domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sessão No meu tempo...

Eu me lembro até hoje da sensação de sentar-se na cadeira escolar que era quase o dobro do nosso tamanho, olhar para o quadro negro e imaginar a vida da professora. Será que ela gosta de crianças? Será que tem filhos? Será que tem bom humor? Será que vai com a minha cara? Será que vive como a gente vive?

Bons tempos são esses de escola. Tolas e imaturas preocupações. Pueris imaginações. Mundo novo que se vai descortinando aos poucos, apaixonadamente. Números que assustam. Palavras que encantam. Cheiro de merendeira que carrega Mirabel e suco de groselha que mancha a camisa do uniforme. Uniforme que chega branco e sai como se todas as crianças tivessem dado uma volta por todos aqueles lugares que a professora de História do Brasil contou, por todos os países mais distantes que a outra Tia de Geografia as fizeram conhecer. Estojo que cheira a giz de cera e cola colorida. Rostos presenteados com pequenos brilhos de purpurina que não saem nem no banho. Franjinhas grudadas na testa suada. Dever de casa. Camisa pichada no final do ano. Hora da saída com muita correria pelas ruas, mães enlouquecidas e a velha pipoca, vendida todo fim de tarde pelo velhinho da porta da escola. O passeio ao Jardim Zoológico, ao Jardim Botânico, o medo das plantas carnívoras e o pé de feijão plantado num copinho de café com algodão.


A tarde que saiu mais cedo, o menino que abriu a testa, a troca de figurinhas e a moda ter aquilo e aquela outra coisa também porque todo mundo tem. Pesquisas sobre os planetas, na época que Plutão ainda existia, com bolas de isopor pintadas a guache durante a tarde toda, mas nenhum trabalho acerca do medo do fim do mundo e nem mesmo dos efeitos da falta de água, essa que fazia parte dos banhos de mangueira das férias de verão. Ah !

Chega você agora e diga que não era bom. Eu duvido que as lembranças não sejam boas. A gente toda tem saudade dessa vida que nem parece mais possível para ninguém. As escolas não são mais iguais, os tempos não são mais os mesmos e quanto mais ele passa, mais sinto falta de uma época feliz, incrivelmente feliz.

O mal é que apenas sentimos...

23 comentários:

Frank Morgan disse...

Caraca,seu pensamento realmente bateu com o meu nos dias de aula.
Certas professoras no meu colégio não tem filhos e falam na nossa cara que não gosta de crianças,imagina isso.
como nós não somos tão crianças assim,os alunos retrucam,xingando a professora,ai já viu né?
Coordenação na certa.
Bom texto moça.
Beijos
http://polvoloko.blogspot.com/

Bruna Battirola disse...

O seu texto me trouxe algumas boas lembranças, acho que todas elas...porque sinceramente elas foram poucas. Não sinto falta, estaria mentindo de dicesso o contrário... a vida, para mim, começou na faculdade...descobri o carinho dos amigos e descobri o amor, ainda que hoje esteja desistindo de tentar ser feliz com essa pessoa... Mas nada é mesmo igual a nossa infancia...

Ícaro Vinícius disse...

Esse texto veio justamente na época em que estou começando a sentir a falta de tudo isso, primeiro ano de universidade, as lembranças vêm à tona... mas é notável que o que vivemos hoje, nossas vivências e preocupações, serão nostalgiadas após certo tempo, minhas aulas de cálculo serão saudosas como o feijão no algodão no copinho de café...


Abraços!

Andre Logan disse...

Eu lembro que conversava igual pobre na chuva... putz, não ficava calado um minuto... toda reunião de pais os professores só reclamavam do tanto que eu conversava... jakajkajkajakjak

filosofia do sexo disse...

vixi quase toda aula eu ia pra diretoria de tanto conversar

mas o q me deixava feliz é q eu chegava la e dizia:

- como q eu possso atrapalhar se minhas notas sao as melhores do colegio.

isso sempre me salvava

os professores rotulam os alunos por nota

se vc as tem tanto faz sua diciplina
rsrsrs

abraço


http://filosofiadosexo.blogspot.com/

Jonathan Alves disse...

Nossa, seu texto me fez ver um muleque remelento e atentado, �tima epoca aquela que n�o tinhamos problemas a vida em sua maior parte era divers�o, mas crescemos o como voc� disse, nos resta as doces lembran�as!!!!
Parab�ns!

http://k4osss.blogspot.com/

Thaís France disse...

Ah, é bem verdade. Sobretudo, gostei muito do blog...! Bom domingo aí, Caroline. Abraço cordial, :)

Nathy disse...

Adorei o seu blog. Me identifiquei demais. Parabéns pelas palavras, pelo jeito simples e envolvente de escrever. Se quiser podemos trocar links. Quero voltar mais vezes...Beijos!

Caroline disse...

Nathy, deixa o endereço do seu blog! bjs

Gênese disse...

nossa...sempre sinto tristeza por aquele tempo ter acabado!

adorava aquilo...mas cada final é um recomeço e sei que tambem um dia vou sentir falta do presente momento...então o negocio é aproveitar...sempre...

O tempo é tudo.

www.causagendi.blogspot.com

^^'

BLOGDOED disse...

Dois comentários:

1) É muito bom quando, na brincadeira do "coemnte o blog acima", o blog acima é o teu. Acho vc uma das melhroes escritoras da bloguesfera.

2) Estou revivendo essas emoções que você descreve no teu texto, com minha filha. é impressionante como ela tem esses mesmos pensamentos que foram teus, meus e de outros leitores.

Vc é melhor do que imagina.

Continue escrevendo!

bjos

Nana Lopes disse...

Reminiscencias da infancia sao sempre deliciosas...

Adriano disse...

Eu tbém tenho saudades dessa época que infelismente não volta mais...e fico pensando como será quando meus filhos chegarem lá...será que irão ter a camiseta pichada como eu tinha todos os anos?...será que irão tbém brincar de pega pega e de roda como nós brincávamos todo o recreio...aliás, até o recreio já deixou de ser recreio e passou a ser intervalo já...Mas quem sabe como será daqui a alguns anos??...Vamos esperar pra ver...

Bjus e passa no Humoricando quando quiser e puder...

http://humoricando.blogspot.com

Mlle.Lilith disse...

Ai,que saudade do colégio! Eu lembro quando tinha uma lancheira que era a cabeça da Mônica,como eu odiava aquilo!
Era quse impossível segurá-la e arrastar a minha mochila de rodinhas ao mesmo tempo.

Hoje eu daria tudo pra voltar...

;*

Carlos Vin disse...

Ah! Nostalgia!
É bom lembrar desses tempos q a gente cresce com os pequenos e simples detalhes da infância...
Mirabel...rs... Mirabel é minha infância...
até hj qdo eu sinto cheiro de Haffle de morango eu me lembro da infância.. é certo!

Um abraço!

Teresa disse...

carambaaaaaaaa
você me fez lembrar muuuuuito da minha época de pirralha. nas cadeiras maiores que eu heheh
e principalmente pq eu sempre fui a mais novinha de todas as turmas que peguei, pq eu pulei uma série.
hehehe

=*

Camila Libanori disse...

Quem nunca plantou feijão no algodão que atire a primeira pedra huHAUhau!
A franjinha colada de suor, os joelhos arrandos com "mercholate" (não sei ao certo como se enscreve) vermelho!

Bons e inesquecíveis tempos!

bjO!

Nilza disse...

Isso ai!

Penso que só damos sentido real das coisas quando já passou ou a perdemos.

Adorei seu texto menina querida.

beijos

Camila Libanori disse...

Ola!
Deixei alguns presentinhos a você em meu blog!
Seu blog é muito bom!
bjO!

Lica disse...

Hum,
Escola a gente lembra como um tempo bom , mas no repsente escola não era bom , era chato e desgastante e vc só pensava em crescer , em ser algume e sair de casa , para não ouvir mais a sua mãe todos os dias,
Até hj me pego tentando desvendar a vida de meus professores da faculdade , mas é bem assim: o que será q aconteceu com ele pra ser tçao mau amado ,sera separado , traido , hauaha!
Era bom e eu não sabia,
adorie o blog, todo mundo indica seu blog, parabéns

bjokas

Camila Libanori disse...

Ola!
Claro que sim! Já te add aos favoritos! =D

Então eu ganhei os 5 e passei os 5 então sinta-se a vontade par pegar quais quiser ou até mesmo os 5!
bjO

Nilza disse...

Tem um carinho lá pra vc..
beijos

Alcione Torres disse...

Poxa, vc me fez lembrar do cheiro da minha merendeira: suco de maracujá e mirabel!
Muito bom!