domingo, 4 de maio de 2008

A Pedra mais Alta

Não, assim não podia ficar. Era preciso conter as rédeas. Era preciso saber onde terminava a tênue linha que separa a razão e a emoção. Era preciso saber o que ele fazia ali, naquela pedra mais alta. Era preciso saber tanta coisa...

Dentro de si, turbilhões de pensamentos jorravam através de lágrimas incontidas. Ele parecia tão pequeno de cima da pedra mais alta e ao mesmo tempo tão dono de uma imensidão quase infinita...

E pensava no final. Feliz ou não? O vento estava forte, seria tudo tão rápido e tão intenso como coisa de filme. Fácil, não ? E pensava também em quantas coisas deixava para trás, embora não soubesse muito bem que coisas eram essas, afinal eram coisas que o perturbavam de tal maneira que se encontrava ali, em cima da tênue linha que separava a razão e a emoção.

Então mais um passo. Para frente. O medo fica maior de cima da pedra mais alta. Agora faltava bem pouco, podia perceber que seu corpo inclinava. Ali de cima, via todas as vidas que se movimentavam lá embaixo. Via o sol, o mar agitado abaixo dos seus pés, tão cheio de perigos e ao mesmo tempo, espelho do céu. E a viu. Enxergou-a sorrindo lá de cima. Contemplou teu ar, teu movimento... um sonho.


Então mais um passo. Dessa vez para trás. Bem sabia da sua dificuldade na terra, mas que graça teria se fosse tudo tão perfeito? Tudo fica mesmo confuso ali de cima !

Outro passo. E mais outro. Afastou-se o quanto pôde da tênue linha. Estava seguro agora. Ia descer, ia embora, queria ela inteira e a sua metade de volta.


Parou. No rosto, o suor e o desespero. Parou. E então percebeu o quanto estava longe. Tão longe que sentiu falta da imensidão toda aos seus pés. Juntou todas as forças que podia com toda a vontade que tinha e correu para onde estava. Correu na direção da pequena linha. E saltou.

- Vou mergulhar, talvez bater a cabeça no fundo, mas vou nadar junto com a sereia bonita, todos os mares do mundo...!



(Inspirado na Trilha Sonora de O Teatro Mágico)

10 comentários:

Daniel Augusto disse...

Encontrou um caminho...


juntou seu corpo a lua na água, junto sua alma a lua do céu...


^^"


gostei do devaneio
prosisticamente pouco turvo
como cem gramas de centeio...


bye


http://www.causagendi.blogspot.com/

Ana Marques disse...

Fundir-se ao mar e à imensidão, unir-se ao TODO e sentir-se parte do Universo.
Ser UM e ser NENHUM.
Nadar com a sereia bonita, com a lula gigante, ver o Titanic e caçar um tesouro.
Ser tudo ao mesmo tempo e ser nada em meio à grandeza.

Lindo conto. Estrutura poética, daquelas que nos fazem querer ser o personagem porque uma parte dele está dentro de nós.

Está nos favoritos!
Beijos!

Euzer Lopes disse...

A tênue linha que separa a razão da emoção pode ser a mesma linha que separa os covardes dos corajosos.
Onde é que ele estava? E para onde ele foi?

Luciana Carvalho disse...

Você pede um comentário inteligente, e eu estou sem inspiração. Ia dizer que adorei seu blog e suas idéias, mas vi o aviso ali em cima. Você me pegou!
Acho que bati com a cabeça no fundo...

Daniel disse...

Ótima fonte de inspiração...
gosto muito de TM também...
E sobre o conto, deu vontade de pular também ^^

UNDERGROUND. disse...

Tudo acaba ou começa depois do salto?

=D

Gostei do teu blog

history- disse...

Oi obrigado pelo comentario lá no meu blog!!! e tirando a sua duvida, dentro do filme harry potter horcruxes é um objeto q guarda um pedaço da alma de uma pessoa!!!

eu já tinha respondido em cima, mas vc não leu!!!


até +++


http://horcruxesdohp.blogspot.com/

Rapha disse...

Não sou tão inspirado assim mas...

quando vai aparecer? Já te passei meu e-mail e msn rs.

Grande bjo, me conta as novidades!

Teresa disse...

heheh
assim q li o título, pensei: "Teatro mágico! Oba!"

hehehe

e li o texto e simplesmente amei

=*

Nilza disse...

Lindo Carol!!!!!!!!!!!

Intenso o salto.
Beijos