terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Companheiros, viver é lutar! *

Fernão Capelo Gaivota

Falar das coisas que podem também nos representar, não é fácil. Andei durante muito tempo observando o espécime humano. E pude chegar muito rápido a uma conclusão (muito mais rápido até do que eu gostaria): nós apenas nos diferenciamos dos animais pela simples e inútil capacidade de refletir sobre a própria morte. E, claro, não vale dizer que pensamos, desenvolvemos e criamos, pois os animais são capazes da mesma façanha. Pois bem. A minha visão acerca da natureza humana sempre foi invariavelmente muito pessimista. E isso me inclui, obviamente, embora eu tente nadar contra um mar de correntezas quando tento provar para mim mesma que ainda deva existir algum sentido (muito além das nossas capacidades de entendimento), para tudo isso o que somos e em que estamos nos transformando. Estou incluída na classe daqueles que estão inconformados com essa sociopatia que parece abater a humanidade. Infelizmente não sei conviver com pessoas que não se sentem estimuladas com a vida. O que eu observo é gente reclamando do seu dia-a-dia sem mover uma única palha para mudá-la. Mas ainda pior do que isso é perceber que se torna muito mais fácil para elas o jogo do empurra: onde um passado distante e não muito belo recebe toda a culpa das frustrações presentes e, comodamente, as futuras. Tenho ouvido coisas absurdas e medíocres. Não sei se é porque cresci ouvindo que “quem não cai da escada não aprende a levantar e quem não pula o muro não aprende a se arriscar” que por esta razão não lamento minhas perdas e fracassos a não ser que seja para me sentir mais impulsionada para lutar. O bom da vida é que não estamos condicionados a uma situação eterna e imutável. O bom da existência toda é que podemos escolher entre uma boa ou má condição, uma felicidade ou uma tristeza. Mas o bom mesmo é que podemos correr atrás com as nossas próprias pernas e lutar para chegar ao pódio. Ainda que o complexo processo do sistema vital nos seja desconhecido, ainda que nem tudo seja exatamente como a gente quer, tenho optado por ser feliz. Eu quero chegar lá. Mas lá mesmo, depois daquela linha do horizonte. Consegue ver? Não? Eu vejo. Porque eu quero ir além dos limites que me são impostos pelas dúvidas. E você?


* O Título deste Post refere-se à trecho da Canção do Especialista de Aeronáutica.
** O vídeo postado refere-se à trecho do clássico filme "Fernão Capelo Gaivota".

3 comentários:

Arash Gitzcam disse...

As dúvidas nos fazem pensar e refletir, formam nosso spensamentos é uma incógniota importante...

Joyce Kelly disse...

Eu? Sim... Eu também quero ir além desses limites, eu também quero chegar ao pódio. Sei que para isso, devo lutar e sempre persistir, e isso, eu farei.
Excelente texto.
Abraço!

http://emsimplespalavras.blogspot.com/

luiz scalercio disse...

bellissimo texo td
que esta escrito
eu concordo.