tanto pra falar!! O que eu posso opinar aqui... Só posso dizer que mãe é mãe e que ela sempre está conosco, SEMPRE!

Paula Martins disse...

Eu tenho reclamado em vários blogs cujos donos fizeram homenagens cliches, mas tenho que admitir, a sua realmente foi mto boa! Assim sim vale a homenagem! Parabéns pelo texto.

CG FILM PICTURES disse...

Que texto lindo,me lembrou como era os anos em que existiam orelhões de fichinha e que homenagem a mãe, hein? Muito bom!
Parabéns.

Beijinhos de Rozangela Melo
Se quiser retribuir a visita, fique à vontade...
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