segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Senta que lá vem a história...

"(...)O menino maluquinho não conseguiu segurar o tempo! E aí, o tempo passou. E, como todo mundo, o menino maluquinho cresceu. Cresceu e virou um cara legal! Aliás, virou o cara mais legal do mundo! Mas, um cara legal, mesmo! E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho... Ele tinha sido era um menino feliz!"




Ziraldo


Dia desses, navegando por terras Orkutianas, conheci uma comunidade que falava dos brinquedos da minha geração. E quando falo em geração, refiro-me à infância dos anos oitenta e início dos noventa. Eu sei que meus incautos leitores irão dizer: “Nossa, mas que assunto clichê! Todo mundo pensa que seu tempo era o melhor.” Pode até ser que a geração dos anos cinqüenta tenha sido melhor do que a dos anos sessenta e essa melhor do que a de setenta e por aí pára. Simplesmente porque, no quesito criança, é quase indiscutível que a geração 80 viveu uma realidade inesquecível. E isso é fácil comprovar perguntando para qualquer um que tenha lá seus vinte e poucos anos. Nasci em 1984. Hoje, na minha idade atual, curtindo ainda muitas coisas infantis e gastando uma parcela salarial em brinquedos e especialmente coleções antigas, faço questão de proporcionar à minha sobrinha, por exemplo, uma infância menos enganosa. Por que enganosa? Porque lamento muito por crianças que pensam que se divertem com jogos eletrônicos (e muitas vezes agressivos), computadores ultra-equipados, passeios em Shopping Centers ou novela das oito. Sim, porque eu acho assustador ver criança assistindo novela de “gente grande”, uma vez que nem eu mesma consigo assistir. É por essas e outras que agora quero fazer um passeio no túnel do tempo. Se recordar é viver, quero viver de novo a sensação indiscutível de puerilidade e liberdade que existia nos jovens corações. Porque não há jeito de voltar atrás. Porque é impossível exigir que atualmente as coisas sejam como eram antes. E porque a infância não é eterna, infelizmente passa. Entremos na Máquina do Tempo. Vem comigo?





Quem nunca comeu um desses caramelos que atire a primeira pedra! Eu me lembro que minha avó comprava uma porção deles e eu comia um atrás do outro, sem pestanejar. Ele tinha um sabor inconfundível e sua embalagem clássica deixou saudade. Hoje as crianças chupam caramelos? Não, chupam Halls. E preta. Isso me causa medo.






Chocolate Lollo. Hoje em dia ele vem numa caixinha de bombom da Nestlé e é conhecido como Milkbar. Seu sabor, infelizmente, não é mais o mesmo também.





Cigarrinhos de Chocolate. Politicamente incorreto né? Mas a gurizada gostava de tirar onda com ele, mesmo na inocência do “não saber” o mal que cigarro realmente faz. Era bom imitar os adultos, na época, influenciados pela mídia dos Marlboros.






Mola Maluca. Quem é que nunca a colocou no topo de uma escada só pra vê-la descer os lances todinhos? E quem é que não acabou quebrando-a ao tentar estica-la demais?








Essas canetinhas da Playcolor também deixaram saudades. Elas vinham com uma canetinha branca que apagava a cor das outras. Era bom, pois assim a gente podia “borrar” à vontade e fazer efeitos muito legais nos desenhos.








Lango-Lango. Eu tive um boneco desses. A gente colocava a mão dentro dele e ficava manejando dois botões, que tinham a função de fazer o Lango-Lango dar socos, como lutador de boxe.






Esse é o Murphy. Diz minha mãe que eu tinha medo desses macacos. Não lembro disso. O que me recordo é de um Natal onde provavelmente fora combinado com uma vizinha de tocar a campainha lá de casa à meia-noite. Abri a minha caixa e tinha um Murphy lá dentro. A gente apertava a barriga dele e ele emitia um som tipo arroto.




Esse é o famoso Pirocóptero. A gente chupava o pirulito e torcia para que ele acabasse logo para ficarmos girando o palito no ar depois. Uma vez, quando fizemos obra na casa em que morávamos e eu já era adolescente, achei um pirocóptero enterrado no chão! Quanta história aquele brinquedinho não devia ter...




Pogobol. Esse eu me recuso a falar. Sabe aqueles recalques infantis? Sempre quis ter um e minha mãe, precavida do jeito que era e conhecendo a filha que tinha, não me deixou ter um desses. Pôxa. (PS: O Blogger é site de Malandro e encrencou com o minha imagem do Pogobol. Que CUUU).


O clássico. Falar dos anos 80 e não citar este cara é o mesmo que falar do Rio de Janeiro e não citar praias. Fui uma fã de vídeo-games. Comecei com este rústico Atari, passando por outras variações do mesmo, tive um Master System, um Mega Drive e um Nintendo. Aí cresci. Lembro dos “Jogos de Verão”, do “Enduro”, “Pac-Man”, “River Raid” e um bonequinho que ficava
pulando em blocos de gelo na neve. Até hoje me lembro do barulhinho chato que tinham esses games e de quando era preciso “soprar” a fita para ela funcionar.


Quantas tardes felizes passaram na minha infância cercada por essas coisas que, na época, eram novidade e faziam a alegria da criançada. Quanta saudade tenho das brincadeiras no quintal, na piscina, na rua. Essas lembranças aí de cima não são 1% do que minha geração viveu. Nós fomos o público do Topo Gigio, Vovó Mafalda, Bozo. Fomos baixinhos da Xuxa, víamos nossas mães assistir Note & Anote, crescemos assistindo Carrossel, Tom & Jerry, Picapau, Punky – a Levada da Breca, Alf, Família Dinossauro, Smurfs, Muppets Babies. Fomos crianças de passar as tardes brincando com o Forte Apache, torturando soldadinhos de plástico, montando casas inteiras com Lego e Playmobil, fazendo do tanque de lavar roupa, o clube e a piscina da Barbie, brincamos de massinha. Fomos crianças de encontrar joaninhas e “bicho-fedorento” nos quintas. Colecionamos figurinhas, jogamos gude, bafo-bafo, mico-doido. Tomávamos sacolé e fazíamos muita caligrafia na escola.

Eu não sou nostálgica, apesar de parecer. Apenas sinto-me na obrigação de me revoltar com um mundo onde se acabou a fantasia, os sonhos, as brincadeiras de crianças. Talvez sejamos nós que tenhamos construído isso. Hoje, vejo bons cientistas, curas de doenças sendo encontradas, especialistas e inventores. Todos eles cresceram comigo. Como serão os adultos do futuro que hoje crescem cercados de excessiva proteção, falta de liberdade e entrada precoce na adolescência? Como serão os adultos do futuro, filhos de famílias desestruturadas, de pais e mães desnaturadas? Criados por avó?

Não sei se quero ficar bem velhinha para ver o que vai acontecer. Mas enquanto puder manter viva a lembrança de uma época feliz, incrivelmente feliz, assim o farei.

4 comentários:

Dielma disse...

É bem como vc disse, acho q não importa em q década foi nossa infância, sempre vamos ter recordações inesquecíveis!
Adorei. Bjo

Gutt e Ariane disse...

Essa nostagia é realmente impressionante! São lembranças que valem sim ficarem bem reservadas em nossa cabeça!
Nossa infancia será bem melhor do que a dos nossos filhos, que por mais esforço que façamos, acabaram de uma forma ou de outra, escravos da teccologia...

Anônimo disse...

Adorava aqueles caramelos, impresisonante como o tempo passa, nem lembrava mais, agora Atari é eterno, semnpré será o rei dos videogames, parabéns pelo suadoso post.

BLOGdoRUBINHO
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Pobre esponja disse...

Lollo! Será que não existe mais- eu não acho!! Nossa, a saudade veio pelo estômago e a saliva agora...
Atari é clássico, jogo até hoje!

até
Pobre Esponja