sábado, 13 de dezembro de 2008

O Peixe Roncador*

"Há tanto tempo que eu deixei você
Fui chorando de saudade
Mesmo longe não me conformei
Pode crer
Eu viajei contra a vontade..."
(Roupa Nova - A Viagem)



Saudade é assim: a gente só entende quando não tem mais a certeza dos que são queridos por perto. Bastaram três dias na cidade de Pirassununga, SP, para que eu entendesse que família, por mais estranha que seja, nunca é tão estranha quando fica longe. Fazem quase cinco dias que voltei para o Rio de Janeiro e nunca dei tanto valor a pequenos momentos curtidos junto com as pessoas que dividi os vinte e quatro anos da minha vida. Domingo é dia de viagem, dia de enfrentar quase noves horas num ônibus que me distancia de quem amo, distancia-me do conforto e da segurança caseira para me atirar na ingrata vida militar, não mais ingrata por saber que eu mesma a escolhi.

Nos poucos dias em que estive na cidade de Pirassununga (minha futura moradia pelo menos nos próximos quatro anos) pude perceber que estive aterrorizada (vide post anterior) à toa. É evidente que a cidade não pode sequer ser comparada a uma vida carioca (embora tenha até uma estátua de Cristo Redentor na entrada da cidade), mas é confortável. O comércio local no centro de Pirassununga não é contestável. Encontra-se nele até mesmo as Lojas Pernambucanas, cuja qual não vejo mais desde minha tenra idade.

Sorveterias aos montes, uma em cada esquina. Bares, restaurantes, ponto turístico como Cachoeira das Emas (ainda que eu tenha tentado procurar atrativo lá e não tenha encontrado), vale a pena pelo passeio. Uma praça com coreto, igreja, mercados, faculdades e meu trabalho na Academia da Força Aérea, ocupando uma área muito maior do que a própria cidade.

O único problema que encontrei em Pirassununga foi a distância de alguns lugares (principalmente de onde moro até a Academia). Muitas ladeiras e a necessidade iminente de se comprar um carro. Afora isso, a cidade do interior de São Paulo que fica nas proximidades de Ribeirão Preto, não é tão feia como pintam ou pelo menos, como pintaram para mim. Acredito que conseguirei sobreviver aos próximos poucos anos que vêm pela frente, ainda que meu coração sofra por estar longe do Rio de Janeiro (apenas pela família), por não estar montando residência na capital mineira dos meus sonhos, apenas por saber que onze horas da noite eu posso sentar fardada no Bigode Lanches e pedir uma porção de "fusquinha" (leia-se batata-frita) sem me preocupar em ser assaltada. Tem coisas que realmente eu ainda não estou acostumada !



*Pirassununga é uma expressão tupi que significa peixe roncador. Este nome foi dado por causa do fenômeno da piracema: todos os anos, em dezembro, os peixes sobem o rio Moji-Guaçu para a desova e, no esforço para nadar contra a correnteza, emitem sons semelhantes ao de um ronco.

6 comentários:

Lucas disse...

Eu creio que vá passar por isso o ano que vem e estou tentando aproveitar ao máximo os momentos aqui em casa. :/~

Fabio Thiago disse...

não há lugar melhor no mundo do que nossa casa, com nossa familia, é so se distanciando que agente percebe isso, nossa desejo toda sorte do mundo p/ vc nesses 4 anos e força para superar a saudade quando ela bater.
bjs

amandaedalete disse...

Verdade! É nas pequenas coisas que vemos como elas são importantes para nos

Hailton Junior disse...

"Bem... Podemos dispensar aquela parte de que o blog é legal e tal..."

... então tá cê quem sabe... é um lixo. kkkkkkkkkkkk
brinks!

Eu vou add nos favoritos pra ler suas histórias.

Deka Silva disse...

Deve ser uma cidade bem charmosa.
Mas também não gosto de ladeira!!

Maju disse...

não importa o quão bonito seja lá fora, a nossa casa é o melhor lugar do mundo! gostei dá estória, vou adicionar pra continuar lendo! :*