segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ninguém Segura Esta Cadela

É bem verdade que os cães nasceram para viver em matilhas. Mas confesso que acho meio estranho pensar numa matilha de Poodles, por exemplo. Esta raça parece que foi feita apenas para servir de enfeite, se não fosse o latido estridente fazer sempre notória a sua presença. O mesmo não ocorre com os Beagles. Estes nasceram para caçar e naturalmente seria compreensível que não aceitassem de bom grado sua existência fadada ao aprisionamento de um apartamento. Por mais que os levemos para passear por aí, sempre se mostram eternos insatisfeitos com essa pouca liberdade concedida.

Aqui na minha casa tenho uma Poodle e uma Beagle. E essa diferença temperamental pode ser vista a cada porta aberta: enquanto a Poodle observa o movimento de entra-e-sai do apartamento, a Beagle se esgueira pela mais ínfima abertura e aproveita para dar uma escapulida pelos andares do prédio. Acontece que eu nunca me importei muito com isso porque a bem dizer da verdade ela sempre acabava voltando. Não era preciso esperar quinze minutos, sua fidelidade permitia reconhecer o oitavo dentre dez andares e entrar certeiramente no mesmo apartamento de onde saiu.

Então, dia desses, numa outra fuga, não me descabelei, esperei seu provável retorno tranqüilamente, quando o tempo começou a trair a minha confiança: ela não voltava de jeito nenhum. Nem o barulho de suas unhas subindo as escadas por entre os andares podia ser ouvido, estava silêncio e a única pista de que ela havia descido mais lances do que o costume foi quando observei um dejeto seu nos corredores do segundo andar. Desci com uma pressa anormal e, como o condomínio onde eu moro é bastante grande, fui atrás de pistas do paradeiro da Dulce Maria, a Beagle (mal comparadamente, nessa hora deu para imaginar o desespero de uma mãe quando perde seu filho!).

O porteiro viu e disse que ela seguiu adiante, a moça que estava sentada num banco também viu, o rapazinho que passava também viu, ou seja, ela passou por tudo e todos, não se deixou pegar e acabei por descobrir que ela saiu do condomínio (e pra que diabos serve a porta do prédio se ela fica sempre aberta?), atravessou a rua, quase foi atropelada, dobrou a esquina e simplesmente deve ter achado que estava indo longe demais e achou por bem retornar por onde veio, vindo ao meu encontro totalmente nervosa (não pensem que só eu fiquei), dentro do condomínio, a tal ponto que se permitiu uma bronca e nem tentou fugir na hora de colocar a coleira.

Dulce Maria aprontou e quem acabou por ser fuzilada pelas palavras e olhares dos vizinhos, como sempre, foi a dona, a irresponsável dona! Trouxe-a novamente para casa e, como eu precisava sair, sem renegar seus instintos caçadores, mais uma vez tentou uma solene fuga, mas felizmente, fracassada. Agora eu saio de casa à francesa ou, conforme seja, com táticas fugitivas também. Afinal, seguro morreu de velho e guarda-chuva, não é?

Vídeos: Dulce Maria I, Dulce Maria II, Dulce Maria III

7 comentários:

Rharry Belloti disse...

Esses cãezinhos vivem aprontando né?? Aqui em casa tem dois poodles; O Guto e a Mel...muito fofos, de vez em quando a gente deixa o portão aberto e vem um conhecido trazer os dois em casa...rsrsr

Cara estranho disse...

A Dulce é bem danadinha heim?
É incrível a fidelidade deste pequenos animaisinhos [mais fieis que os humanos.rs].
Muito lindo o carinho que você tem por ela, não ligue para os visinhos [eles nunca sabem de nada!].
Muito bom o blog. Parabéns.
Bjos na Dulce.

Bjs

Ramon Mulin disse...

Cães só aprontam...rsrs, na casa da minha namorada tem 2 [a Rharry Belloti] e eles aprontam mesmo, mas eu prefiro gaots...

Teresa disse...

é por essas e outras que eu não tenho cachorro em casa hehehe.

eu até tenho um papagaio e ele até jpa fugiu algumas vezes (e é muito mais difícil de pegar, visto que ele VOA kkk), mas dá menos trabalho que um cachorro. e eu tenho alergia a pelos.

=***

P. Florindo disse...

Ahh, os cães. Tive vários e muitos morreram (ainda eram filhotes). Realmente, cães precisam ser criados livres, com espaço para correr e brincar. Isso os desestressa. E também merecem todo o carinho do dono.

Brincar com os cachorros, receber mordidas leves e acordar com ele lambendo suas orelhas é legal, hehe. =)

Ícaro Vinícius disse...

Me fez lembrar do meu primeiro e único cachorro, o Mickey. Eu tinha apenas 6 anos. Fugiu enquanto eu estava na escola. Nunca mais o vi.

OLho na beagle!!!!

Abraços!!!!!!

Rafael Portillo disse...

Tive um cachorro chamado Odie. Odie quer dizer idiota em inglês. Mas ele era esperto demias.

Na verdade, o cães não foram feitos para viver em matilhas. Os lobos, sim. Dái nos domesticamos os lobos que viraram os cães.