sexta-feira, 23 de maio de 2008

Empty City

Acordou estranha naquele dia. Fazia muito frio. Olhou pela janela do seu apartamento, o dia estava cinza, o ar gelado. Não havia ninguém nas ruas. Vazio absoluto. Olá-aaaaaa, gritou para que pudesse ser ouvida. Nenhum barulho do outro lado. Gritou novamente. E, outra vez, obteve o silêncio como resposta.Vestiu apressadamente um grosso casaco vermelho e nem se lembrou de comer alguma coisa.

O despertador havia parado às três horas da manhã. Não havia luz na casa, não sabia que horas eram, mas pressentia que deveria estar atrasada, muito atrasada. Desceu as escadas num só fôlego e chegou ofegante lá embaixo, depois de encarar sete lances. Após recuperar a respiração, colocou-se a caminho do centro da cidade, a pé mesmo, pois não havia ônibus, nem táxis, nem mesmo alguém que passasse numa simples bicicleta. Na verdade não havia nem uma única alma viva.

Enquanto caminhava, se afogava em pensamentos. "Todos devem ainda estar dormindo, houve um black-out geral, nenhum despertador tocou, ninguém amanheceu, por que chegarei ao trabalho se meu chefe ainda deve estar em casa no mais profundo sono? Aliás, por que é que eu estou tão preocupada com o meu trabalho se o mais preocupante é esse dia ter amanhecido tão esquisito? E se o mundo tiver acabado? Terão todos morrido? Serei a única sobrevivente?"

No meio do caminho, parou. O frio estava insuportável. Apertou os braços contra o peito e resolveu voltar. Um vento forte desgrenhava seus cabelos e sacudia com ferocidade as árvores da rua, fazendo à sua frente surgir um redemoinho de folhas amareladas e secas. Com muita dificuldade, conseguiu retornar os três quarteirões que já havia andado. Entrou no seu prédio, tomou coragem para enfrentar os sete lances, subiu. Largou a bolsa no sofá e estirou-se na cama, olhou para o teto, olhou a sua volta. Estava perdida. Estava só naquele mundo gigante. Não havia mais ninguém. Nem como se desesperar.


Não se sabe quanto tempo ficou ali, pensando, até que adormeceu. Quando voltou a acordar, olhou para o relógio, completamente atrasada para o trabalho. Lembrou-se de que o mundo havia virado um grande vazio absoluto, que agora a pouco andava perdida no meio do nada. Voltou a tentar pegar no sono. Dormir, talvez, seria a salvação. Quando estava preste a adormecer pela segunda vez, uma buzina feroz pôde ser ouvida lá da rua. Num só ímpeto levantou-se e abriu as cortinas. Um sol quente brilhava anunciando o dia. Lá embaixo as pessoas se movimentavam no furor de pleno... Meio-dia!


Meio-dia?!


Saiu apressadamente. Esqueceu-se do elevador. Desceu as escadas num só fôlego e chegou cansada lá embaixo, depois de encarar sete lances. Após recuperar a respiração, chamou o primeiro táxi que passou na sua frente. Entrou esbaforida. Destino: Centro da Cidade! Encostou a cabeça no banco. – Meu Deus, que sonho maluco, como vou chegar agora, essa hora no trabalho?

Concentração. De repente sentiu um súbito calor no seu corpo, estava suando. Percebeu que vestia um grosso casaco vermelho. E, preso nele, uma pequena folha amarela e seca desgrudou e caiu no banco no carro.


- Pois quem é que nunca se atrasou por coisas estranhas e involuntárias que acontecem pela madrugada? Quem é que inventou que todas as desculpas são esfarrapadas?





8 comentários:

Philipe disse...

Parabens pelo blog

mt interessante



Veja tbm philipecardoso.com

Bruna disse...

talvez pessoas achem que é tudo desculpa esfarrapada porque não eram elas que passaram pela situação.
ninguém melhor que nós mesmo pra entender nossos desvameios e esquisitices..

;*

Garbo disse...

hahahahahaaha final magistral "quekm é q inventou q todas as desculpas sao esfarrapadas"

pode começar outro texto daí...

só uma humilde sugestão, na parte em q fala dos pensamentos dela ponha entre aspas ou travessoes, pq senao fica parecendo q vc errou o tempo

Caroline disse...

Sim, Garbo! Na verdade estavam, mas tava saindo um caractere estranho no lugar... agora consegui pôr! rs ;)

Hugo disse...

E será que as tais razões existiam???
Adorei o blog meo...
Logo na cara o all star eu já vi que vinha coisa boa por aí.. rs

Passa lá no meu: www.blogdohugo.blogger.com.br

Karla Nazaretth disse...

interessantemente nonsense (-:

Douglas Lourenço disse...

bem interessante

João disse...

conto fantástico, muitíssimo interessante, captura a sua atenção de início a fim. me inspirou para uma canção, mas n se preocupe, se um dia rolar, darei devido credito